dadaísta

um blog sobre arte e desordem

Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos.

Fotografia: como se chama esse olhar que não tem nome?

É um olhar especial esse que capta a lágrima, a expressão do transeunte, a folha mais bonita no chão de outono, o torcedor mais emocionado na plateia ou o lance mais importante da final do campeonato. É uma reação química, uma experiência, é mais do que técnica ou arte, é indizível. É impossível descrevê-la.


Eu não acredito que qualquer um possa se tornar um grande fotógrafo ou fotógrafa. Lamento, mas não posso acreditar.

bisovsky Susanne Bisovsky

Obviamente, acredito que podemos aprender (quase) todos os ofícios do mundo, acredito em força de vontade, dedicação, muito estudo e treinamento. Mas existe algo na fotografia que ultrapassa a técnica ou a emoção. Trata-se dessa sensibilidade que torna as melhores fotografias o corolário de algo mais significativo que "olhares treinados".

Claudia-Rogge-Lost-in-Paradise-Paradise Claudia Rogge

A habilidade de nos emocionar de uma cena no cinema é fruto de uma alquimia entre bom texto, direção primorosa, música perfeita, fotografia intocável e lógico, de um bom ator, além de todos os demais fatores técnicos. Mas, e na fotografia, em que os principais agentes são o homem e sua geringonça tecnológica? O que desperta sua atenção e, consequentemente, seu click? Ele sabe que vai transmitir ali uma história, mas que história é esta?

helena christensen.jpg Helena Christensen

"Ao fotografar ocorre o abandono do olhar sem ver, do olhar utilitário e automático por nós usado para nos movermos e atuarmos no mundo. Fotografar também impõe um olhar analítico, um olhar selecionador, um olhar julgador e não um olhar distraído." Ivan de Almeida

Ku Klux Klan Anthony Karen’s

O texto supracitado se encontra com as palavras que eu ouvi há alguns dias do Inézio Machado, um fotógrafo jornalístico com mais de 30 anos de experiência:

"O que nos diferencia dos demais é uma inconformidade, uma busca pelo diferente que transforma nossos olhos em lentes, predispostas ao recorte adequado para a transmissão do nosso texto. Escrevemos sem palavras. Um dia desses, eu estava em casa ao meio dia, olhei para o chão, enxerguei uma mamangaba e vi que tinha ali uma fotografia. Isso é do fotógrafo, apenas dele, esse treino PARA a sensibilidade. Às vezes, é mais de uma hora procurando o que vai diferenciar aquela fotografia e, consequentemente, emocionar. Em outras, é uma percepção imediata."

o lugar certo.jpg Matthew Monteith

 Weilun Chong Weilun Chong

Talvez o segredo deste olhar - sem nome - esteja na intimidade com o objeto fotografado ou nas cores do mundo que são diferentes para o fotógrafo. É um olhar especial esse que capta a lágrima, a expressão do transeunte, a folha mais bonita no chão de outono, o torcedor mais emocionado na plateia ou o lance mais importante da final do campeonato. É uma reação química, uma experiência, é mais do que técnica ou arte, é indizível. É impossível descrevê-la.

19 de agosto de 2013 Dia Internacional da Fotografia


Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos..
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