da janela das eumênides

...cada amanhecer traz a razão para recomeçar...

Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!

Todos a Bordo — rumo Bratislava

Segure a sorte como se fosse um pássaro; se o deixar livre e solto, o pássaro ficará na sua mão... Friedrich Hebbel (1813-1863)


Ainda em Passau-Alemanha, vivenciamos um aspecto curioso da cultura bávara: o costume de pesar na balança aquele canecão de louça com cerveja e tudo, porque o cliente não pode conferir visualmente o nível da bebida. Aqui, também, os rios Inn e Ilz se juntam ao Danúbio e formam este mosaico flutuante.

Foto: autor desconhecido

O Danúbio, agora, atravessa a Áustria. A cada lado, uma surpresa de uma revoada de pássaros... torre em ruínas... uma elegante casa-de-rio... gente aproveitando o verão... A água mansa traz calma e leveza. Tudo — toda a vida! — vai ficando para atrás... pode ser relaxante até deMais para quem costuma associar viagem à compra, à movimentação constante, à turma de amigos ou de familiares.

Foto: Rainer Brockerhoff

Toda viagem é um processo diferente e somos — ou deveríamos ser — um outro novo passageiro a cada vez! Uma viagem pode ser, simplesmente, um impulso, um bate-volta, uma promoção “imperdível”, um recreio ou um convite; pode levar ao nada ou à reflexão; representar busca, fuga ou mudança de rumo; ser um momento especial de abraçar um amigo, reatar laços ou desprendê-los... em resumo:

qualquer viagem é uma peregrinação ao céu ou ao inferno.

Neste momento — a primeira noite no Danúbio — não há outro barco, apenas o Rousse singrando silencioso o rio sob o céu estrelado. É a oportunidade ímpar de “ouvir e de entender estrelas”, no insight de Bilac.

O primeiro porto é Bratislava, capital da Eslováquia. Do outro lado, a Hungria. O cais é este aí, bem central.

Foto: Rainer Brockerhoff

Bratislava já teve nome alemão — Pressburg —, fez parte do Reino Húngaro se tornando capital, onde dezenas de reis e imperadores foram coroados — 1536 a 1830 — na tradicional catedral de São Martinho. A ocupação comunista, em 1949, findou com a queda da URSS em 1993, quando da divisão da Tchecoslováquia, surgindo então a República da Eslováquia.

A caminhada até o centro histórico — Staré Mesto — é através de prédios antigos, praças e jardins bem cuidados; partes da antiga muralha, entorno medieval da cidade, estão conservadas e acrescentam um charme a esta cidade nobre. Vê-se aqui cuidadosa restauração e conservação do elegante estilo arquitetônico.

Foto: Rainer Brockerhoff

Bratislava, com 450 mil habitantes, ainda se recupera das mazelas do comunismo. É muito limpa; quarteirões fechados com agradáveis cafés e cervejarias. Singulares e belíssimas esculturas espalhadas pela cidade...

Foto: Rainer Brockerhoff

...algumas incomuns e adoráveis: Foto: Rainer Brockerhoff

O nível de escolaridade é muito bom; por exemplo, Jan, o jovem guia, fala fluentemente cinco idiomas. Por todo lado é visível o florescimento da cultura e das artes. Uma casa antiga se transforma em belo mural:

Foto: Rainer Brockerhoff

Ao longo do Danúbio, até aqui, há 12 eclusas, magníficas obras de engenharia hidráulica. São “elevadores” para navios, quando há um desnível no curso d’água. A eclusa funciona sem necessidade de bombas, aproveitando o próprio peso da água. Ops! Agora mesmo nos aproximamos de uma. Vou voando até o deck, aproveitar o espetáculo inusitado!


Maria Brockerhoff

As Eumênides acreditam, piamente, na sorte do trevo de quatro folhas… regado com suor, garra, técnica e insônia!.
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