Carolina Carettin

É jornalista, interessada em cultura. Tira algumas fotos de vez em quando.

Um rapaz do interior

O ararense Phillip Long já tem seis discos lançados, grava seu sétimo trabalho e garante seu lugar no novo cenário musical brasileiro


DSC00259 yahoo.jpgFoto: Oscar Neto

Natural de Araras, interior de São Paulo, Phillip Long aprendeu a tocar violão depois de ir para a Bahia, aos quinze anos. Sentindo o grande choque cultural, o garoto ararense encontrou na música a terapia para encarar sua nova vida. Sobre voltar para a cidade paulista, Phillip afirma ser obra do destino. “Foi preciso. Algumas coisas acontecem porque o universo quer. Eu tive que gravar aqui e voltar foi muito bom”, afirmou.

Em 2011, Long lançou seu primeiro álbum “Man on the tightrope” e foi considerado uma das revelações do folk no país. Depois, em 2012, vieram “Caiçara”, “Dancing with fire (a folk opera)”, “Atlas” e “Sobre Estar Vivo”, este último em português. Em apenas três anos, Phill lançou seis álbuns. Segundo ele, o processo de criação é completamente introspectivo. “A música é como uma terapia para mim. Como eu não sei inventar histórias, então escrevo sobre o que acontece comigo”, disse.

DSC00257 yoy.jpgFoto: Oscar Neto

Se você, como eu, acha impossível lançar seis álbuns em três anos, saiba que nem todos eles existem fisicamente. Somente os dois primeiros foram prensados, os outros quatro são virtuais e estão disponíveis gratuitamente no site A Musicoteca. A decisão de lançar somente no mundo digital foi natural para Phillip. “O poder do virtual é que é de graça e tem um alcance maior. E você ainda dá a chance do público escolher entre comprar seu cd físico ou consumi-lo de graça”.

Seu último álbum é exemplo de que a internet nos oferece muita música de qualidade e de graça. “Gratitude” é, segundo Phill, uma ode ao amor. “Agradeço por tudo o que me acontece, porque eu componho a partir do que acontece em minha vida”. O álbum conta com participações de peso, como Scott Thunes, baixista de Frank Zappa nos anos 80, que gravou os baixos de duas faixas: Far On A Distant Field e While The Flowers Grow In May. “O Eduardo (Kusdra, arranjador) tinha entrado em contato com o Scott para saber se ele estava interessado em gravar um dos projetos em que ele trabalhava na época. O cara demorou mais de um ano pra responder e, quando aconteceu, coincidiu dele estar trabalhando com “Gratitude”, então foi muito legal”. Outra participação importante foi a de Maguinho Alcântara, que já trabalhou com grandes nomes como Chico Buarque, Gal Costa e Djavan. “O Maguinho é um exemplo do respeito que ganhei dentro da cena artística”, afirmou.

DSC00252 yey.jpgFoto: Oscar Neto

O folk de Phillip lembra muito o som do grande Bob Dylan, o qual o músico considera ser seu mentor. “Além dele, o Nick Drake me atinge bastante musicalmente”, diz.

A simplicidade e a profundidade marcam o trabalho de Long. Fique com uma de minhas preferidas de “Gratitude”:


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