dadaísta

um blog sobre arte e desordem

Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos.

Deixe-se quebrar por Chimamanda Adichie

"Se eu não tivesse crescido na Nigéria e se tudo que eu soubesse sobre a África fosse através de imagens populares, eu também pensaria que a África era um lugar de belas paisagens, lindos animais e pessoas incompreensíveis, lutando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e AIDS, incapazes de falar por si mesmas e à espera por serem salvas por um estrangeiro branco ".


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Chimamanda Adichie é uma contadora de histórias. De muitas e pessoais histórias. A escritora nigeriana descobriu muito cedo sua vocação para lê-las e contá-las. Muito cedo também ela aprendeu que deveria contar histórias diferentes daquelas que lia.

Quando ela começou a escrever, aos 7, escrevia exatamente os tipos de histórias que costumava ler, com personagens brancos, de olhos azuis, que brincavam na neve, comiam maçãs e bebiam cerveja de gengibre. Mas aquela história que ela escrevia não era a sua história, era a história dos seu escritores britânicos. Ao mesmo tempo, para ela, era a única história possível.

Mais tarde, devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye, ela descobriu que meninas com a pele cor de chocolate, e cujos cabelos crespos não poderiam formar rabos-de-cavalo, também podiam existir na literatura. Foi quando começou a escrever sobre as coisas que reconhecia.

"Eu venho de uma família nigeriana convencional, de classe média. Meu pai era professor. Minha mãe, administradora. Então nós tínhamos, como era normal, empregada doméstica, que frequentemente vinha das aldeias rurais próximas. Então, quando eu fiz 8 anos, arranjamos um novo menino para a casa. Seu nome era Fide. A única coisa que minha mãe nos disse sobre ele foi que sua família era muito pobre. Minha mãe enviava inhames, arroz e nossas roupas usadas para sua família. E quando eu não comia tudo no jantar, minha mãe dizia: "Termine sua comida! Você não sabe que pessoas como a família de Fide não tem nada?" Então eu sentia uma enorme pena da família de Fide.

Então, um sábado, nós fomos visitar a sua aldeia e sua mãe nos mostrou um cesto com um padrão lindo, feito de ráfia seca por seu irmão. Eu fiquei atônita! Nunca havia pensado que alguém em sua família pudesse realmente criar alguma coisa. Tudo que eu tinha ouvido sobre eles era como eram pobres, assim havia se tornado impossível pra mim vê-los como alguma coisa além de pobres. Sua pobreza era minha história única sobre eles."

A partir dessa descoberta e das relações de poder intrínsecas à história única, Chimamanda Adichie conta, nesse vídeo abaixo, as suas histórias... de família, política, governos, crises e toda matéria cultural que a tornou o que é.

E é imperdível. Deixe-se quebrar.


Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos..
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