culturiar

Culturiar é uma neologia, um verbo que exemplifica o nossa curiosidade sobre a cultura.

Mário Lúcio

Eu sou apenas um rapaz afro descendente com um pouco de dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo da Grande São Paulo.

Memória

Explicando o processo de como nos lembramos de algo


Muito basicamente, caro leitor, tentarei explicar como funciona esse mecanismo excêntrico e engenhoso que chamamos de memória. Usei o verbo “tentar” porque em se tratando de neurociência, neurobiologia, neuropsicologia ou qualquer outro termo relativo ao estudo do nosso cérebro, e da sua capacidade, entraremos num universo de extrema complexidade e que iria necessitar de muito mais do que um simples artigo.

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O que podemos dizer é que as informações, vindas até nós através da memória, são divididas em três caminhos. O primeiro caminho é o sensorial, ou seja, a exploração dos nossos sentidos reproduzindo memórias específicas. Obviamente vocês anseiam por exemplos, certo vamos a eles; imaginemos que você passe por uma rua várias vezes, nas primeiras vezes você talvez precisou de algum mapa para chegar lá, ou perguntou a alguém, ou até mesmo foi se guiando pelas placas, com o passar do tempo você memorizou como chegar àquela rua sem precisar de ajuda, você usou sua memória visual. O mesmo processo também funciona com as memórias auditiva (audição), tátil (tato), olfativa (olfato) e gustativa (paladar), a repetição de eventos nos faz criar uma memória daquilo, normalmente lembramos de algo que já vivemos ou já conhecemos.

O segundo caminho é a memória de curto prazo ou memória de trabalho, é um estágio acima da memória sensorial, é como se você pegasse aquela informação gerada pelos sentidos e usasse por mais tempo, explorasse melhor o que nos é útil, estudos afirmam que podemos armazenar nesse estágio até 7 coisas dentro de um espaço de 30 segundos, mas isso é uma variável que depende de pessoa pra pessoa.

E o terceiro caminho é a memória de longo prazo, que funciona praticamente como uma imensa biblioteca, lá estão arquivadas aquelas memórias que passaram com louvor os dois primeiros estágios e foram catalogadas em data, hora, dia e demais fatores de organização. Essa biblioteca é dividida em três enormes estantes; a semântica (onde possuem os nossos arquivos responsáveis por formular ideias, significados e conceitos), a processual (onde possuem os nossos arquivos responsáveis por lembrarmos de como fazer as coisas, como cozinhar, atender o telefone, andar de bicicleta) e a episódica (onde possuem os nossos arquivos responsáveis por lembrarmos de experiências pessoais do nosso passado).

Realmente fazer com que as informações caminhem esses três estágios requer treino, obter uma boa memória é compatível a todos, você não precisa necessariamente ser um Sheldon Cooper, aliás por falar nesse ilustre personagem de The Big Bang Theory, algo que ele cita muito na série é sobre sua memória eidética ou popularmente chamada de memória fotográfica. Nada mais é do que a capacidade de lembrar de coisas com um nível de detalhamento quase perfeito, lembram-se do que citei na memória de longo prazo?

Interessante exemplo de memória eidética é a do artista inglês Stephen Wiltshire, ele é famoso por conseguir retratar desenhos de cidades com uma precisão assustadora, só visitando-as de helicóptero. Ele já retratou cidades como Nova Iorque, Rio de Janeiro, Roma, Londres, Jerusalém, Sidney, Cingapura e várias outras. Stephen consegue memorizar detalhes como até mesmo o número de janelas que viu de um prédio ou o número de ruas que viu, simplesmente fantástico. Maiores informações sobre esse artista vocês lerão no ótimo artigo da Débora Viera, aqui mesmo no Obvious (cliquem no nome dela para ir ao artigo).

Stephen_Wiltshire_draws_Singapore_Panorama.jpgStephen Wiltshire desenhando a cidade de Cingapura

Aprender a memorizar é muito salutar, há vários mecanismos para conseguirmos nos lembrar cada vez mais das coisas, tudo é uma questão de prática, saber explorar o que puder de uma informação e gravar ela em sua biblioteca de longo prazo, a memorização ajuda no dia a dia e saber usar bem o nosso amigo cérebro faz uma diferença incrível. Um método interessante é o de associação, lembrarmos de algo que está ligado a um outro evento e assim formulando uma teia de informações que fazem com que nossa mente trabalhe ainda melhor.


Mário Lúcio

Eu sou apenas um rapaz afro descendente com um pouco de dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo da Grande São Paulo. .
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