dadaísta

um blog sobre arte e desordem

Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos.

A música e (mais uma série de) suas mulheres extraordinárias

São as vozes femininas que fazem a música ser culto, ser rito e ser transcendente. Nelas, encontramos os sentimentos mais belos e os pactos mais profundos entre letra, música e interpretação.


Há três anos fiz aqui uma lista de grandes sopranos a vozes pequenas, falando sobre meu encanto e paixão pelas vozes femininas da música. Faltaram muitas - como ainda faltarão depois desta nova lista - e talvez nunca encontremos a seleção perfeita, mas toda lista é uma escolha que envolve experiências, gostos e vidas. Essa lista é um recorte das minhas.

Depois de Fiona Apple, Madonna, Callas, Björk, Piaf, Aretha, Etta James, Janis Joplin, Nina Simone, Ella, Patti Smith, Billie Holiday e a menina Amy, outras grandes mulheres serão aqui lembradas. Deixei de fora as cantoras brasileiras, porque essas ganharão sua própria homenagem em breve.

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Multi-instrumentista, arranjadora, compositora, produtora musical, atriz, autora e poeta, ALICIA KEYS começou sua carreira ainda criança, aos quatro anos de idade. Desde os seis, toca piano e, aos quatorze, compôs sua primeira canção. Nascida em New York, cresceu em um bairro popular, criada apenas pela mãe. O pai a abandonou logo cedo. Alicia canta especialmente o amor, mas suas canções falam, sobretudo, do empoderamento feminino. Dançando lindamente entre o R&B, o soul, o jazz, o pop e o rock, Alicia é, indiscutivelmente, a "Princesa do Soul".

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Culta, ativista de direitos humanos e de causas sociais, ANNIE LENNOX é um daqueles grandes artistas que não estampam escandalosas manchetes, mas são sempre citados como referência por outros grandes artistas. Diferente da maioria das grandes mulheres citadas na música, sua vida foi marcada por harmonia, conforto e oportunidades. Annie não teve infância pobre, apanhou dos pais, sofreu com a violência doméstica ou teve problemas com drogas, mas isso não impediu que essas realidades lhe fossem conhecidas e com elas se sensibilizasse. Ativista, escolheu a luta contra a AIDS como causa, e preside a SING, uma instituição de captação de recursos para combate à doença e empoderamento feminino. Suas músicas falam de bons sentimentos, amor e fé.

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BARBRA STREISAND possui um intocável posto de diva romântica. Uma das artistas mais bem sucedidas do mundo, ela carrega consigo histórias de glória como cantora, compositora, atriz, diretora e produtora de cinema. Na Broadway ou nas grandes telas, ela realizou trabalhos memoráveis, que lhe alçaram a um patamar comparado a Frank Sinatra. Com afeição democrata e também ligada às causas sociais e filantrópicas, Barbra criou uma fundação com seu nome que atua em prol do meio ambiente, dos direitos e liberdades civis e do direito das mulheres. Barbra Streisand canta o amor, canta graciosamente o amor.

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Uma coisa ninguém mais contesta: BEYONCÉ é uma das maiores cantoras do mundo na atualidade. Desde que se tornou conhecida, no Destiny's Child, ostenta uma trajetória musical brilhante. Compondo, produzindo, interpretando, dirigindo, dançando ou como mulher de negócios do ramo, a texana sabe muito bem o que fazer com sua carreira. Beyoncé vive a música em casa, no seu cotidiano, desde a infância. Dela, sua música, sai amor, instinto, relacionamentos e empoderamento. Dona de uma música que te tira pra dançar na boate ou no meio da sala, Beyoncé é uma das artistas preferidas no universo gay, pelo carinho que sempre demonstrou pelos homossexuais, em virtude, especialmente, da relação com um tio homossexual. Nas suas palavras, "sua pessoa favorita no mundo todo". Gosto especialmente dessa fase de parcerias com o marido e o feminismo que aparece amadurecendo no seu trabalho. Grande garota.

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Eu amo CHER atriz, em "Minha Mãe é uma Sereia", clássico sessão da tarde dos anos 90. A Deusa do Pop, que arrebenta nos palcos há mais de meio século, faz da sua extravagância natural um harmônico estilo. Com uma vida de mudanças e extremos, pesada, Cher canta o que tem vontade e, do folk ao rock, é respeitada. Muito respeitada. A cada aparição, se reinventa. A deusa também é engajada em causas comunitárias e, em seu currículo, campanhas importantes contra a pobreza, em apoio às vítimas da guerra e na prevenção da AIDS. Além, é claro, de ações voltadas à autonomia e emancipação feminina. Cher, você é muito grande!

