Jocê Rodrigues

Escritor e editor

Amar: Um Ato Absurdo e Necessário

Como lidar com um dos sentimentos mais ambíguos da humanidade? O mesmo que move e desfaz guerras, que cria e dissolve intrigas. O amor é uma faca de dois gumes com a qual todo mundo se corta um dia.


presos-pelo-amor.jpg

O amor é um dos sentimentos mais ambíguos da humanidade. Move umas guerras, desfaz outras, cria e dissolve intrigas. Enfim, é uma faca de dois gumes.

Talvez não estejamos ainda preparados para dominar algo assim tão grande, tão ambíguo. E talvez seja esse mesmo o intuito: o de nos ensinar que não se trata de domínio e de posse, mas de uma entrega que ultrapassa qualquer limite do bom senso ou da razão.

Somos todos novatos, ainda engatinhando na direção da resposta do que é essa coisa que confortavelmente damos o nome de amor. Tentamos por muito tempo dissecar nossos sentimentos, nossas emoções, tentando identificar onde cada coisa fica guardada e no final todos os esforços se mostraram infrutíferos. Um doce e retumbante fracasso. Ainda bem.

Deus me livre de fazer parte do coro dos sabichões, daqueles que andam pra lá e pra cá espalhando certezas e adestrando corações. Quanto mais selvagem melhor, quanto mais imprevisível melhor. Não há astrologia nesse mundo que consiga ler o signo de quem ama. Cartomante alguma é capaz de ler o que está escrito por trás dos olhos de quem foi infectado com esse vírus metafísico. Não há cura possível, nem tratamento adequado, apenas a iminência de uma vida como qualquer outra: cheia de possibilidades.

Buscar entendimento é diferente de ter mania em catalogar. As apostas são altas, as garantias são poucas. Esqueça essa coisa de bolsa de valores, amar é um verdadeiro investimento de alto risco. Deixem os dados rolarem, deixem que as quedas aconteçam e que os blefes tomem lugar. Ninguém vive tempo bastante para entender o que tudo isso significa. Ninguém nunca terá visto realmente tudo. É com essa incógnita que temos que conviver também no amor. Um grande ponto de interrogação que jamais sairá de nossas cabeças.

Constante aprendizado, humildade diante do mistério, mas sagacidade frente às escolhas e aos movimentos. A vida é um fenômeno rápido, mas nada indolor. O amor é parte desse absurdo e eu tenho pena dos conscientes.


Jocê Rodrigues

Escritor e editor .
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Jocê Rodrigues