de dentro da cartola

Entre um sacudir e outro: a palavra

Giseli Betsy

Meu instrumento é a palavra. Minha maior motivação é o desafio.

It-boy-girl, androginia e o que mais?

Não é uma questão de explicar que a androginia é diferente de hermafroditismo e homoafetividade, categorias homem/mulher e masculino/feminino não são estáveis – elas são tão fixas quanto um corte de cabelo. Andróginos existem para nos mostrar o quanto podemos errar quando rotulamos pelo que é visível, já que suas características físicas nos levam a duvidar de nossa capacidade de classificação.


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Vivemos em um mundo heteronormativo onde pessoas são separadas em dois grupos: ou são homens ou são mulheres – e toda nossa vida é construída com esse pressuposto: a linguagem, banheiros, mercado de roupas e até mesmo o de brinquedos, e assim as coisas foram separadas na nossa cabeça. Contudo, andróginos desafiam isso.

Andrej Pejic famoso por seu lado ambíguo e dono de um rosto que não passa em absoluto despercebido, este modelo bósnio nascido em 28 de Agosto de 1991, transformou-se na autêntica revelação das passarelas personificando o modelo andrógeno perfeito, de tal forma que desfilou tanto para coleções masculinas como femininas.

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No começo desse ano anunciou que passou por uma cirurgia de sexo, além de mudar seu nome para Andreja, que em entrevista declarou "Sempre sonhei em ser uma menina. Uma das minhas primeiras memórias tem a ver com uma saia da minha mãe e eu tentando me parecer com uma bailarina. Estava orgulhoso da minha carreira, mas o meu maior sonho era estar confortável com o meu próprio corpo”.

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A francesa Casey Legler aos 36 anos, é a primeira mulher contratada pela divisão masculina da agência Ford Models. Foi com esse visual andrógino que Casey posou nua, sob as lentes de Mario Testino. Casey chegou a integrar a equipe olímpica da França nos Jogos de Atlanta, em 1996.

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Estes são alguns nomes que encontramos com grande destaque sobre o estilo de vida, aparência e como a androginia está relacionada à moda. Mas o que será que ela representa para quem a vive na pele, seja por fazer parte da essência ou por ter um desejo inato.

Andrej e Casey.jpg Andrej e Casey

Na psicologia, o termo androgenia é usado para relatar um transtorno de identidade de gênero, no qual o indivíduo não se reconhece como homem nem como mulher, mas como o conjunto dos dois.

Em literatura, no livro “O Banquete”, de Platão, o andrógino é uma criatura feita com a combinação de duas partes que se completam, com uma forma peculiar de beleza: a da completude, do todo indissociável.

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Quando se tem uma identidade de gênero diferente da inferida pela sociedade esta pode causar desconforto, já que o indivíduo pode preferir ser chamado de pronomes masculinos e o tratarem por pronomes femininos e vice-versa. Só porque alguém foge ao padrão tido como normal para a sociedade, a grande maioria não sabe se dirigir a eles. Não encontram palavras a disposição e tampouco conseguem formular construções de linguagem neutras. Por vezes os andróginos precisam se posicionar e dizer como querem ser chamados.

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Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência. Portanto respeite a identidade e pergunte por qual pronome a pessoa deseja ser chamada. Não se trata de uma pergunta sem fundamento, mostra a quem você faz tal questionamento que o respeita.

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Muitos andróginos usam e abusam de adereços femininos, no caso de homens, ou masculinos, no caso de mulheres, para destacar a dualidade. São constantemente vistos como homossexuais ou bissexuais. Mesmo que a androginia pode estar ligada a um caráter do comportamento e da aparência individual ou mesmo sua condição sexual psicológica, nada tendo a ver com a orientação sexual. Desse modo, pessoas andróginas podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais, assexuais.

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Para muitos só existem dois gêneros: masculino e feminino. Onde os homens usam roupas para “eles” e mulheres para “elas”. Mas e quando você quer ser um pouquinho de cada? Nem que seja na maneira de se vestir. Por que não? Existe um mundo com diferentes modos de enxergar e viver a vida, onde o que realmente importa, é o que te faz feliz.


Giseli Betsy

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