de dentro da cartola

Entre um sacudir e outro: a palavra

Giseli Betsy

Meu instrumento é a palavra. Minha maior motivação é o desafio.

Um bem definitivo: Sophia de Mello Breyner Andresen

Seus poemas são bem intencionados, nota-se em sua poesia que o bom e o belo difundem-se. A ética sempre esteve presente em sua obra, relacionado a sua atitude diante do mundo. Apreciadora da natureza lugar no qual encontra inspiração para construir um universo mais harmonioso. Não conseguia outra maneira de viver senão com o mar, a luz, rios, flores e jardins, coisas tão importantes para ela. E assim marca a historia e a cultura contemporânea portuguesa.


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Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 — 2004) foi condecorada três vezes pela República Portuguesa, sendo a primeira mulher de seu país a receber o mais importante reconhecimento literário da língua portuguesa, o Prêmio Camões, em 1999. Em 2001 recebeu o Prémio Max Jacob Étranger, que, pela primeira vez, elegeu um autor não francês. Este prêmio surgiu na sequência da publicação de uma antologia de poemas seus, na França, intitulada "Malgré les ruines et la mort".

Sophia apresenta-nos uma poesia muito próxima à realidade do mundo, para ela a poesia é a “arte mágica do ser” e o poeta, o “pastor do Absoluto”, “o sacerdote” que recusa o isolamento de qualquer “torre de marfim” e se compromete com o “sofrimento do Mundo”. Exalta a verdade antiga do existente como manifestação divina. Muitos de seus poemas cultivam temas da Antiguidade Clássica; lugares míticos, obras de arte gregas, deuses da mitologia pagã. Alimenta reminiscências de uma realidade nova baseada nos princípios da verdade, justiça e igualdade.

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Sophia de Mello Breyner Andresen é um dos nomes mais representativos da poesia portuguesa. Dotada de uma sensibilidade aguçada pela família, através do contato desde muito cedo com autores portugueses e dinamarqueses. Autora de catorze livros de poesia, publicados entre 1944 e 1997, escreveu também contos, histórias para crianças, artigos, ensaios e teatro. Fez traduções de Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante para o francês e, alguns poetas portugueses.

Em seus poemas existem uma metamorfose da realidade que habita o real e o divino. Suas palavras usam sensações da natureza para transformar o universo real num universo mais harmonioso; Com uma linguagem poética quase translúcida e íntima.

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A poetisa procura, acima de tudo, a clareza, o universo aprazível, nota-se em suas obras uma enorme ligação entre os homens, à natureza e as coisas. Em seus poemas as palavras são dotadas de uma função mágica (mar, brilho, luar, deuses, sonho) conotada de diversos significados, uma união com aquilo que há de mais evidente e genuíno.

Exaltação lírica: dor, loucura, desilusão pela ausência do ser amado. As palavras em Sophia possuem encanto, sedução e afetividade. Revelam desejos e, sobretudo, a procura da verdade e da plenitude. Utilizando-se dos quatro elementos primordiais - terra, água, ar e fogo. Nesta aposta Sophia busca: a beleza poética e o contentamento de celebrar a vida e tudo o que existe como revelação do pleno.

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Buscava refugio na poesia e na natureza, no amor e na imaginação. Conseguia associar o que havia de mais puro e primitivo, numa ânsia de unir o presente ao sonho.

Segundo Sophia as cidades são espaços de muitos conflitos e desencontros, cheia de mentiras e máscaras sem nenhuma verdade plausível. Por isso recorria a lugares afastados com jardins e de preferencia junto ao mar.

Encontra-se também em sua obra uma ideologia humanista, uma literatura de interesse social e político, denúncias das injustiças e da opressão. Manifestações frequentes contra o que denomina como “tempo dividido”: de solidão e incerteza, de medo e traição, de injustiça e mentira, de corrupção e escravidão. E assim materializa um ideal de nação e mundo.

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Sophia era militante antissalazarista e chegou a ser deputada pelo Partido Socialista Português depois da Revolução dos Cravos. Apesar de jamais ter deixado de lado um olhar analítico e atento nos últimos anos de vida resolveu afastar-se da política admitindo “certa desilusão” e em 1979 desligou-se totalmente do PS. O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014.

“Por que os outros calam, mas tu não.”


Giseli Betsy

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