depositório

Arquivando o Infinito

Valdir Machado

Economista, funcionário público e professor do ensino superior, por formação. Por gosto, aspirante a "escrevedor" (escritor é título muito nobre pra quem se utiliza da escrita como passatempo). Entre em contato: [email protected]

Woody Allen e a Receita Para um Bom Livro

Meia Noite em Paris é um filme leve que traz consigo uma interessante proposta: vá à Paris, viaje aos anos da década de 1920 e conheça alguns dos mais renomados artistas que por lá viviam. Feito isso, dedique-se ao seu maior sonho e finalmente termine aquele seu romance que não sai da página cinquenta.


Meia Noite em Paris 2.jpg

Quase um ano se passou e eu coleciono somente pouco mais de cinquenta páginas do projeto que um dia, quem sabe, chamarei de livro. Isso para o mais adiantado! O outro não passou, até o momento, da décima folha.

Contudo, se eu tivesse a chance de acessar um portal do tempo (sem querer aqui levantar mais lebres sobre Teorias da Conspiração) e, a partir dessa viagem temporal, conhecesse Hemingway, os Fitzgerald e, para além disso, me apoiasse nas críticas de Gertrud Stein no intuito de suplantar a minha escrita, então eu teria, com a mais absoluta certeza (em que pese esta redundância de ênfase), subsídio suficiente para levar meus projetos particulares a um conteúdo de duzentas, trezentas ou quatrocentas páginas.

Loucura? Reclame a Woody Allen, pois é essa a base de "Meia Noite em Paris", filme sob sua direção e que estreiou em circuito mundial no ano passado. O protagonista dessa estória é Gil Pender (Owen Wilson), um obcecado funcionário de Hollywood que viaja à Paris, a passeio, em companhia da noiva mimada e dos sogros prepotentes. Gil sonha em largar tudo e firmar residência na "Cidade Luz" para dedicar-se inteiramente ao seu livro, um romance inacabado.

Daí em diante, Pender tem a oportunidade de voltar no tempo e tornar-se amigo dos grandes artistas que viviam na capital francesa nas idas de 1920, dentre eles Picasso, Salvador Dali e tantos outros, a exemplo daqueles já citados acima. Depois disso, como era de se esperar, a vida do personagem principal sofre uma completa reviravolta.

Ainda há no filme uma crítica que tange a todos nós, ou, pelo menos, à maioria: pensarmos que os tempos passados foram melhores do que os atuais, nos quais vivemos. Algumas cenas e diálogos nos fazem refletir sobre isso.

Por fim, uma curiosidade que remete a uma conhecida "obsessão" do Diretor. Logo nas primeiras cenas estão Gil e Inez, esta última, personagem de Rachel McAdams. Vê-se uma Inez loira, de pele alva, lindas curvas e com cabelo encaracolado... será que Woody Allen quis transformar McAdams na sua musa inspiradora Scarlet Johansson?

Meia Noite em Paris 9.jpg

Meia Noite em Paris 11.jpg

Meia Noite em Paris 6.jpg

Meia Noite em Paris 7.jpg

Meia Noite em Paris 4.jpg


Valdir Machado

Economista, funcionário público e professor do ensino superior, por formação. Por gosto, aspirante a "escrevedor" (escritor é título muito nobre pra quem se utiliza da escrita como passatempo). Entre em contato: [email protected]
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/Cinema// @destaque, @obvious //Valdir Machado