Jocê Rodrigues

Escritor e editor

ZERO (a postscript to the anarchist cookbook)

Depois de ser apresentado no Festival de Teatro de Curitiba, o espetáculo ZERO (única peça em inglês do festival), virá para curtíssima temporada em São Paulo.


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No palco apenas o ator americano Brian Townes e uma gama de revoluções internas. A combustão humana espontânea que gera movimento, a ação disparada pela epifania que, por sua vez, dispara nos receptores possibilidades de vivências estéticas ligadas ao incosciente.

Única peça em ingês do FTC, ZERO trabalha com pulsões que perpassam a condição humana para além do convencional, movimentando-se como um impulso ao novo, a formas ainda inominadas de experimentar uma reversibilidade fenomenológica que produza distintas formas de recepção e percepção da obra.

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A atuação de Townes, que possui uma vasta experiência teatral – Master of Fine Arts em interpretação pela Southern Methodist University e Bachelor of Arts em artes teatrais pela ST. Edward’s University –, com esse monólogo solidifica a qualidade da parceria entre ator e diretor.

A peça foi escrita por Don Correa, responsável também pela sua direção. O jovem dramaturgo é graduado em Drama pela Tshwane University – Pretória, África do Sul, e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Além de dirigir a FALA companhia de Teatro, entre outros trabalhos, foi assistente de direção da peça Haikai, de Roberto Alvim, que teve sua estreia também no festival de Curitiba. Don também é autor da intensa peça Parido (também com a participação de Brian no elenco), obra fundante que trabalha com a criação de uma nova mitologia, de uma outra possibilidade de humanidade – uma resposta criativa à proposta de uma dramática do transumano criada por Roberto Alvim.

P1000346.jpg O diretor e dramaturgo Don Correa e o ator Brian Townes

Segundo o diretor, o importante não é o nível de domínio que o espectador tenha sobre a língua estrangeira, mas sim a experiência singular que a peça pode oferecer a ele. Não há uma trama (um mythos que opere como um fio de Ariadne a conduzir o público). Ao invés disso, a voz. Uma voz anônima que não esclarece o resultado de um acontecimento (da combustão espontânea), mas habita-o de forma criativa e singular.

ZERO fica em cartaz nos dias 26, 27 e 28 de abril, no Club Noir. Após essas apresentações a previsão é de que o espetáculo vá fazer uma temporada em Nova Iorque.

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ZERO Texto e direção: Don Correa Elenco: Brian Townes Produção: FALA Companhia de Teatro Fotografia: Bruno Mancuso Dias: 26, 27 às 21h00 e 28 às 20h00 Club Noir: Rua Augusta, 331, Consolação – SP


Jocê Rodrigues

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