delírio poético

Porque escrever é o melhor remédio

Paulo Henrique Reis

Rabisque, enlouqueça, invente.

A fotografia da arte urbana

Percebendo iniciativas dos amantes da arte que desejam democratizar o acesso à cultura no espaço urbano, a fotografia introduz seu papel para disseminar a informação e alavancar ainda mais os projetos locais.


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“Um dos fenômenos culturais e políticos mais surpreendentes dos anos recentes é a emergência da memória como uma das preocupações culturais e políticas centrais das sociedades ocidentais”, assim começa o livro Seduzidos Pela Memória, escrito em meados dos anos 90 por Andreas Huyssen, que leciona Literatura Comparada na Universidade de Columbia. A popularização dos computadores e os mecanismos de salvaguarda do patrimônio (público ou privado, institucional ou pessoal) são vistos por Huyssen como uma mudança estrutural na mentalidade coletiva dos países ocidentais que marca a virada do século XX para o século XXI.

A relação com a fotografia se alterou drasticamente nos últimos 25 anos, não só pela evolução da película para a esfera digital, mas também pela facilidade do registro de nossas experiências. O próprio ato de fotografar - seja a partir de um smartphone ou uma câmera – é o objetivo, e não mais a fotografia em si. Nosso acervo de imagem aumenta consideravelmente a cada instante, cabe a nós fazermos a curadoria das interações que temos com mundo, e segmentarmos a imagem de modo que ela faça sentido não só para o fotógrafo, mas para quem é expectador e recebe a informação.

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A arte urbana ou “underground” é um laboratório vivo e riquíssimo para quem deseja se aprofundar na técnica fotográfica, pois oferece ao amante de fotografia uma série de possibilidades ensaísticas tanto do fazer quanto do observar que nunca se repete, sempre se renova a cada exibição. Jovens dos mais variados meios artísticos se reúnem em eventos realizados nas praças locais de seus bairros com a finalidade de potencializar seus gostos e preferências culturais através de muitas atividades.

A exemplo disso temos a Roda Cultural de Heliópolis, um evento mensal que acontece numa praça pública do bairro Heliópolis em Belford Roxo, cidade do estado do Rio de Janeiro. O objetivo é aproveitar o espaço para fomentar iniciativas que agreguem atividades relacionadas à música, à dança e outros tipos de sociabilidade que surgem no meio urbano. Entre as atrações que mais centralizam a atenção e curiosidade das pessoas são as batalhas de Mc's e performances de hip-hop, que mobilizam jovens não só da cidade de Belford Roxo, mas de cidades vizinhas.

A tribo street/underground aproxima diversos grupos que dialogam entre si como dançarinos, rappers, skatistas, DJ's, fotógrafos, grafiteiros , sempre trocando experiências e ampliando a sua rede relacional para expandirem os horizontes da arte urbana. Com isso, eles mostram aos grandes centros culturais tradicionais (como museus, teatros e galerias) que a periferia também produz arte e oferecem uma alternativa a população local que deseja não só produzir, mas também apreciar tudo de melhor que a diversidade tem a oferecer.

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Paulo Henrique Reis

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