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Arquivando o Infinito

Valdir Machado

Economista, funcionário público e professor do ensino superior, por formação. Por gosto, aspirante a "escrevedor" (escritor é título muito nobre pra quem se utiliza da escrita como passatempo). Entre em contato: [email protected]

A Segunda Guerra - Dos Tiros à Linguística

A Segunda Guerra Mundial marcou pela destruição e pelas atrocidades cometidas pelo homem. Contudo, esse magnífico evento não se resume a tiros, canhões e bombas atômicas. Claro que não compensa, mas tal conflito ainda seria pior sem as suas ricas estórias, suas artes e as suas contribuições para a linguística.


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Não sou um incentivador e, muito menos, um defensor dos conflitos bélicos, no entanto, vejo a SG muito mais como um fato histórico de grandes proporções do que propriamente, e unicamente, como uma guerra, no sentido restrito da palavra.

E não menciono isso apenas por conta das consequências geradas pelo seu fim (a Guerra Fria, a Corrida Armamentista e, extrapolando tudo, o aparelhamento terrorista), mas também pela quantidade de personagens de quadrinhos que dela participaram (Capitão América, Wolverine, Magneto, etc) e pela gama de publicações, filmes e seriados já produzidos (Império do Sol, Resgate do Soldado Ryan, O Pianista, Band of Brothers) sobre o mote.

Ora, mesmo se não houvesse todo esse número de fatos a ela associado, ainda assim a veria com outros olhos, tão somente por causa do romantismo e dos ideais contidos naqueles primeiros anos da décade de quarenta. Cresci atento às estórias, contadas por meu avô paterno, relacionadas aos bombardeiros americanos que aterrissavam na base aérea da cidade onde resido, Fortaleza, trampolim que era aos teatros de combate no norte da Àfrica e na Itália.

Também ouvi, e muito, sobre as famosas "Garotas Coca-Cola" da alta sociedade local que, aos finais de semana, se enfeitavam com os melhores adornos para passear e galantear os pilotos ianques. Por causa desses passeios e desses flertes internacionais é que, daquele tempo em diante, a língua portuguesa ganhou mais um vocábulo: ispilicute.

Chamam-se (já quase em desuso, é verdade) "ispilicutes" as belas moças dotadas daquele jeito meigo e gracioso, até meio envergonhado, de falar. Todavia, a maioria das pessoas que usa tal denominação, a utiliza sem conhecer sua origem. E ela é simples, nada mais do que a junção de duas palavras da língua inglesa, Pretty e Cute, que eram pronunciadas pelos garbosos pilotos gringos quando se referiam às jovens fortalezenses da época.

Agora, é até engraçado pensar num típico militar estrangeirão, de óculos de sol e trajando jaqueta de couro escuro com gola felpuda clara, a expressar, todo dono de si: "she is pretty cute". Torna-se fácil imaginar como a despreparada e monolíngue sociedade de outrora transformou o gracejo na palavra "ispilicute".


Valdir Machado

Economista, funcionário público e professor do ensino superior, por formação. Por gosto, aspirante a "escrevedor" (escritor é título muito nobre pra quem se utiliza da escrita como passatempo). Entre em contato: [email protected]
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