da janela das eumênides

...cada amanhecer traz a razão para recomeçar...

Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!

Dwarika’s Hotel — Kathmandu

Este hotel 5 estrelas é um elegante conjunto formado por uma antiga vila nepalesa, um museu cercado de jardins e um repositório arquitetônico com todas as amenidades e conforto modernos.


Foto: Rainer BrockerhoffAmbica, a mulher do fundador Dwarika Das Shrestha, desempenhou um papel fundamental na realização dos sonhos do marido. Visionária, muito à frente do seu tempo, quando as mulheres eram ainda mais desvalorizadas e submetidas às ordens rigorosas, às vezes cruéis, da sogra e dos parentes machistas.

Dwarika também sempre teve idéias avançadas. Na década de 40, conhecia os benefícios e praticava vigorosos exercícios físicos, já escandalizando o pessoal com uma invejável barriga-tanquinho, além de ser favorável à educação formal de mulheres. Isto enfurecia os familiares e amigos conservadores. A filosofia de Dwarika era revolucionária: se a mãe estiver bem, se tiver boa saúde e educação, as crianças crescerão bem. Foto: Rainer BrockerhoffInteressante como, sob as crenças, as lendas, as superstições, os costumes, o hinduísmo avilta, hoje ainda, a condição feminina. O próprio Dwarika convenceu Ambica que a solução seria saírem do clã familiar. A gota d’água foi uma “escandalosa” volta de moto por Kathmandu, com Ambica na garupa. Foto: Rainer BrockerhoffO jovem casal partiu para vida e carreiras novas. Ambica começou a lecionar inglês — um deus-nos-acuda! — e Dwarika abriu a primeira agência de turismo, no Nepal, para peregrinos ao Pashupatinath. Compraram um terreno, onde sobre os alicerces antigos levantaram uma casa nova. Dwarika tinha um conceito diferente sobre a preservação da cultura e dos costumes nepaleses através da conservação do patrimônio arquitetônico e da história entalhada nos pórticos pelos antigos mestres Newari. Foto: Rainer BrockerhoffO insight se deu quando Dwarika, ao passar por umas ruínas, viu os marceneiros serrando peças ricamente entalhadas. Os marceneiros explicavam que tais entalhes só serviam para queimar, aquecendo-os no inverno. Diante dos marceneiros atônitos, propôs a troca da madeira velha por madeira nova. A partir de então, Dwarika vasculhava demolições e acumulava tudo. Daí nasceu a idéia de montar um empreendimento comercial: fundaram o hotel Dwarika’s “meramente como veículo para financiar o sonho”. Foto: Rainer BrockerhoffA construção do hotel levou 40 anos. Dwarika morreu em 1992, um ano antes de completar a obra. A esposa Ambica, a filha e o neto continuam a gerir o precioso legado. Hoje, o valor da diária das suítes de luxo é de, até, US$1500. Ambica mantém e dirige uma associação que incentiva mulheres a se tornarem independentes e empreendedoras. Foto: Rainer BrockerhoffCá dentro do Dwarika's, o caos de Kathmandu se transforma em oásis. Dá pra dormir à beira da piscina, que é uma reminiscência dos banhos reais do Séc. XII apreciados pela dinastia Malla. Foto: Rainer BrockerhoffA conscientização do valor da preservação feita pelo casal foi tão importante que se estendeu para a conservação das tradicionais cidades Patan e Bhaktapur.


Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Maria Brockerhoff