Carolina Carettin

É jornalista, interessada em cultura. Tira algumas fotos de vez em quando.

retratos do U2

Um guia do novo álbum da banda, "Songs of Innocence".


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O U2 lançou, de surpresa, seu novo álbum "Songs of Innocence" na última terça-feira, dia 9. O lançamento aconteceu em evento da Apple e o disco foi disponibilizado gratuitamente no iTunes. O último álbum de Bono e sua trupe, "No Line On The Horizon" saiu em 2009 e os fãs estavam aguardando ansiosamente pela volta do quarteto irlandês. Aí vai um guia track by track de "Songs" e, no final, motivos para você ouvir o disco:

Faixa 1: "The Miracle (of Joey Ramone)" - Bono e The Edge

Produção: Danger Mouse, Paul Epworth and Ryan Tedder tumblr_lkyqumEWz01qaohfso1_500_large.jpg "I was young, not dumb, just wishing to be blinded by you, brand new and we were pilgrims on our way."

A primeira música nos leva de volta para os anos 70, quando os membros do U2 ainda eram adolescentes em Dublin e tinham acabado de descobrir os Ramones. O primeiro single do álbum começa com um coro de "OH OH OH" e a guitarra inconfundível de Edge. Música com refrão chiclete e com cara de "Mysterious Ways".

Faixa 2: "Every Breaking Wave" - Bono e The Edge

Produção: Danger Mouse and Ryan Tedder

"Wave" já começa com jeito de balada e introduz o outro lado do álbum: problemas da idade adulta. Tido como um registro pessoal e íntimo da banda, "Songs of Innocence" vai mesclar momentos da juventude da banda - muitas vezes do próprio Bono - com questões que afligem todo mundo: um relacionamento, distrações. A faixa já era cotada para estar em "Songs of Ascent", que acabou não saindo. Depois de ajustes no refrão e em alguns versos, "Wave" aparece na segunda faixa do novo álbum.

Faixa 3: "California (There Is No End to Love)" - Bono e The Edge

Produção: Declan Gaffney, Paul Epworth and Danger Mouse Bono & Edge 1989 Rome.jpg "California, blood orange sunset brings you to your knees."

Outra "homenagem" da banda a um ídolo: Beach Boys. Os vocais no início da música tornam a referência clara. "California" é sobre a primeira viagem do U2 à Califórnia, nos anos 80. Dá pra ouvir essa quando estiver indo para a praia aproveitar o verão.

Faixa 4: "Song for Someone" - Bono e The Edge

Produção: Ryan Tedder and Flood bono.gif "If there is a kiss I stole from your mouth."

Uma música para os apaixonados de plantão. O "someone" de Bono é sua esposa, Ali, que conheceu quando tinha apenas 13 anos. Com guitarras acústicas, talvez seja uma das músicas que mais gostei nesse álbum.

Faixa 5: "Iris (Hold Me Close)" - Bono e The Edge

Produção: Paul Epworth and Ryan Tedder

Bono já cantou outras vezes sobre sua mãe e todos os sentimentos que a perda envolve: raiva, negação, dor. Mas essa é a primeira vez que o nome dela aparece já no título, deixando claro que trata-se de uma música para ela. Iris faleceu após sofrer um AVC durante o velório do avô de Bono. "I Will Follow", "Tomorrow" e "MOFO" já cantavam a perda de Bono, porém agora um homem de meia-idade fala sobre uma perda de décadas atrás e de como isso moldou sua vida. As guitarras lembram - pelo menos para mim - "City of Blinding Lights". A faixa mais emocional do disco.

Faixa 6: "Volcano" - Bono e The Edge

Produção: Declan Gaffney Bono1986_0001.jpg "You're on a piece of ground above a volcano."

O baixo de Adam Clayton toca a introdução de "Volcano", pontuada depois pela guitarra de Edge. Para a Rolling Stone, a música poderia ser sobre um Paul Hewson (Bono) jovem e raivoso, lutando com a morte de sua mãe.

Faixa 7: "Raised by Wolves" - Bono e The Edge

Produção: Declan Gaffney and Danger Mouse

Mais uma faixa que apresenta uma história da juventude do U2. Essa conta a história de um carro-bomba que explodiu próximo a casa de Bono, em Dublin. "Raised" retoma o som dos primeiros álbuns do U2 e é a única canção com cunho político do disco.

Faixa 8: "Cedarwood Road" - Bono e The Edge

Produção: Danger Mouse and Paul Epworth 988418708-bono_family.jpg "You can't return to where you never left." (Bono e sua família)

Bono cresceu no número 10 da Cedarwood Road, zona norte de Dublin, ao lado de seus amigos Guggi Rowan e Gavin Friday. "Cedarwood" é dedicada a Rowan, com quem ele ainda mantém contato.

Faixa 9: "Sleep Like a Baby Tonight" - Bono e The Edge

Produção: Danger Mouse

Cheia de teclados e com solos de guitarra muito bons, "Sleep" nos leva de volta a Achtung Baby, de 1991. Uma faixa com tom que assombra.

Faixa 10: "This Is Where You Can Reach Me" - Bono e The Edge

Produção: Danger Mouse imagesCAK4CTN7.jpg

A penúltima faixa do álbum é inspirada em um show do Clash que os integrantes da banda assistiram em 1977. "This" foi mencionada em fevereiro numa entrevista para o L.A. Times.

Faixa 11: "The Troubles" - Bono e The Edge

Produção: Danger Mouse

"The Troubles" era para ser mais uma canção sobre a situação política da Irlanda do Norte, mas acabou se transformando em como o vocalista superou seus problemas e receios pessoais. A última faixa traz a participação de Lykke Li, que canta o refrão ("Somebody stepped inside your soul/Little by little they robbed and stole/Till someone else was in control) sozinha. Me lembrou um pouco - bem de longe - "Moment of Surrender", do último disco. Tem cara de música de fim de álbum, que deixa um "quero mais" no ar.

Por que ouvir e gostar de "Songs of Innocence" U2-Songs-of-Innocence-2014-Pack-1200x2100.png Em 2009 ou 2010, quando ouvi o álbum "No Line On The Horizon" pensei "O que aconteceu aqui?". Era um U2 diferente, sem músicas que você ouvisse e dissesse "É o U2!". Mesmo não achando que era um dos melhores álbuns, gostei de algumas músicas e fui ao show da turnê 360º, até porque não perderia por nada!

Cinco anos depois, surpreendendo todo mundo, o U2 lança "Songs of Innocence". Uma prévia do que viria pôde ser ouvida com "Invisible", lançada para a campanha RED. Em "Songs" todas as músicas me lembram algum momento do U2. Não é aquela sensação de já-ouvi-isso-antes, mas parece que a alma da banda está ali. Talvez por ser um álbum pessoal e todas as canções terem uma pequena história, isso torne o disco mais próximo do público.

Para mim, um dos melhores trabalhos do U2. Valeu a pena esperar.

Com informações da Rolling Stone


Carolina Carettin

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