Carolina Carettin

Jornalista e bailarina. Já quis ser muita coisa. Aí decidiu deixar acontecer.

O rock psicodélico dos Mutantes

Psicodelia, teclados e guitarras alucinantes marcaram a música da banda brasileira formada por Rita, Arnaldo e Sérgio.


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Todo mundano que gosta de boa música sabe Os Mutantes foram uma das ou a mais original das bandas de rock brasileiras. Formada por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, misturava um som anárquico e psicodélico, com música erudita, samba e distorções na guitarra. A banda com sua formação mais conhecida só apareceu depois que os irmãos Arnaldo (baixo e teclado) e Sérgio (guitarra) Baptista formaram a Wooden Faces, sem sucesso, em 1964. Ainda demorou para o nome Os Mutantes aparecer. Veio depois de Six Sided Rockers e O Konjunto. Em 1966, o grupo passou a aparecer em programas populares. Foi assim que receberam um convite para contribuir no arranjo de uma canção de Gilberto Gil, para o Festival da TV Record. O evento abriu as portas para o primeiro compacto, O Relógio de 1967, e a participação do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis, do ano seguinte. O ano de 1968 foi o ponto de partida para transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais. Era o marco dos movimentos feministas, ecológicos, ONGs, defensores das minorias. Havia ainda a rejeição à manipulação midiática da opinião pública. Também foi o ano de lançamento do primeiro LP dos Mutantes. Um ano alucinante, girando como um caleidoscópio. Junto com o LP da banda brasileira, o mundo recebia o "White Album" dos Beatles, com Dear Prudence e Helter Skelter.

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O segundo disco veio mostrando evolução musical. O grupo viajou para o exterior, onde chegaram a se apresentar na televisão francesa.

Depois vieram A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970) e Jardim Elétrico (1971). Paralelamente, Rita Lee gravava discos solos, o que alimentava rumores sobre sua saída da banda. Depois da gravação de Mutantes e seus cometas no país do Baurets (1972), o fato se consumou. Rita se firmou na MPB. Arnaldo Baptista continuou com os Mutantes por mais um disco, depois seguiu carreira solo. Sérgio Dias tentou levar a banda para frente, sem muito sucesso. Foram lançados Tudo foi feito pelo Sol (1974) e Ao Vivo (1976). Em 1992, Os Mutantes voltaram a ser notícia. O grupo voltara para uma gravação. Sérgio Dias tocou em alguns discos solo de Rita Lee nos anos 70 e 80, onde o público chamava por Arnaldo. No mesmo ano, a PolyGram relançou o "O A e o Z", gravado em 1973. Em 2006, foram homenageados na Tropicália - A Rrevolution in Brazilian Culture, em Londres. A formação dos Mutantes era Arnaldo Baptista, Sérgio Dias, Dinho Leme e Zélia Duncan, substituindo Rita Lee nos vocais. No ano seguinte, Zélia e Arnaldo deixaram a banda. Sérgio e Dinho Leme continuaram com a banda, agora com Bia Mendes no vocais.

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Porém, Os Mutantes originais não podem ser substituídos. Não há a possibilidade da banda se aproximar ao que era na década de 60 e 70. É como dizer que o Queen sem Freddie Mercury é o mesmo Queen com Freddie. E nenhuma outra banda poderá marcar dessa forma a música brasileira.


Carolina Carettin

Jornalista e bailarina. Já quis ser muita coisa. Aí decidiu deixar acontecer..
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