curiosas verdades

Artigos sobre verdades históricas não encontradas nos livros escolares

Cláudio B.

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Os Mosqueteiros do Rei

Nasceram na França de 1615, de uma unidade de polícia, armada com pequenos e leves mosquetes. Conhecidos por sua bravura e coragem, chamaram a atenção do rei Francês Louis XIII, para sua guarda particular, tendo ele escolhido pessoalmente uma unidade de cem homens, denominada "Maison du Roi Militaire".


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Participavam de jogos reais de Caça, acompanhando o rei, fazendo serviços do Correio Imperial, guarda do Louvre, do Castelo de Saint Germain e suas ruas adjacentes, mas esta monotonia foi interrompida em 1669, com a campanha militar da defesa da ilha de Creta, quando o Papa Clemente IX, apelou para a "guerra Santa" contra os infiéis turcos.. Louis XIV estava ansioso para, auxiliando o Papa, obter prestígio militar no negócio e claro - quem sabe - em determinado momento, conhecer pessoalmente o próprio tesouro do sultão Suleyman?

Com 7000 homens, incluidos 224 mosqueteiros, estes comandados por seu capitão, o Marquês de Maupertuis, o pequeno contigente se lançou ferozmente contra a violenta tropa de elite do sultão, conhecida como "Janízaros", no combate corpo a corpo, sendo que ao final da escaramuça, 30 haviam morrido, 70 sofreram graves ferimentos, mas nenhum havia sido feito prisioneiro! Tal feito, lhes proporcionaram glórias inigualáveis, depois que desembarcaram no porto de Toulon e marcharem sob suas bandeiras, de volta à cidade de Paris.

Mas, como as estórias românticas e as lendas sobre estes guerreiros, atravessaram séculos, encantando milhões em todo o mundo, até os dias de hoje?

Nos anos de 1840, um modesto escritor de peças teatrais, quase desconhecido, chamado Alexandre Dumas (pai), teve contato com uma fonte de velhas correspondências, notadamente as "Memórias de Madame Sévignè", redigidas em um livro de 1700, por Gatien de Courtilz de Sandras - memórias de 27 anos após a morte de seu marido, Charles de Batz de Castelmore d'Artagnan, o verdadeiro herói D'Artagnan.

Dumas pediu o livro emprestado e jamais o devolveu. Imediatamente, pinça dali uma enorme quantidade de detalhes, as quais reescreve usando seu estilo pessoal: acrescenta então, os personagens fictícios aos reais, fazendo-o da mesma forma, aos fatos do período, adicionando um tipo de recito onde alternam-se duelos, intrigas políticas, cavalgadas, raptos, passagens dramáticas e cômicas. Esta fórmula, faria a fortuna dos folhetins e suas modernas transposições desta obra, para o cinema, até hoje e claro, a mesma escola que sigo, em nossos livros da contemporânea série sci fi Projeto Messias, nada diferente dos grandes mestres de sucesso como Victor Hugo e Julio Verne (parece que quebrarei a maldição das obras se transformarem em clássicos da literatura mundial, só após a morte dos autores).

Com a ajuda na redação de Auguste Maquet, de quem partiu a idéia de ser intitulado o romance "Os Três Mosqueteiros", conservando o erro de Dumas quanto a serem quatro e não três, os protagonistas, foi publicado pela primeira vez no jornal Le Siècle, de março a julho de 1844 e só depois, lançado como livro, no mesmo ano, pelas Edições Baudry. Desnoyers, encarregado da secção do jornal, terminou de convencer Dumas a manter este nome, ao contrário do título original "Athos, Porthos e Aramis". Foi reeditado em 1846, por J. B. Fellens e L. P. Dufor, desta vez, contando com ilustrações de Vivant Beaucè.

Apesar do sucesso e das ligações aristocráticas de Alexandre Dumas, sua vida sempre foi marcada por ser mulato. Em 1843, escreveu uma curta novela intitulada Georges, que chamava atenção para alguns aspectos raciais e para os efeitos do colonialismo. Apesar disso, atitudes racistas contrárias à sua posição legítima na história da França ainda se manteram bem depois de sua morte, em 5 de dezembro de 1870. O próprio Alexandre Dumas adaptou seu romance para o teatro em 1861, numa peça intitulada "Le Prisonnier de la Bastille, Fin des Mousquetaires" em português, "O Prisioneiro da Bastilha, o Fim dos Mosqueteiros", que trata apenas do episódio do irmão gêmeo de Luís XIV. Raoul de Bragelonne é mencionado mas não aparece em cena. Mesmo assim, Dumas conseguiu mais um grande feito, que foi o de popularizar o genero de romance histórico, transformando a trilogia original em romance de capa-e-espada, dando uma face de nobreza ao romance de ação. A trilogia era composta de "Os Três Mosqueteiros", "Vinte anos depois" e "O Visconde de Bragelonne", este último, fazendo parte de "O Homem com a Máscara de Ferro".

Como as duas últimas "Curiosas Verdades" deste artigo, o verdadeiro D'Artagnan, possuía apenas treze anos, quando Dumas o sitou na aventura, passada em 1625 - mais um dos erros do escritor e o inusitado fato que o autor, transferiu a essência de seu personagem mais famoso, para si mesmo, incorporando-o e vivendo em seu tempo, aventuras pessoais, lutas armadas e confusões das mais diversas! Infelizmente, acreditava que, apenas não possuía a alegada beleza fisica de seu herói, mas hoje, historiadores encontraram uma raríssima gravura do rosto verdadeiro do mosqueteiro - revelando que talvez somente sua bravura fosse o atributo capaz de enfeitiçar sua amada Constance Bonacieux..

Nas imagens abaixo, tela antiga, apresentando os verdadeiros mosqueteiros reais, a evolução dos uniformes, as estátuas dos quatro mosqueteiros em Comdom, na Gasconha, as fortalezas em Candia, defendidas pelos mosqueteiros e finalizando, Louis XIV, Ana da Austria, o Cardeal Mazarin e o célebre Autor. Não coloquei a ilustração do verdadeiro D'Artagnan, para desta vez, não quebrar a beleza da coluna ou assustar minhas românticas leitoras.

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Cláudio B.

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