dadaísta

um blog sobre arte e desordem

Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos.

De Betty Blue a Donnie Darko: anotações acerca de um cinema esquizofrênico

No cinema, muitos diretores já abordaram o tema da esquizofrenia, de modo poético ou violento. De forma a chocar ou sensibilizar, a doença está presente em filmes fascinantes, em que a pulsão de morte das personagens é explorada até o limite.


Esquizofrenia

Doença mental complexa, caracterizada pela incoerência mental do pensamento, da ação e da afetividade, a personalidade dissociada e a ruptura de contato com o mundo exterior. (Priberam)

No cinema, muitos diretores já abordaram o tema da esquizofrenia, de modo poético ou violento. De forma a chocar ou sensibilizar, a doença está presente em filmes fascinantes, em que a pulsão de morte das personagens é explorada até o limite.

O cinema esquizofrênico é angustiante, aterrorizante, fascinante e visceral. O cinema esquizofrênico é o cinema de grandes obras.

Betty Blue

Betty Blue é um filme em que a loucura da doença é mostrada em todas as suas sombras. Da oscilação de humor cotidiano ao extremo da fúria que se automutila (ela arranca seus próprios olhos), passando pelo vigor sexual, o desequilíbrio de Betty traz à arte do cinema os limites mais arrebatadores e sombrios da doença, da loucura, das emoções. Betty Blue, sobretudo, é um filme de amor.

Donnie Darko

Num filme social, a esquizofrenia em Donnie Darko é uma viagem conceitual a um mundo em que o caos e a iminência da morte cercam a personagem título. Um tema crítico, uma discussão (im)possível e intensa, que transita da ficção científica às psicopatias. Donnie é brilhante, mas sua aversão às pessoas carrega a atmosfera de sua passagem de uma luz assustadora. As características quase caricatas de todas as personagens que circundam Donnie Darko nos remetem o tempo inteiro à viagem supracitada. Ao final do filme, essa cabeça de Donnie nos cospe atordoados. Um dos meus preferidos.

Cisne Negro

Em Cisne Negro, Darren Aronofsky mergulha Natalie Portman num drama hemorrágico acerca dos limites humanos, físicos e emocionais. Um drama em que as aversões da personagem lhe são jogadas na cara o tempo inteiro, provocando conflitos nas suas relações entremundos, o da suavidade e dos afetos versus o mundo sombrio que lhe é desafiador. Nina, a persona, é fraca. Seus limites são facilmente destruídos e a esquizofrenia logo emerge, desintegrando todo seu território.

Psicose

Com Psicose, Hitchcock fez uma das maiores obras do cinema mundial, conferindo à tensão e ao grito o status quo de símbolo, de ícone. Norman Bates, o cara criado sob dominação da mãe, retirado de todo e qualquer convívio social, desenvolve uma relação de objeto com ela, até que funde-se a ela. A teoria dos objetos em forma de arte e esquizofrenia.

Shine, Uma Mente Brilhante e o incrível e poético O Solista são outras obras que carregaram o cinema de histórias e personas de aparente anormalidade, perigos, divisões, conflitos e muito, muito fascínio.

Vamos ao cinema humano?

Notas sobre a esquizofrenia no contexto da psicanálise Esquizofrenia no cinema A representação da esquizofrenia Saúde mental e loucura A doença da mente dividida


Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos..
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