curiosas verdades

Artigos sobre verdades históricas não encontradas nos livros escolares

Cláudio B.

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"Eu creio"

"...passando a atribuir a necessidade do auxílio de um Deus e a confiança de que haverá a sua intervenção sobrenatural, a partir do momento em que este elo, esta comunhão, lhe parecer estar completa."


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Quando temos a oportunidade de estudar o passado histórico de nossa civilização, percebemos uma regularidade em fatos que se repetem, como se em uma peça teatral onde mudam apenas os atores e o cenário, conservando-se o texto praticamente inalterado.

Hoje contarei para vocês algo que todos, imediatamente traçarão uma relação de paridade com uma situação à qual já observamos claramente, nos dias de hoje, se disseminando entre as religiões, novos cultos e seus fiéis: a irracionalidade e o fanatismo crescendo incontrolávelmente, alimentados pelo desejo do individuo em se unir ao divino, prática baseada na crença de uma cura de seus problemas e em uma visão distorcida de que a sua salvação e dos entes queridos, só ocorrerá quando todos compartilharem dessa mesma teoria. É um pensamento muito simples de ser absorvido por massas ignorantes e uma concentração de pessoas as quais não conseguem solucionar suas próprias vidas, passando a atribuir a necessidade do auxílio de um Deus e a confiança de que haverá a sua intervenção sobrenatural, a partir do momento em que este elo, esta comunhão, lhe parecer estar completa. Pois bem, vamos para o século IV d.C, para descobrirmos até onde essas promessas, em nome da fé, acabam se enraizando e proliferando como um vírus devastador e os resultados dessa multiplicação ao ganhar força através daqueles que exercitam-se, constantemente, dessas receitas doentias:

No norte da África, nos limites da colonização do império romano, surgiram alguns cristãos que acreditavam que, a única forma de se UNIR definitivamente à Jesus seria através de suas próprias mortes. Esse pensamento prosperou rapidamente, dando o início a um culto, que hoje o consideraríamos como evangélico, denominado Circuncelius. Evoluíram dos Donatistas e possuíam Bispos, que brigavam entre si, na disputa de fiéis e que tinham suas próprias igrejas regionais. O problema do conceito dessa busca pela salvação prometida era de que não poderiam se suicidarem, como já, centenas de pessoas vinham fazendo, obrigando a Igreja Cristã em Roma, decretar que este ato era pecado, em 364 d.C.

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Com o impasse desta promulgação, precisavam encontrar então, alguém que os matassem e isso não era fácil. A princípio, um membro poderia matar o outro, mas isso condenaria o assassino ao inferno. Outro dilema era que, de acordo com os evangelhos, Jesus disse a Pedro para baixar a espada no jardim de Gethsemani, pouco antes da sua prisão. Muitos cristãos interpretavam esse ato como uma demonstração de pacifismo e negação à violência. Então, acreditavam que a passagem significava que um cristão não deveria usar armas de lâmina afiada. Mas os evangelhos nada diziam a respeito de paus, pedras e dos enormes PORRETES que eles chamavam de "israelitas". Passaram a andar pelas cidades, ruas e estradas, criando confusões e brigas de toda a ordem até poderem se transformar em mártires, como o Cristo. O alvo predileto deles eram soldados, bandidos e estrangeiros que diante de uma turba enlouquecida, acabavam pegando em armas para se defender. Eles o importunavam e assustavam, esperando que ele de alguma maneira reagisse à altura. Enquanto isso gritavam "Laudate Deum!" (Glória à Deus!).

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Em face da sua violência e brutalidade, estes crentes passaram a serem conhecidos como "agonistici", que é a raiz da palavra "antagonista". Os Circunceliões chegaram a contar com alguns milhares de membros em algum momento do século quarto até o V, no auge do movimento. Uma vez que os Circunceliões estavam destinados a serem mártires, eles não se importavam com coisas transitórias como castidade e pobreza. Acreditavam que o martírio lavaria todos os seus pecados e os faria renascer na presença de Deus não importando que pecados tivessem cometido em vida. Frequentemente bêbados, para ganhar coragem diante da morte, costumavam roubar aqueles que se negavam a enfrentá-los - uma espécie de tributo - e por vezes também se dedicavam a estuprar, destruir plantações e atear fogo a propriedades. Os rituais envolviam, além das orações e cânticos de louvores, a prática de "contar estórias", depoimentos e compartilhar as ações dos membros que atingiram o martírio. Eles também fantasiavam como ocorreria o encontro com Deus - no paraíso e quais seriam as vantagens na outra vida. Mas a loucura dos Circunceliões por vezes era seu maior problema: um governador da região da Dalmácia (atual Romênia), acreditando que o secto era composto de loucos ordenou que nenhum Circuncelião fosse morto em seus domínios, uma vez que as leis proibiam a execução de doentes mentais. Como resultado, centenas se atiraram em um precipício quando souberam que os dalmácios não os matariam de bom grado. O hábito de se atirar de penhascos passou a ser aceito pelos Circunceliões e logo, deles mergulhavam em queda livre, sendo considerados verdadeiros mártires pelo seu ato. Eventualmente o culto acabou sofrendo o mesmo destino que recai sobre cultos suicidas: terminou em face da grande redução de seus membros.. No final do século V, já eram um movimento religioso quase inexistente. Seus poucos membros, aqueles que "ficaram para trás" aceitaram fazê-lo apenas para preservar a memória dos mártires.

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Se você é um cristão, saiba que deve-se aos Circunceliões dois princípios que por muito tempo nortearam a cristandade. A "guerra justa" e a "consciência religiosa" foram formuladas por Santo Agostinho tendo esse obscuro culto como base. O princípio da "guerra justa" foi escrito por Santo Agostinho (um dos maiores filosófos da Cristandade) como resposta a pergunta: "Um cristão pode se defender com violência, caso seja atacado por Circunceliões?", pergunta que Santo Agostinho respondeu positivamente, afirmando que a violência é justificável em defesa própria para preservar a vida. Princípio usado até os dias de hoje. Já a "consciência religiosa" é o princípio através do qual, pessoas podem atribuir a sua crença religiosa fatores que as impeçam de prestar serviço militar ou participar de guerras. O Santo usou os Circunceliões como exemplo, afirmando que nenhum homem poderia ser forçado a uma determinada ação, se esta fosse contrária às suas crenças religiosas mais profundas. A maioria dos países, inclusive o Brasil, permite a isenção do serviço militar em face disto.

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Os Circunceliões são o exemplo máximo do que fervor religioso misturado a ideologias e doutrinas pode proporcionar. Para existir, uma religião precisa apenas de uma coisa: pessoas que acreditem inquestionavelmente em uma mesma crença por mais estranha, incomum e absurda que ela seja. Circ5.jpg


Cláudio B.

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