da janela das eumênides

...cada amanhecer traz a razão para recomeçar...

Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!

A Cidade das Mulheres — Ecuador

Existe, sim, um matriarcado em El Tambo. À espera de maridos e filhos, estas corajosas mulheres são Penélopes modernas.


Foto: Rainer Brockerhoff Os pueblos equatorianos desenvolveram costumes, tradições tornando-os peculiares:

• de Salasaca vem a lã fiada enrolada em novelos por alegres mulheres na praça, algumas velhinhas bem ativas; Foto: Rainer BrockerhoffLatacunga é o das fritadas; porcos/chanchos são dependurados às portas. Nacos de carne são retirados e fritos ali mesmo em enormes frigideiras. O cheiro bom de especiarias vai muito longe;

Salcedo é o paraíso dos helados: sorvete de todos os gostos e cores;

Pelileo é o reino das fábricas e comércio de jeans de todos os tipos possíveis;

Foto: Rainer Brockerhoff• perto de Ambato, uma singular escola e cultivo de bonsais. Plantas antigas com um porte majestoso.

Foto: Rainer BrockerhoffO transporte regular entre os pueblos é de um luxo bem-humorado.

Curioso, mesmo, é El Tambo, um lugar já apelidado de “a cidade das mulheres”. Num êxodo maior que o de Governador Valadares em Minas Gerais nos áureos tempos, maridos e filhos emigram, principalmente, para os Estados Unidos.

A busca do El Dorado leva os seus homens e as mulheres, com as crianças pequenas, assumem todas as tarefas. Vimos mulheres ordenhando, pastoreando, carregando água, assentando tijolos, dirigindo velhos tratoretes... Foto: Rainer Brockerhoff

Os dólares lá de fora são empregados na construção de casas muito grandes — 8 ou 10 quartos — com sobrados, varandas e janelas coloridas. Como um troféu, esta construção demonstra o sucesso na terra estrangeira! Enquanto os homens não regressam, a manutenção das casas vazias fica a cargo dos pais ou avós; estes cuidam do imóvel e continuam morando no casebre ao lado. Para eles, morar no “castelo” é impensável.

Foto: Rainer Brockerhoff

Muitos jovens nunca mais dão notícias... ficam as casas inúteis, inacabadas, como o testemunho da busca da fortuna, do sonho de uma vida diferente, enfim do surrado, nem por isto sem valor, American Dream.

Foto: Rainer BrockerhoffPerto de El Tambo, as ricas ruínas de Ingapirca — simbólico presságio do destino de El Tambo?

Em ligeiras pinceladas, a história nos conta sobre a nação Cañari, uma adiantada civilização indígena, nesta região desde o século V. No início do século XVI foram conquistados pelos Incas, quando se iniciou a construção de Ingapirca. Logo depois, os cruéis conquistadores espanhóis destruíram este rico império indígena. Como sempre, sobre os cadáveres dos nativos construíram igrejas.

Foto: Rainer Brockerhoff

O guia especializado em Ingapirca é carismático; seus olhos brilham ao descrever o significado de cada pedra, de cada símbolo, de cada forma na rica cultura Cañari e Inca. Dá gosto ver alguém demonstrar, de dentro para fora, tanto entusiasmo pela profissão. Confirmando esta minha impressão, quando falei da sua excelente expressão corporal própria de um bom ator, respondeu-me:

— então sou ator de Ingapirca, onde quero morrer!

Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!.
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