culturiar

Culturiar é uma neologia, um verbo que exemplifica o nossa curiosidade sobre a cultura.

Mário Lúcio

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo da Grande São Paulo...

A Literatura segundo Chapolin

Episódios da série Chapolin que remetem a grandes clássicos da Literatura mundial.


Muitas pessoas que já tenham acompanhado em algum momento a série de TV Chapolin, criada por Roberto Gomes Bolaños (1929-2014), riram com alguns episódios e não se atentaram que ali se tratava de geniais paródias de clássicos literários. Bolaños era considerado no México como um pequeno Shakespeare por sua destreza como dramaturgo.

A série começou em setembro de 1970 como uma simples esquete de humor do programa Chespirito e que satirizava os super heróis americanos. Quanto a concepção do nome e da vestimenta do personagem, “Chapulín” vem da língua do povo Asteca e significa gafanhoto, aliás em muitos episódios ele é chamado de pequeno gafanhoto. Já a cor do uniforme desse super herói foi apenas por eliminação, a emissora TELEVISA tinha na época apenas quatro cores de tecidos, branco, preto, azul e vermelho. Como Bolaños pretendia usar recursos de Chroma key em seus esquetes, o vermelho lhe pareceu mais viável para a série, sendo assim constituído o nome “El Chapulín Colorado”.

Sem mais delongas, vamos ao que realmente interessa no artigo, Dentre os mais de 400 episódios de Chapolin Colorado, alguns deles trouxeram uma visão engraçada de grandes obras da Literatura Mundial, citarei dois exemplos para que vocês possam tirar suas conclusões;

O ALFAIATEZINHO VALENTE

Uma saga de 4 episódios onde o Chapolin narra de forma diferente à história de um pequeno aprendiz de Alfaiate que se casa com uma princesa. Bolanõs nessa história aglutina dois grandes contos, O Alfaiate Valente dos irmãos Grimm e A roupa Nova do Rei de Hans Christian Andersen. Na adaptação, ele conta aos telespectadores a história do reino de Tontolândia que havia um rei com a fama de ser idiota e também de cortar a cabeça de quem o desobedece, uma princesa que era proibida de sair do castelo e resolve fugir um dia vestida de plebeia, um mestre alfaiate muito esperto que engana o rei com uma roupa invisível e seu aprendiz atrapalhado, o alfaiatezinho valente que se apaixona pela princesa vestida de plebeia.

chapoline222.jpgRoberto Bolaños de Alfaiatezinho e Florinda Meza de Princesa disfarçada de Plebeia Há de se mencionar também uma questão histórica abordada no esquete em que na época do Feudalismo, cada feudo ou cada propriedade tinha seus próprios donos (senhor feudal) pesos, medidas, formas de pagamento de bens e serviços, dificultando a vida dos comerciantes. Já numa fase seguinte os burgueses queriam a centralização do poder, nas mãos de uma única pessoa, no caso o rei, assim surgindo o Absolutismo. Pontos em comum com o conto dos Grimm com a narrativa de Chapolin são que no original, o alfaiate valente mata sete moscas e feliz com seu tento sai pelo mundo afora dizendo “matei sete”, não especularam se eram insetos, todos achavam que eram sete pessoas. Na versão do pequeno polegar o alfaiatezinho matou três moscas e todos do reino acharão que ele matou os três demônios, ladrões que atormentavam os comerciantes. Em ambas as versões aparecem um gigante que enfrenta o alfaiate. Quanto à história de Andersen, originalmente o alfaiate é um bandido disfarçado e que pra conseguir as riquezas da realeza, diz que irá fazer uma roupa muito bonita para o rei e que só os inteligentes e astutos poderiam enxergar tais vestes. A versão chapolinesca conta que o Rei encomendou uma roupa nova para alguns artesãos, só que numa atrapalhada deles a roupa foi estragada, assim o mestre alfaiate teve a ideia de enganá-lo para que sua cabeça não fosse cortada.

DE ACORDO COM O DIABO

Nesse episódio de 1976, um inventor perde um parafuso e enquanto procura na rua pede para que sua filha não deixe ninguém entrar em seu laboratório de invenções, nem mesmo o noivo dela. O noivo muito solícito e ganancioso resolve ajudar a procurar e entra no laboratório (propositalmente para se apoderar das invenções do sogro e conseguir poder), a filha desesperada por ter desobedecido sem querer o pai pede ajuda e nisso aparece o Chapolin Colorado que resolve dar uma lição de moral no noivo ganancioso contando-lhe a história de Dr. Fausto e Mefistófeles.

Deacordocomodiabo.pngRoberto Bolaños de Fausto e Don Ramón de Mefistófeles

A versão original é um célebre poema de Goethe dividido em duas partes e que conta a história de Fausto, cansado com o conhecimento de seu tempo resolve fazer um pacto com o demônio Mefistófeles. Num contrato assinado com seu próprio sangue, Fausto teria todo o conhecimento e prazeres da Terra em troca de sua alma ao diabo. Na versão de Chapolin, Fausto ambicionava ficar com Margarida que era muito mais jovem do que ele, sendo assim ele evoca Mefistófeles para fazer um acordo e poder rejuvenescer. Mefistófeles lhe apresenta a varinha Cherrin-Cherrión que afasta ou aproxima as coisas. Assim Fausto conseguiu ficar jovem e ter a amada Margarida, só que quando Mefistófeles disse que no contrato sua alma lhe pertencia, Fausto fez Cherrión e o contrato sumiu anulando tudo o que foi acordado, o Doutor voltará a ser um velho e perdeu Margarida. A moral da história é que não valeu de nada ele ter feito o pacto com o demônio, e que só obteve a salvação quando se arrependeu.


Mário Lúcio

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