Jocê Rodrigues

Escritor e editor

Brasil Esquema Novo: Tamy

Conheça o disco "Caieira" um trabalho límpido, com uma produção impecável, arranjos de muito bom gosto e cheio de referências a grandes momentos, nomes e ritmos da música brasileira.


foto Estudio Berinjela.jpg

Movimentos de Tai Chi, tambores cadenciados de uma áfrica não tão distante e um balancear de mar tropical: tudo isso cabe na voz de Tamy, que com “Caieira”, seu terceiro disco, lançado em 2013 pela Tratore, alcança uma beleza quase plástica, com nuances que facilmente cativam os ouvidos. Um trabalho de altíssimo nível e de um bom gosto admirável. No repertório há afrobeat, samba, bossa, dub, tudo sob medida, sem exageros ou apelações.

A versatilidade não está apenas no repertório, mas também na interpretação da cantora capixaba, que acentua ou atenua emoções de acordo com a necessidade de cada composição, mostrando talento ao explorar a sua voz, um elemento de grande importância. Sua voz é de uma suavidade indescritível e traz consigo uma versatilidade que a torna capaz de navegar entre a doçura e a sensualidade (como na lindíssima Serena, um exemplo raro da harmonização desses dois elementos) com tranquilidade e segurança.

Há um certo charme, do tipo que por vezes encontramos nas coisas simples, mas não rasas. A simplicidade com que os arranjos parecem vestir as composições faz com que a audição se dê de maneira prazerosa e direta. No entanto, engana-se largamente – e sempre gosto de frisar isso – quem confunde essa simplicidade com falta de criatividade ou algo parecido. O disco é envolvente justamente por essa abertura e generosidade para com o ouvinte, sem forçar firulas estéticas e linguísticas para soar mais ou menos Cult.

foto by Roberto Burura.JPG Foto de Roberto Burura

Participam de “Caieira” grandes nomes da nossa música, abrilhantando ainda mais as atuações de Tamy. Entre eles estão Jacques Morelenbaum, Letires Leite, Davi Moraes, Bebê Kramer, Marcos Suzano e Kassin. Há também parceiros de peso nas letras, é o caso de Roberto Menescal (Caieira), Donatinho (Discurso Independente) e Lokua Kanza (Me Diz). Com produção de Francisco Vervloet e Rodrigo Campello, o álbum se destaca por sua coesão e sobriedade em tempos de desperdícios que muitas vezes estão a anos-luz de serem barrocos.

Ouça o disco na íntegra:


Jocê Rodrigues

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