No meio do escuro,
Em meio ao silêncio,
Um gemido puro,
Tão alto,
Frente à ausência
Que escuto
Mesmo sendo surdo,
Pois posso escutar
Não obstante, mudo,
Nesse mundo
De mau gosto,
Sujo,
Tanto mereço falar
Que calo,
Na calamidade,
À vontade!
Vontade de gritar
Entre os seios
Da mulher liberdade,
Seios fartos,
Pois tato a carne
Carne fraca,
Penso sufocar!
Prendo as mãos,
Tatuo e marco à faca,
Na ânsia de tocar
E o sacana cheiro,
Veneno,
De efeito ligeiro,
Após a narina penetrar,
Envolve o peito,
Nuca e cabelo,
Prendo-o com o dedo
E passo com a boca
A respirar o medo...
Pra não vacilar
Avisto a pena
Pena dos olhos
Cuja menina, a pupila
Insiste em flertar!
Por ela tudo avia:
As cores, o cheiro
E até a pele macia!
Fecho as órbitas
Melhor não enxergar
E na tentação dos sentidos,
Juízo é algo impreciso!
Assim,
Falseio língua e cílios
Duvido de olfatos e de ruídos
Confio somente em mim.
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