curiosas verdades

Artigos sobre verdades históricas não encontradas nos livros escolares

Cláudio B.

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Honra, Justiça, Perfeição e Lealdade

Palavras associadas aos Samurais, soldados do Japão antigo, conhecidos no Ocidente como uma legendária classe militar. Retratados em incontáveis filmes de artes marciais, desempenharam um papel essencial nos últimos 1.500 anos da história japonesa.


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Coletores de impostos, servidores do império, arqueiros, porém ficaram mais conhecidos como guerreiros. O que torna um samurai diferente de outros guerreiros em outras partes do mundo? Vestir uma armadura e usar uma espada, não é suficiente para transformar-se em um! Apesar dos costumes terem mudado ao longo dos séculos, há quatro regras que sempre definiram um samurai:

1. Um guerreiro bem treinado e extremamente habilidoso; 2. Serve seu Daimyô, ou senhor, com absoluta lealdade, até a morte. Esse é o próprio significado da palavra samurai: "aquele que serve"; 3. Um membro de uma classe de elite, considerado superior a cidadãos comuns e soldados ordinários de infantaria; 4. A vida do samurai é regida pelo Bushidô, um rígido código de guerreiro que coloca a honra acima de tudo.

Ninguém sabe com certeza quem foi o primeiro samurai. Nos séculos V, VI e VII d.C., em meio às rivalidades entre príncipes e clãs, alguns imperadores perceberam que os emishi eram bons lutadores e os recrutaram para lutarem em batalhas contra outros inimigos. Algumas táticas militares e tradições dos emishi foram incorporadas pelos soldados japoneses e mais tarde, usadas pelos samurais. O status como classe de elite, vem das famílias poderosas que viviam longe da capital, transferindo suas terras e seu prestígio de uma geração para outra - por centenas de anos - alcançando a nobreza. Conforme algumas fontes, a palavra “samurai” apareceu pela primeira vez no século XII e por um longo tempo, constituíram a principal força militar usada contra os clãs.

Em 1100, duas poderosas famílias serviam ao Imperador do Japão: o clã Taira e o clã Minamoto. Rivais em 1192, Minamoto Yoritomo obteve a vitória sobre os Taira. O imperador, chefe tradicional do governo japonês, declarou Yoritomo como Xogum, o chefe militar, mas este usou seu novo cargo para tirá-lo do poder político e estabelecer sua ditadura militar conhecida como Bakufu. Assim, os samurais passaram de servos dos daimyos proprietários de terras a Regentes do Japão, sob o Xogum. Depois que Yoritomo morreu, sua esposa, Masa-ko, procurou manter o xogunato.

O clã Ashikaga arrancou o controle dos Hojos em 1338, mas falharam ao tentar impor uma autoridade central forte no Japão e os clãs entraram em decadência devido às lutas constantes. Este Sengoku, ou período de guerra civil durou até Tokugawa Ieyaso tomar controle do Japão em 1603, aplicando uma rígida política protecionista e mantendo o controle sobre os daimyos, ao forçar suas famílias a viverem na capital, enquanto ele vivia na sua propriedade. Cada daimyô era obrigado a visitar a capital pelo menos uma vez ao ano (os que caíam em desaprovação, recebiam propriedades longe da capital, tornando a viagem mais cara e demorada). Isso garantia o controle, porque suas famílias eram mantidas basicamente como reféns e as caras viagens anuais, os impediam de conseguir demasiado poder econômico.Também proibiu o porte de espadas, exceto por samurais. Todas as espadas possuídas pelos que não fossem guerreiros samurais, eram confiscadas e derretidas para fazer estátuas. Isso os evidenciou como uma classe muito distinta, acima dos cidadãos comuns.

Durante a paz forçada de Tokugawa, eles raramente entravam em combate. Nesse período, assumiram outras funções, acompanhando seus senhores na ida e na volta da capital, trabalhando como burocratas no Bakufu e cobrando tributos em arroz dos vassalos. Tokugawa e seus descendentes governaram um Japão pacífico por dois séculos e meio, assistindo o poder dos samurais declinando gradualmente, porém foram dois fatores específicos que os levaram à ruína definitiva: a urbanização do Japão e o fim do isolacionismo. À medida que mais japoneses se mudavam para as cidades, havia menos agricultores para produzir o arroz necessário para alimentar a crescente população. A vida luxuosa desfrutada pelos xoguns e daimyos começou a se desgastar nessa economia e muitos japoneses, inclusive samurais de classes mais baixas, começaram a ficar insatisfeitos com o xogunato devido às difíceis condições. Em 1853, navios dos EUA chegaram na baía de Edo. O comodoro Matthew Perry vinha entregar uma mensagem do presidente Millard Fillmore ao imperador (que ainda existia como uma autoridade simbólica, ainda que, na realidade, fosse o Xogum que governasse o país). Queria abrir relações comerciais, desejava que os marinheiros americanos fossem bem tratados pelos japoneses e propunha abrir o Japão como um porto de reabastecimento para seus navios. Como conseqüência da visita de Perry, o Japão se dividiu: Alguns recusaram as ofertas americanas, preferindo manter o isolacionismo e suas tradições enquanto outros, perceberam que o Japão nunca resistiria à supremacia tecnológica dos ocidentais. Estes propuseram a abertura do Japão para aprender tudo que pudessem sobre os estrangeiros, visando saída de seu isolamento e se tornarem uma potência mundial. No final, o Bakufu decidiu aceitar os americanos.

