deixa estar

saber por onde andar é deixar seguir-se pelo ar

Sabrina Nascimento

Antiga.

A esperança de vida presente em Verônika decide morrer

Verônika decide morrer é um daqueles livros que a gente começa a ler em um dia e não vê a hora de saber o final. Paulo Coelho fez um ótimo trabalho ao fazer com que um livro, contrariando o próprio título, causasse tanta vontade de viver.



veronica.jpg Verônika era uma jovem muito comum, com uma vida confortável e cômoda. Achava que já tinha visto tudo o que se há para ver neste mundo, e que seu futuro estava fadado ao tédio, ou até mesmo pior do que isso. Então, ela se acha no direito de escolher o dia de sua partida desta terra, através do suicídio. Preferiu ingerir uma alta dosagem de remédios, pois segundo ela, se cortasse os pulsos ou se jogasse de um prédio, seriam cenas traumáticas demais para outras pessoas que não tinham culpa nenhuma.

A jovem, porém, não alcança seu objetivo, e vai parar num hospício, com a expectativa de vida de apenas uma semana. Neste período, em meio a pessoas consideradas "loucas", ela descobre que a loucura está nos olhos de quem vê, e que a vida pode sim valer a pena.

O grande ponto abordado por Paulo Coelho, são os motivos que fazem as pessoas quererem tanto viver quando não há mais tempo. Muitas vezes nós achamos que não existe uma saída, que as coisas não vão ficar melhores. Mas elas ficam, e no caso de Verônika, a vida deu uma volta e mostrou que às vezes as coisas não são o que a gente espera, e que isso nem sempre é algo ruim. Para ela, o destino reservou um grande amor, e uma nova visão de mundo. E ensinou que loucos somos nós, que somos normais.

Normalidade é um assunto muito discutido neste livro. O que seria mais sensato, lutar pela visão de mundo que se acredita ou então, se conformar com a visão dos outros? Verônika aprende que cada ser humano é único, e que não cabe à ninguém julgar o que existe dentro de cada um.

Por fim, a jovem consegue fugir do hospício com seu amado, para viver o último dia de sua vida com amor, e totalmente livre. No final da noite, Verônika adormece nos braços de Edward e neste momento, surge uma das melhores frases do livro, "A morte era doce, cheirava a vinho e acariciava seus cabelos". A grande surpresa se dá ao amanhecer, quando ela ainda vive. Paulo Coelho fez uma jogada de mestre ao mostrar para os leitores que o grande significado da vida é viver cada um dos dias como se fosse um grande milagre.

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