Carolina Carettin

Jornalista e bailarina. Já quis ser muita coisa. Aí decidiu deixar acontecer.

Live aid e o dia do rock

O festival que deu ao dia 13 de julho o título de Dia do Rock e mudou a concepção de solidariedade em escala global.


live-aid.jpg No dia 13 de julho de 1985, artistas participaram do Live Aid, sob organização de Bob Geldof (Pink Floyd - The Wall), um show simultâneo em Londres e na Filadélfia. Nessa época o Muro de Berlim ainda existia, a Alemanha estava dividida ao meio e a AIDS não tinha a importância que tem hoje. Tudo mudou e o Live Aid contribuiu para a disseminação da solidariedade em larga escala e chamou atenção para tragédias humanitárias. Cerca de dois bilhões de pessoas se envolveram com o festival, que conseguiu arrecadar milhões para os famintos da África. O objetivo principal era combater a fome na Etiópia.

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É considerada uma das maiores transmissões de TV já feitas, porém o organizador Bob Geldof prometeu aos artistas que não haveria jeito de assistir ao festival por uma segunda vez, seria uma experiência única. Assim, quase nada foi gravado. A BBC fez a transmissão ao vivo para diversos países, mas apenas 72 mil pessoas foram sortudas de estar em Wembley. Organizado em apenas 19 semanas, o Live Aid contou com a participação de bandas como o The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting,Scorpions, U2, Paul McCartney, Phill Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath. spandau ballet.jpgSpandau Ballet

Na teoria, um concerto solidário global com Bob Dylan, Elton John, The Rolling Stones e um Beatle deveria ter acontecido em 1970, não na egoísta década de 80. Vivia-se a Era Reagan/Thatcher, onde a intolerância política reinava e as forças do mercado determinavam tudo. Nesse contexto, o Live Aid parecia ser positivamente contrário. Assim, Bob Geldof dasafiou a primeira-ministra Margareth Thatcher, ao fazer uma reavaliação do governo britânico. No livro “Anos 80: Um dia, uma década” (tradução livre – “The Eighties: One Day, One Decade”), Dylan Jones, um dos sortudos que estava em Wembley, conta como eram os bastidores; do empresário que queria falar com a Nasa para enviar Mick Jagger ao espaço a Stevie Wonder recusando-se a ser o “artista negro”.

“Naquele dia, sábado 13 de julho de 1985, todo mundo acordou com o mesmo propósito em mente. Não importava o que você estava fazendo, você sabia onde estaria. Por meses não se falava de outra coisa. ‘Todo mundo tem uma experiência em comum com isso, todos se lembram onde estavam e como se sentiram’, disse a autora da saga Harry Potter, J.K. Rowling. ‘É como um pino onde você pendura todas as suas outras memórias’.”

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Enquanto 72 mil pessoas estavam em Wembley, 90 mil participavam do evento na Filadélfia, com mais de 2 bilhões de pessoas assistindo no mundo todo 500 milhões de TVs, via 14 satélites. A princesa Diana também compareceu, ao lado do príncipe Charles, e deu trabalho ao fotógrafo David Bailey, convidado para fotografar os bastidores. Em um estúdio improvisado, Diana teria escolhido um penteado que parecia uma peruca e não teve uma postura muito agradável. Antes de subir ao palco, Bono (U2) tinha tido um dia extraordinário. “Freddie (Mercury) me puxou de lado e perguntou ‘Oh, Bono. É Bo-no ou Bon-O?’”. Já David Bowie tinha a ideia de se apresentar junto com Mick Jagger, explorando o atraso de meio segundo entre Wembley e a Filadélfia. Depois de alguns contra-tempos, isso não aconteceu. O plano B envolvia um foguete, onde um deles iria ao espaço na Space Shuttle cantando com o outro que estaria na Terra. O organizador Harvey Goldsmith ligou para a Nasa para saber se seria possível mandar Mick Jagger para o espaço. A presença do Beatle Paul McCartney também foi um marco, já que ele não se apresentava desde a morte de John Lennon.

live-aid-concert-wembley-stadium.jpgBono, Paul McCartney e Freddie Mercury

A ideia de ajudar a Etiópia apareceu em novembro de 1984, quando Geldof viu uma reportagem na BBC. Como sabia que sozinho não conseguiria fazer nada, pediu ajuda a Midge Ure, dos Ultravox, e juntos escreveram "Do They Know It's Christmas?". Depois de marcar entrevista com Richard Skinner, da BBC Radio 1, Geldof publicitou a ideia de editar um single de caridade. Assim, formou-se o grupo Band Aid, formado por: Adam Clayton (U2), Phil Collins (Genesis), Bob Geldof (The Boomtown Rats), Steve Norman (Spandau Ballet), Chris Cross (Ultravox), John Taylor (Duran Duran), Paul Young, Tony Hadley (Spandau Ballet), Glenn Gregory (Heaven 17), Simon Le Bon (Duran Duran), Simon Crowe (The Boomtown Rats), Marilyn, Keren Woodward (Bananarama), Martin Kemp (Spandau Ballet), Jody Watley (Shalamar), Bono (U2), Paul Weller (The Style Council), James "J.T." Taylor (Kool & the Gang), George Michael (Wham!), Midge Ure (Ultravox), Martyn Ware (Heaven 17), John Keeble (Spandau Ballet), Gary Kemp (Spandau Ballet), Roger Taylor (Duran Duran), Sara Dallin (Bananarama), Siobhan Fahey (Bananarama), Pete Briquette (The Boomtown Rats), Francis Rossi (Status Quo), Robert 'Kool' Bell (Kool & the Gang), Dennis J. T. Thomas (Kool & the Gang), Andy Taylor (Duran Duran), Jon Moss (Culture Club), Sting (The Police), Rick Parfitt (Status Quo), Nick Rhodes (Duran Duran), Johnny Fingers (The Boomtown Rats), David Bowie, Paul Stanley (Kiss), Roger Daltrey (The Who), Steven Tyler (Aerosmith), Michael Jackson, Boy George (Culture Club), Holly Johnson (Frankie Goes to Hollywood), Paul McCartney, Stuart Adamson (Big Country), Bruce Watson (Big Country), Tony Butler (Big Country), Mark Brzezicki (Big Country). O single foi editado para antes do Natal e passou a ser o mais vendido da história do Reino Unido.

madonna.jpgMadonna

Vinte anos depois, em julho de 2005, organizou-se o Live 8, uma série de show que aconteceram nos países integrantes do G8. No evento, a banda britânica Pink Floyd se reuniu, depois de vinte anos de separação. Depois de tanto tempo, o objetivo era um pouco diferente: pressionar os líderes mundiais para perdoar a dívida externa das nações mais pobres do mundo, negociando regras de comércio mais justas.

Desde então, o dia 13 de julho passou a ser considerado o Dia Internacional do Rock.


Carolina Carettin

Jornalista e bailarina. Já quis ser muita coisa. Aí decidiu deixar acontecer..
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