O imperador negou-se a concordar com o tratado, mas não conseguiu impedi-lo. Vários grupos de samurais rebeldes queriam que o Japão preservasse as tradições, apoiando o imperador e iniciando uma guerra civil contra o Bakufu. Surpreendentemente, eles depuseram o Xogum, terminando o período Tokugawa e restaurando o poder do imperador. Samurais de classes mais baixas tomaram posições de liderança, controlando o governo do novo imperador, um jovem garoto chamado Imperador Meiji. Este evento foi conhecido como a Restauração Meiji.

O poder foi tirado dos daimyos, na medida que o governo desapropriava suas terras. Sem ninguém para pagar os muitos samurais, Meiji decidiu oferecer títulos baseados na sua categoria. Isso afetou os samurais de baixo e alto escalão de formas diferentes, com o mesmo resultado para ambos: usaram os títulos para investir em terras ou iniciar um negócio, percebendo que não tinham renda suficiente para se sustentar e retornando para o campo como fazendeiros e para as cidades como trabalhadores. Finalmente, em 1876, o imperador baniu o uso de espadas pelos samurais, levando à criação de um exército de reservistas. Os samurais já não existiam mais. Embora tenha havido algumas rebeliões em províncias afastadas, aos poucos todos foram adotando novas funções na sociedade japonesa, enquanto seu país entrava na Era Industrial.

Ainda que eles não existam mais, seu legado e disciplina encontraram um lugar nos tempos modernos. Dos pilotos kamikaze do Japão na Segunda Guerra Mundial às artes marciais, e mesmo em modernos homens de negócios que buscam o bushidô como um guia para uma vida honrada, o samurai continua ainda a influenciar nosso mundo.

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A Morte Honrosa

Seppuku (Hara-Kiri) O ato de se suicidar, abrindo a própria barriga é tão incrível, que possivelmente, seja o elemento mais famoso, do mito dos Samurais.

Os primeiros registros foram providos por Minamoto Tametomo e Minamoto Yorimasa na parte posterior do 12º Século. As motivações originais para este tipo de morte podem ter sido bem puramente práticas. O exemplo de Miura Yoshinobu a parte, cortando a própria cabeça é difícil e curioso, mas durante séculos a filosofia por trás do Seppuku, foi refinada. Antes do Período de Edo, o ato tinha se tornado um ritual completamente desenvolvido com meias-vozes de Xintoísmo. Por anos, um privilégio reservado apenas aos samurais. Cidadãos comuns poderiam afogar-se ou se enforcarem e as mulheres, cortarem suas próprias gargantas, pois ser executado era uma marca de vergonha, destinada a notórios traidores. Primeiro, seriam fixados tatames fiados em branco, enquanto uma almofada grande era posta, igualmente branca. As testemunhas se organizariam discretamente a um lado, enquanto de acordo com a importância do suicídio. Freqüentemente vestido em um quimono branco, se ajoelharia ao travesseiro em estilo formal e em postura esperançosa. Mantendo a distancia de um metro atrás e à esquerda do samurai, ajoelhava-se o Kaishakunin dele, ou o “segundo”. O segundo era geralmente um amigo íntimo do defunto, com um dever nada agradável: prevenir o samurai suicida de experimentar a agonia e o sofrimento, cortando-lhe a cabeça após o primeiro corte ou em caso de desistência, garantir que ele não incorresse em uma vergonhosa desgraça. A sua frente, uma faca em uma bandeja envernizada, aguardando a coragem em se sentir pronto, quando soltaria suas dobras do quimono e exporia seu abdômen. Erguendo a faca com uma das mãos e segurando, com a outra a bainha, esfaqueava-se no lado esquerdo do estômago, puxando a lamina para direita, virando-a na ferida e trazendo-a para cima! Muitos não suportavam este último golpe - agonia inenarrável - quando o seu amigo lhe podaria a cabeça. Mas, se conseguisse suportar até o fim, o que era conhecido como o Jumonji, em sua totalidade, seria considerado particularmente, um impressionante Seppuku!

Curiosidades

O cabelo do Samurai, era algo muito importante em sua aparência, sendo que a maioria dos textos e códigos lhe fazem referência. Durante mil anos, o topete foi o tradicional, quase todo mundo usava, com exceção dos monges budistas e tal gênese ao estilo, dificultava o reconhecimento da autoridade. No período do Edo, no entanto, surgiram diferenças, com um fio amarrando ou o uso de um spray, feito a base de chá. Usado a frente, em cima ou atrás da cabeça, o Mitsu-ori, bem popular no século XVI bem como o Futatsu-yori, aparado com navalha. Essa raspagem, supostamente teria sua origem, para o uso de um capacete, de forma mais confortável.

Falando em capacete, este teria de ser perfumado, com incensos, antes das violentas batalhas: se o guerreiro fosse degolado, ao retirar o elmo, era obrigatório oferecer uma.. experiência agradável ao inimigo vencedor..

Barbas eram comuns ao Edo, enquanto bigodes eram mais vistos entre generais, sendo bastante distintivos, vistosos.

Agora, se faltasse um acessório imprescindível da armadura, não haveria luta: uma trouxinha de rouge (pó compacto). Um autêntico Samurai não poderia lançar-se a batalha encarniçada, sem isto, pois ao morrer, seus colegas poderiam lhe reavivar as faces, para que não subisse ao paraíso...pálido!

Fora da armadura, um adorno para o samurai poderoso e importante, seria o Eboshi, um boné de seda preta, com um forro de papel. Seu tamanho variava de acordo com o grau do guerreiro, porém mais reservado a eventos formais antes do século XVI.

Nas ilustrações abaixo, observamos da esquerda para a direita, o traje completo de um guerreiro, a cena do Seppuku, os três últimos descendentes dos verdadeiros Samurais, armadura e espada clássica e finalmente, posição típica do guerreiro, antes de um combate por espadas.

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Cláudio B.

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