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Dos pés descalços à evolução cultural feminina

em Arte por em 25 de jun de 2012 às 02:04

Atualmente, uma das maiores paixões femininas é o calçado. Objeto de desejo de 9 entre 10 mulheres, os sapatos são sinônimo de conforto e elegância, além de proteger nossos pés de diversos inimigos. Conheça um pouco da história deste que é indispensável em nosso dia a dia

Os sapatos sempre foram muito importantes em nossa vida cotidiana. Desde os tempos primórdios, eles protegem nossos pés e nos ajudam a enfrentar a rotina de uma maneira mais confortável. Porém, no Egito antigo, ele teve também outras atribuições. Se hoje em dia as mulheres usam sapatos de salto alto para demonstrar elegância e refinamento, no Egito antigo elas sequer usavam sapatos. Isso porque, naquela época, as mulheres eram tratadas como seres insignificantes, e sendo assim, considerava-se inútil o uso de calce nos pés. Sapatos eram utilizados apenas por pessoas da nobreza, e pelo Faraó. Trabalhdores e pessoas mais pobres eram proibidas de usar qualquer tipo de sapato, deveriam ficar de pés descalços devido a sua insignificância perante o resto do mundo.

Um dos fatores mais importantes no uso do calçado através dos séculos, é o contexto cultural de cada época. As mulheres atualmente conquistaram seu lugar ao redor do globo, porém, nem sempre foi assim. Em diferentes culturas, tanto Ocidentais quanto Orientais, as pessoas do sexo feminino foram muito menosprezadas, servindo apenas para procriar e cuidar de filhos e marido.

O Papél da mulher no antigo Egito

As mulheres egípcias possuíam características muito semelhantes às mulheres atuais. Tinham direitos e deveres, trabalhavam no campo, em tecelagens ou até mesmo eram cantoras e dançarinas. Porém, seu status social dependia de sua família: se era solteira, era vista por seus pais, e se casada, pelo marido. As egípcias costumavam se casar ainda pré-adolescentes. Segundo alguns estudiosos, o casamento ocorria quando elas tinham entre 12 ou 14 anos de idade. Era preciso casar cedo pois quanto mais jovem, melhor seria para gerar filhos.
Eram criadas para cuidar da casa e dos filhos, e para virarem senhoras do lar. O casamento não era um ritual religioso, e sim, uma sociedade, pois marido e mulher juntos, fundariam uma casa. Já as mulheres da elite, deveriam sempre estar bonitas para o marido. Era frequente o uso de cosméticos, cremes e o uso do Khol, que era utilizado nos olhos como delineador. Em festejos utilizavam, muitas vezes, perucas, que eram um símbolo da sensualidade feminina egípcia.
O culto à várias Deusas também era comum. A Deusa Hathor, era a representante da feminilidade. Quando grávidas, as gestantes se enchiam de amuletos para protejer a gestação, e o parto, era assistido por quatro mulheres, que representavam quatro deusas diferentes. O nascimento se dava com a mulher de cócoras, em cima de tijolos de barro, pois acreditava-se que o Deus Knhun modelava os seres humanos através do barro. Após o parto, as egípcias eram guardadas por quatorze dias, em repouso, e as crianças eram amamentadas até os três anos de idade.

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O papél da mulher na atual sociedade

Se antigamente, as mulheres não eram tão valorizadas socialmente, hoje em dia, elas ganharam lugar de destaque ao redor do globo. Conseguiram a independência, não precisam ser necessariamente casadas para sobreviver, e não são obrigadas a gerarem filhos. As mulheres atualmente já nascem sabendo que podem ser o que quiserem, escolher a profissão que quiserem e o tipo de vida que desejarem.
O dia a dia das mulheres contemporâneas geralmente é bastante corrido. A maioria das mulheres se dividem em esposas, mães e trabalhadoras. Uma atitude popular ao final de tarde, após a chegada em suas casas, é a massagem nos pés. Os pés são os que mais sofrem devido à correria dos dias atuais, e um fator que atua diretamente no seu conforto, é o tipo de calçado utilizado durante o dia. Muitas mulheres passam os dias de salto alto, mas o mais saudável – e confortável – é o uso de rasteirinhas, sandálias leves que deixam os pés livres, mas protegidos.

Neste contexto, entramos em um ponto importante deste artigo: As mulheres egípcias não utilizavam sapatos, pois eram consideradas inferiores socialmente. Já as mulheres atuais, utilizam sapatos não só como forma de proteção, mas como uma maneira de auto-afirmar seu poder e realçar sua beleza através de saltos e outros adereços. Os sapatos dizem muito sobre o comportamento da sociedade no decorrer dos séculos. No Egito Antigo, mulheres precisavam ser mulheres como atualmente, mas não eram reconhecidas da mesma maneira. Precisavam trabalhar e cuidar do lar tanto como hoje, mas faziam tudo o que tinham que fazer da mesma maneira: descalças. Na figura 3, vemos uma imagem das sandálias do Faraó Tutankamón. Feita totalmente de ouro, parece super desconfortável, e só era possível ser usada, porque o Faraó não precisava se locomover muito, caso contrário, o uso seria inviável. A sandália possui a parte do dedão inclinada para cima, e uma tira que ficava no meio do pé, que é presa às laterais. Possui também um detalhe que lembra um laço, no peito do pé.

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As sandálias do Faraó Tutankamón possuem uma incrível semelhança com as sandálias que utilizamos atualmente. A sandália da figura acima é feita de ouro, mas também existiam sandálias mais simples, feitas de palha trançada, couro ou tiras de folhas de palmeiras e papiro. Os modelos de palha e couro ainda são muito populares entre as mulheres atuais.
Por fim, os sapatos podem ser considerados como um grande símbolo da evolução feminina através dos séculos. Se antes elas nem poderiam utilizar-se deles, devido à sua inferioridade, atualmente eles servem de adorno e demonstram até mesmo status e classe social. As mulheres conquistaram o seu espaço na sociedade, e os sapatos fizeram parte dessa evolução, afinal, o crescimento de uma nação sempre começa pelos pés, pelo andar da vida, e pela quebra de paradigmas.

 

Artigo da autoria de Sabrina Nascimento.
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