da janela das eumênides

...cada amanhecer traz a razão para recomeçar...

Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!

Molly Brown, a passageira do Titanic

James Cameron conseguiu captar muito bem, no filme “Titanic”, a essência da personalidade de Molly Brown: empatia, bom humor, determinação. Melhor ainda, conhecer um pouco mais desta adorável criatura.


MollyBrown.jpgFoto: Wikimedia Commons No Titanic, certamente aquela passageira bem humorada que emprestou o smoking para o mocinho (Leonardo di Caprio) parece ser uma pessoa muito especial, em sintonia com as emoções do outro. E, incrivelmente, Molly Brown foi uma mulher muito avançada para o seu tempo, quebrou muitas regras, convenções e viveu intensamente.

Molly Brown, muito parecida com a atriz Kathy Bates, veio para Denver - USA ainda jovem e, como todas as donzelas da época, planejava arranjar um bom partido. Como em um romance, apaixonou-se por J. J. Brown, que… era pobre. Porém, mais tarde, J. J. inventou um método de calafetar as perfurações da mina na qual trabalhava, sendo regiamente recompensado com ações e um cargo mais elevado. Assim, Molly completou, merecidamente, seus sonhos de amor e riqueza.

Embora tivesse apenas o curso fundamental, Molly Brown leu muito, aprendeu línguas, tinha uma biblioteca variada e foi até, duas vezes, candidata ao senado federal.

MB.jpgFoto: Rainer Brockerhoff

A casa em que ela morou é hoje um museu, onde se pode viver por alguns momentos o ambiente requintado, alegre e ousado para a época. Molly Brown exigiu, ao adquirir a casa, os últimos avanços tecnológicos: eletricidade, telefone, banho e vaso sanitário com água corrente dentro de casa; um luxo! Havia, também, máquina de lavar. No terceiro piso da casa eram celebradas festas e bailes. As louças e prataria enchem armários e são de muito bom gosto.

Claro que Molly Brown, pelas suas idéias progressistas e comportamento avançado, incomodava as 36 (!) famílias tradicionais da cidade. Contudo, esta mulher admirável seguiu seus impulsos e idéias, realizando um inédito trabalho voluntário com crianças carentes e serviços protetores dos animais; disto surgiram os juizados especializados para crianças e adolescentes, os primeiros dos Estados Unidos. Ainda, batalhou por causas feministas, inclusive pelo voto.

Apesar de viajar muito — a casa é cheia de lembranças de países “remotos”: Egito, Rússia, Índia, Japão — a viagem no Titanic foi puramente fortuita. Estava em Paris com a filha e resolveu voltar com urgência a Nova Iorque, onde o neto estava doente.

Molly Brown teve uma iniciativa excepcional quando, recolhida com os outros sobreviventes, cansada, com fome e frio, ajudou os passageiros de segunda e terceira classe, ilhados num país estranho sem família nem pertences; seus conhecimentos de francês, alemão e russo a fizeram porta-voz dessa massa de imigrantes. Ainda a caminho do porto, angariou donativos entre os passageiros de primeira classe. Uma típica atitude de Molly Brown: imediatamente publicou uma lista de quem não quis participar; surtiu um grande efeito!

Publicou, também, artigos em jornais exigindo melhorias na segurança e a ela se deve muitos dos procedimentos atuais, como a existência de coletes salva-vidas e botes suficientes para todos os passageiros.

Aqui, em Denver, a história do inafundável Titanic está intimamente ligada a essa ilustre moradora.


Maria Brockerhoff

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