dadaísta

um blog sobre arte e desordem

Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos.

Autoral, caseira e representativa: a arte erótica contemporânea

Basta abrir o Instagram para se deparar com ilustrações, fotografias, vídeos e poesias eróticas. Autorais, elas são criadas e estreladas por artistas jovens, independentes e que usam a internet como meio de produção e divulgação do seu conteúdo. É linda e provocante, é autêntica e cobiçada, é divertida e produzida ali mesmo, na sala de casa.


Lembram do Hysterical Literature, aquele projeto de 2013 do Clayton Cubitt que filmava atrizes pornô lendo clássicos eróticos enquanto eram estimuladas? Ele foi um dos primeiros representantes dessa nova arte erótica. Nos últimos anos, uma geração - millennials - de ilustradores, fotógrafos, videomakers, performers e cronistas se dedicou a criar conteúdo original sobre o tema.

Mas pra começar, vou falar rapidinho sobre o adjetivo erótico: ele se refere ao que é sensual e libidinoso, mas não explícito. O erotismo exalta o sexo de forma implícita, e se manifesta mais pela estética que pelo ato. Sem emitir juízo de valor ou preocupação exacerbada em diferenciá-lo da pornografia, vou destacar alguns desses jovens artistas, que usam a internet como meio de produção e divulgação do seu conteúdo. É cada trabalho lindo.

1. Entre curvas e setas

No voyeurismo passivo do Instagram, eu encontrei o Alphachanneling Utopian Erotic, que declara que seu trabalho é uma oração devocional para o poder feminino. Ele - sim, é um homem - poderia cair no caricato e se tornar mais um gilipollas vulgar, mas seu trabalho é uma mistura de referências filosóficas, populares e eróticas, e são elas que o tornam tão original. No site é possível comprar seus desenhos - comprei dois.

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2. Mergulho em cores

As pinturas feministas da artista canadense Nadine Faraj se destacam ao transformar imagens sexuais banais em beleza e humanização através da suavidade da aquarela. A força do seu trabalho está em explorar os limites do corpo feminino e a sua propriedade. Eu sou tão apaixonada por ela.

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3. Uma pin-up em tempos de Instagram

No panteão das jovens performers está a fabulosa Sierra McKenzie, que é a criadora e o objeto de sua obra. Você vai reconhecê-la do Tumblr. Como artista independente, freelance model, como se autodenomina, seu trabalho consiste em produzir para vender seu próprio corpo e explorar sua imagem. Embora não exclusivamente, a maior parte do seu conteúdo é altamente fetichista. A artista é linda.

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4. A real porn

No seu XConfessions, a diretora Erika Lust desenvolve uma narrativa alternativa para os filmes eróticos. No projeto, ela capta histórias de sexo de pessoas comuns para produzir curta-metragens independentes, com papéis de gênero questionados e pegada feminista. Por que, apesar do seu conteúdo ser considerado pornográfico, eu a coloco nessa relação? Porque o rigor estético e conceitual de Erika Lust são completamente distintos do universo pornô tradicional e seus filmes são um tesão.

5. Gorda e sexual

Dos quadrinhos contemporâneos, quero destacar o lindo trabalho da americana Sarah Winifred Searle, que, em meio a tantos socos e cenas violentas de ação, surge com um fôlego romântico e erótico. As HQs de Sarah são muito populares no universo das mulheres LGBT e ela mesma já declarou uma afeição especial por elas. Corpos, sexualidades, diversão e representatividade, uma vez que muitas das personagens de Sarah são gordas, como ela. Ela queria se reconhecer. Eu adorei esse trabalho.

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Ao clicar em discover, em todas as redes sociais e plataformas de conteúdo encontramos novos trabalhos, alguns já reconhecidos e outros incipientes. Mas ela está lá pulsante e, assim como nos demais segmentos, a arte erótica veio se consolidando como conteúdo legítimo e consumido por todos. Representativa, viva!


Cátia Andressa da Silva

Fala muitos palavrões, os amigos dizem que é indecente, mas também a chamam de feminista, de nerd, dizem que é inteligente e essas coisas todas e tal… Estudou história e ciências sociais e já fez cursos de culinária e maquiagem de circo. Trabalha blogando e com o que chamam por aí de Social Media. Rouba canetas e coleciona afetos..
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