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Arquivando o Infinito

Valdir Machado

Economista, funcionário público e professor do ensino superior, por formação. Por gosto, aspirante a "escrevedor" (escritor é título muito nobre pra quem se utiliza da escrita como passatempo). Entre em contato: [email protected]

Mania em Tom Experimental

Morder pele e unha, arrancar os cabelos, conferir, por mais de uma vez, se as portas estão realmente trancadas e lavar as mãos, repetitivamente, são apenas alguns dos muitos exemplos agregados pela alcunha de mania. Para uma análise em tom experimental, eis que seguem dois relatos julgados como a concretização da mania em forma de palavras.


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Caso 1: "Será voga o que eu tenho? Vaga voga que me custou, Deus sabe, quem sabe, uns vinte quilos de pele e unha. Além deles, a vergonha passada no meu imaginário palco, rede armada no quarto que com o balançar alto fez quebrar o armador. Lá se vai alguém deslizando sobre o azulejo escorregador! E a mania de agradar, o quanto já me causou? Talvez uma centena de conhecidos, a manutenção de amigos, mas, por outro lado, a sedimentação de transtornos obsessivos e compulsivos. Hábitos loucos e insanas manias como as que um dia, de tanto pedir a "benção", me cansei. Ah, vogas doentias... abdicar de tais manias seria apenas o reconhecimento da hereditária loucura ou deixar de ser quem eu realmente sou?".

Caso 2: "Coloquei dois travesseiros triângulos, daqueles de encosto, alinhados de forma a tornarem-se, juntos, um retângulo. Dessa forma, os posicionei ao lado esquerdo da cama. Na minha cabeça doente, penso que me servem como obstáculo para evitar a aproximação (pelo menos por aquele lado) de seres sobrenaturais. Pelo flanco direito, me protegi como pude: outros travesseiros, notebook, urso de pelúcia (da esposa), enfim, tudo que poderia utilizar para não deixar espaço vago sobre a cama. A janela? Escancarada, tanto para deixar o ambiente agradável e um pouco mais claro, quanto para permitir que os vizinhos me escutassem em caso de emergência. Fechei as portas que dão para a sala e utilizei os lençóis não para o artifício para o qual foram inventados, mas como verdadeiras armaduras que só permitiam descobrir os olhos. Pronto para dormir, rezei pelas pessoas com as quais me importo e, depois disso, esperei os olhos fecharem numa verdadeira liturgia do sono".


Valdir Machado

Economista, funcionário público e professor do ensino superior, por formação. Por gosto, aspirante a "escrevedor" (escritor é título muito nobre pra quem se utiliza da escrita como passatempo). Entre em contato: [email protected]
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