da janela das eumênides

...cada amanhecer traz a razão para recomeçar...

Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!

O Ritual da Cremação — Kathmandu

Indefinível a sensação diante da pira incandescente... o corpo é consumido pouco a pouco.


Foto: Rainer BrockerhoffO Templo de Pashupatinath está a 10km do centro de Kathmandu em um parque muito grande cortado pelo rio Bagmati, cujas águas parecem uma massa pesada, escura e lenta. Aqui a divindade Shiva teria repousado e "Pashupati" significa "o senhor e protetor de todos os seres vivos". À entrada é cobrado, justificadamente, um ingresso dos turistas e bancas de todo o tipo de artesanato tem a oportunidade de bons negócios em um dos países mais pobres do mundo. Foto: Rainer BrockerhoffPashupati tem centenas de templos, santuários e edificações, tudo muito antigo. Entre estas, visitamos um asilo onde os velhos sem família são levados para aguardar a morte e a cremação ali bem pertinho. Foto: Rainer BrockerhoffNo alto, o templo principal de Pashupatinath, com a cúpula em ouro, é um dos maiores do Nepal. Foto: Rainer BrockerhoffNo interior, vimos de longe o gigantesco boi Nandi, que teria sido a montaria de Shiva. Só é permitida a entrada de hinduístas. Foto: Rainer BrockerhoffÉ inusitado, no portal do templo, um modernoso display com informações em nepalês e inglês. Foto: Rainer BrockerhoffA plataforma de cremação tem degraus até o rio, onde se lavam os pés do morto e as famílias se aspergem. Os ricos são cremados na parte superior do rio. Há algum tempo, a pira dos ricos era de sândalo, uma madeira perfumada; como está quase extinta, hoje coloca-se apenas uma pequena tora.

Os sadhus — uns homens seminus, cabelos aos metros, faces coloridas e corpos cobertos de cinzas — estão em toda parte e sobrevivem posando para os turistas. Dizem as boas línguas que são "sadhus para turista"; os verdadeiros, sim existem, estão em cavernas distantes em jejum e meditação.

A gente assiste, esbugalhados, a preparação da pira, o ritual de envolver o morto em lençóis brancos e laranja. Na boca se coloca um pavio de cânfora e manteiga, onde se acende a chama, pois pela boca começa e termina a vida. Significativo é o "leito" formado sobre as toras para aconchegar o corpo coberto de palha; não se usa líquido inflamável. Foto: Rainer BrockerhoffToda a cerimônia é envolta numa atmosfera de respeito e silêncio. Foto: Rainer BrockerhoffO restante das cinzas e todos os resíduos são lançados ao rio. Ali, crianças e mulheres recolhem as sobras de madeira e possíveis moedas, anéis, brincos no rescaldo.

Mais abaixo no rio, custei a acreditar ao ver — e conferir! — duas mulheres recolherem os restos de um tronco humano.


Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Maria Brockerhoff