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She's So Unusual é meu álbum favorito de CYNDI LAUPER. Incomum, original, baderneira e divertida, ela provoca, desde os anos 80, uma verdadeira catarse de alegria em seus shows. Lauper deu ao pop status de coisa legal, rompendo com os purismos das décadas anteriores. Deliberadamente meio palhaça, a novaiorquina sempre buscou onde pudesse extrapolar sua criatividade. Na música, encontrou o cenário perfeito. Cyndi Lauper foi trilha de todas as festinhas de garagem "meninos de um lado, meninas de outro" da minha adolescência.

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Além da voz que a consagrou como uma das maiores cantoras de todos os tempos, DIANA ROSS sempre foi uma referência absoluta de beleza e elegância no meio artístico. Conhecida por suas fortes amizades, Diana, na ausência da mãe de Michael Jackson, foi incluída em testamento como guardadora dos seus filhos. Ela também homenageou Marvin Gaye com a gravação belíssima de Missing You na sua morte. Embora frequentemente comparada (e criticada) com Billie Holiday, consagrada décadas antes, Diana Ross nunca se importou muito com isso. Alguns envolvimentos com drogas e álcool já lhe causaram problemas e interrupções na carreira, mas não diminuíram sua importância para a música. Música essa que fala de amor, basicamente amor.

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Guitarrista, cantora, artista plástica e ativista, JONI MITCHELL, na história do jazz e do folk dos anos setenta, foi uma das mais importantes personagens. Compositora de letras fortes, românticas e carregadas de causas, ela mita. Joni tem uma das vozes mais bonitas e tocantes que eu já ouvi.

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Essa garota tem uma alegria e uma sensualidade como poucas no palco. Natural, quase etérea, JOSS STONE arrebenta com a gente quando começa a interpretar seu soul colorido e premiadíssimo. Que tesão de mulher!

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Eu sou team LADY GAGA eternamente. Um dos discos mais tocados no meu player dos últimos tempos é Cheek to Cheek, onde interpreta jazz, em duetos incríveis com Tony Bennett. Gosto de Gaga pelo seu autodeboche, por se divertir com o que faz e, especialmente, porque vive ali uma artista incrível, complexa e libertária. Letras maravilhosas e uma genuína vocação para a vanguarda. Gaga! Gaga! Gaga!

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Ah, as vozes roucas das grandes cantoras negras. Ah, a voz rouca de MACY GRAY aos primeiros acordes da inconfundível I Try. Macy, que se tornou cantora quase acidentalmente e que nos anos 2000 descobriu também o cinema, na infância sofria com sua voz e evitava conversar em público. A gente agradece por isso ter mudado e hoje sermos brindados com os blues mais fabulosos. Macy faz música pra trepar, anotaí.

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Vem cá, PJ HARVEY é fascinante, né? Nela convivem tantos artistas diferentes, e ela tem uma energia que é sexual, que é vital, que é densa. Confesso que não gosto tanto de sua voz quanto gosto de sua loucura que explode imoderamente.

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TINA TURNER é uma das mulheres mais fodas no mundo musical. Acho que sua história de resiliência não encontra pares. Vítima de pesada violência doméstica, ela precisou, algumas vezes, parar e se recompor. E quando voltou, foi sempre mais rock'n roll, mais diva e mais rainha. Aos 75 anos, se mantem "The Best!". E com aquelas pernas!

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TORI AMOS me chamou a atenção a primeira vez por causa dos cabelos ruivos, em uma foto de uma moça linda ao piano. Então eu cliquei e descobri uma artista sofisticada, complexa, completa e cheia de cicatrizes. Sua voz soou como um cristal, frágil e nobre, pequena, mas majestosa. Tori mergulha na música com a intensidade de quem vive com ela, de quem não se suporta, de quem transborda. Tori transcende seu próprio gênero. Tori Amos é difícil de entender e, por isso mesmo, ela é foda.

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Quando WHITNEY HOUSTON morreu, em 2012, lembro de ter me sentido genuinamente triste. Não com a dor de quem perde um ídolo ou uma pessoa muito próxima - já falei aqui sobre a minha relação com a morte, mas como quem lamenta o querido, e o lamenta pelo motivo feio, o da violência social. Não foi a única, mas não foi apenas uma estatística engrossada, foi a beleza e o talento escorrendo pelas mãos. Whitney deixou imortalizada uma voz linda e tão cheia de amor. Eu a ouviria pra sempre, mas preferia ouvi-la em vida.

São as vozes femininas que fazem a música ser culto, ser rito e ser transcendente. Nelas, encontramos os sentimentos mais belos e os pactos mais profundos entre letra, música e interpretação. Essa é mais uma parte da minha lista delas.

Leia também o meu primeiro artigo: A música e suas mulheres extraordinárias


Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos..
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