dadaísta

um blog sobre arte e desordem

Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos.

Sorrisos Escondidos

O Vietnam é um dos países mais felizes do mundo, cheio de sorrisos. E o que o fotógrafo francês Réhahn Croquevielle descobriu também, em suas viagens de moto por lá, é que, em uma cultura de modéstia e educação, é também o país dos sorrisos escondidos - e da falta de dentes. Então ele decidiu que esses sorrisos mereciam um olhar sensível e dedicado.


Sorrisos são a porta de entrada do amor e da vida. Eles iluminam, abrem o dia, corrompem, seduzem e transparecem o que a gente tem por dentro. Pelo sorriso, nos apaixonamos. Ou nos assustamos. Ou ambos. Eles são poderosos.

Um tempo atrás, um sorriso sincero me salvou de uma briga de trânsito, em uma situação em que minha desatenção foi a responsável por um "quase acidente". No fim, eu ouvi daquela moça a seguinte e inesquecível frase:

"Com um sorriso lindo desses, eu não consigo te xingar."

Aqui no Brasil, somos conhecidos pelos sorrisos largos e gargalhadas soltas. Há quem estranhe e há quem se encante. O sorriso aberto desarma. O genuíno sorriso aberto desarma.

Mas também existem os sorrisos escondidos, os tímidos, os sorrisos envergonhados, aqueles que só enxergamos pelos olhos.

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E é sobre estes sorrisos que eu quero falar. Eles chegaram a mim através do SPAM da Perestroika.

O fotógrafo francês Réhahn é considerado o 4º dos 10 melhores fotógrafos de viagem do mundo. Se tornou conhecido através das suas fotografias na National Geographic e, desde 2007, ele explora a cultura vietnamita. Em 2014, lançou seu livro Vietnam - Mosaic of Contrasts, com o resultado da sua imersão nessa cultura. Agora, um novo projeto está prestes a se tornar um livro: HIDDEN SMILE.

O Vietnam é um dos países mais felizes do mundo, cheio de sorrisos. E o que Réhahn descobriu também, em suas viagens de moto por lá, é que, em uma cultura de modéstia e educação, é também o país dos sorrisos escondidos - e da falta de dentes. E decidiu que esses sorrisos mereciam uma olhar sensível e dedicado. Na apresentação do projeto, uma síntese perfeita:

"Sorrir é uma maneira global para expressar a emoção. Mas Réhahn se concentra em detalhes que dão importância ao sorriso: as rugas ao redor das pálpebras são os vestígios de vida que deixaram sua marca no corpo. Apesar da pobreza ou da idade, as imagens revelam a vida através dos olhos, mostrando-nos o seu modo de vida, de pensamento, mostrando o seu verdadeiro sorriso escondido."

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Réhahn capta o efeito do sorriso em cada linha do rosto, em cada polegada. Ele capta a emoção através dos olhos, daqueles olhos que sorriem e que eu mencionei ali no começo do texto. E é só olhar para eles que a gente entende.

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Para Réhahn Croquevielle, um sorriso é mais do que meros espasmos musculares e seu projeto Hidden Smile tem como objetivo celebrar as marcas do rosto como gravações de vidas felizes. Ele afirma que o vietnamita é o povo mais positivo e otimista que já conheceu e isso lhe dá uma energia incrível desde que se mudou de vez pra lá, em 2011.

"Feng Shui", segundo ele.

Para sintetizar sua sensibilidade - estou em prantos, ele completa:

"Eu acho que uma boa fotografia é quando você consegue capturar a alma e conhecer sua história através dos olhos. Capturar a emoção não é uma coisa fácil e o tempo é a chave. Passar o tempo com as pessoas sempre me deu as melhores fotos."

Passe todo tempo do mundo com as pessoas, Réhahn. Por favor.


Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos..
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