dedo na garganta.

Há sempre um pouco de nós morando na verborragia do outro.

Thaís Almeida

Libriana com ascendente em Touro. Isso explica dois extremos que se encontram no gosto pelas artes, pelas relações e pelo prazer.Talvez a última romântica dos litorais desse oceano Atlântico..

"Para que alguma coisa nos aconteça." - Carta aos que buscam aprender sobre relações.

Um texto aqui, uma música ali, um livro lá, um conselho acolá, ... Somos bombardeados momentaneamente com informações e presunções sobre o amor e relacionamentos. Todo mundo opina, todo mundo fala... Mas será que esse amontoado de referências realmente nos ensina sobre as relações ou apenas fecha nossos poros para elas?


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Que me perdoem os artistas, os músicos, os compositores, os escritores, os atores, os poetas, os dramaturgos. Que me perdoem os terapeutas e psicólogos. Os amigos, as páginas do facebook, os blogueiros. Que me perdoem todos aqueles que falam, contam, declamam, atuam, desenham, dançam, tocam, escrevem ou aconselham sobre o amor. Mas, só aprendemos a nos relacionar com o outro, nos relacionando. Todo o resto é aparato. É adorno. É preparação. Mas nada disso nos ensina de verdade como nos relacionar.

O relacionamento tem se tornado uma estética. Pessoas recorrem aos "adornos" para se relacionarem "certo", para evitar ou descobrir o que deu errado da última vez. O tal do amor genuíno se tornou a última moda. Inalcançável na maioria das vezes. Vídeos, textos e músicas pregam o "amor autêntico" para - quem sabe - transformar a forma como as pessoas enxergam ou vivem um relacionamento, tentando assim, torna-las mais saudáveis, quando na verdade o efeito é outro.

O discurso fica vazio pois a práxis desse tipo de relacionamento é difícil. As pessoas falam da boca pra fora, mas na verdade não vivem o ideal almejado, e essa não é uma questão pessoal, mas sim uma questão social. Da forma como fomos ensinados, das referências que tivemos, do que fomos condicionados a ESPERAR de uma relação. E é nesse momento que o que deveria trazer saúde traz auto cobrança, pois o indivíduo não consegue se adequar ao novo "padrão" das relações. Logo, ele ama errado. Logo, é condicionado a pensar que o que ele sente pelo outro é apego e não amor. Aí a pessoa revira os blogs, as páginas do facebook, os livros, os discos, as peças de teatro, os vídeos, as terapias, os textos sobre amor romântico x amor genuíno, tudo para tentar ser o que não é ou entender/aprender o que não entende ou não aprende sobre relacionamentos.

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Espera lá minha gente! Um cara chamado Larrosa Bondía disse uma vez: "o excesso de informação impossibilita a experiência". Como você vai saber relacionar-se "certo" se ainda não não se permitiu? É no dia a dia de suas relações que você descobre o que dá certo ou não, o que é genuíno ou romântico, o que é apego ou o que é amor. São particularidades tão... Particulares! Por que se forçar pra nadar na "nova onda" ? Por que se comparar? É na convivência com se(ua) [email protected] que você saberá qual será a dor e a delícia de vocês. E se o amor estiver no "mais não posso imaginar o que vai ser de mim, se eu te perder um dia." ? E se estiver no "eu sou de ninguém eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também." ? E SE ??!!

Não tenho absolutamente nada contra a "onda" do amor genuíno e livre e até acho que muitas das coisas pregadas ali podem ser levadas em consideração e colocadas em práticas. Mas, se eu não sei lidar com isso, porque dar murro em ponta de faca e me privar de um relacionamento? Que venham as músicas, as composições, os livros, os pensadores, os poetas, os dramaturgos, os conselhos, os terapeutas, os blogs, as páginas do facebook... Que venha tudo o que se refere sobre o amor. Mas que venham para agregar, para enfeitar, para melhorar... Afinal "Qualquer amor já é um pouquinho de saúde", escreveu Guimarães Rosa. Se o teu jeito de amar e de se relacionar é saudável pra você e para seu próximo, qual é o pecado nisso? Deixa um pouco de lado os diversos tipos de "auto ajuda" e abra-se para um relacionamento! Permita-se com ele. Pare até de ler esse texto, vai. Anda! Desligue o computador, o notebook, trave o celular. Nós não aprendemos ao certo sobre relacionamentos e sim nos permitimos a eles.

Em todas as suas formas e pluralidades, "Toda relação é um presente." canta, Marcelo Jeneci.


Thaís Almeida

Libriana com ascendente em Touro. Isso explica dois extremos que se encontram no gosto pelas artes, pelas relações e pelo prazer.Talvez a última romântica dos litorais desse oceano Atlântico...
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