de dentro da cartola

Entre um sacudir e outro: a palavra

Giseli Betsy

Meu instrumento é a palavra. Minha maior motivação é o desafio.

Duane Michals: O fotógrafo que se reinventou

Duane Michals é um jovem senhor de 81 anos de idade e um dos mais importantes fotógrafos americanos. Ele inspirou gerações de diversos fotógrafos, apresentando séries de imagens que em sequência contam histórias. Textos escritos à mão são adicionados às suas fotografias. Nessas narrativas ele (re) constrói paisagens intangíveis de temas como: o desejo – e nossa relação com ele, e ainda, amor, morte e imortalidade.


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Um dos mestres da fotografia americana, o autodidata Duane Michals (1932). Ele faz uso de jogos de espelhos, suas foto-sequências desafiam o espectador. Por ser inovador em sua maneira de fotografar, Michals ganhou fama e reconhecimento internacional.

Michals chegou a começar o curso de design gráfico, mas antes que pudesse concluí-lo, se apaixonou pela fotografia. Trabalhou em revistas de moda como Esquire e Vogue por pouco tempo, pois logo se tornou um artista muito requisitado.

Destacou-se muito, principalmente pela sua maneira original de fotografar, excedendo as limitações da imagem única.

“Não estava satisfeito com a imagem individual por que não conseguia submetê-la a uma descoberta adicional. Na sequência, a soma de imagens indica o que não pode ser dito por uma única fotografia."

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Ao contrário de fotografar o externo, Michals virou a câmara, tentando mostrar seu interior, ou seja, seus próprios sentimentos desde sonhos e desejos até medos e angústias.

Na década de 1960, Michals compõe a série de retratos de René Magritte, está que é considerada por muitos o apogeu de sua obra. Pois, na concepção dos críticos de arte, o fotógrafo conseguiu compreender não só a pessoa de Magritte, mas também as suas ideias artísticas, e o seu estilo.

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Já no final da década de 60 e início dos anos 70 introduz nomes e textos escritos à mão em suas imagens, tornando-se o primeiro fotógrafo a fazê-lo.

O homem azarado não podia tocar aquele que amava. Havia sido declarado ilegal pela lei. Vagarosamente, seus dedos da mão tornaram-se dedos do pé e suas mãos gradativamente tornaram-se pés. Ele começou a usar sapatos em suas mãos para disfarçar sua dor. Nunca ocorreu para ele quebrar a lei.

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“Eu sou um escritor de contos. A maioria dos fotógrafos são repórteres. “Eu sou uma laranja – eles são maçãs.”

Suas obras são impactantes, quase surrealistas, também pudera, Duane Michals foi influenciado por artistas como Magritte e Balthus. Nessa mistura de surrealismo e realização concreta de seu imaginário, suas fotografias são convites para tentarmos decifrá-las. Já que além de um primeiro significado rudimentar, ela nos abre uma rede de outras possibilidades.

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A partir do momento que seus sentimentos deixam de ser ocultos, suas fotografias assustam e encantam, pela perspicácia com que materializa suas inquietações.

Duane Michals já foi comparado a um contador de histórias, um contista que escreve seus contos visualmente. Todavia, suas foto-sequências não trazem grandes narrativas, mas acontecimentos misteriosos, aprofundando suas histórias visuais, aliando imagens e palavras com o propósito de chamar a atenção para um olhar mais atento.

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Nesses dois trabalhos acima, Michals não poderia ser mais direto: eles se chamam “A parte mais bonita do corpo da mulher” e “A parte mais bonita do corpo do homem” – isso, claro, segundo o artista. “Nos sonhos mais antigos dos homens, os seios das mulheres persistem mesmo por muito tempo depois que seus desejos tornaram-se poeira”, escreve ele, em sua caligrafia hesitante, sobre o detalhe do corpo feminino. Sobre a cintura masculina, ele ressalta suas “curvas gêmeas delineadoras, femininas em sua graça, ‘sulcando’ o tronco, guiando os olhos para baixo, rumo sua intersecção – o ponto do prazer”.

Michals tem mais de vinte publicações no mercado, tendo realizado exposições em países como França, Inglaterra e Estados Unidos,ganhou inúmeros prêmios ao longo da sua carreira.

Trailer do filme Duane Michals, The Man Who Invented Himself, dirigido por Camille Guichard é sugestão imperdível para conhecer melhor as histórias por trás das narrativas visuais do fotógrafo:


Giseli Betsy

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