desassossego.

Feminismo, psicologia, psicanálise, existencialismo, cinema, cerveja e alguma coisa a mais.

Gisele Gonçalves

Da Origem ao Fim do Universo


10419057_10203216539998757_2945977170458547480_n.jpg

Sabemos que a vontade de descrever o Universo está presente desde há muito tempo nas culturas antigas. A busca do homem em descobrir a origem de tudo despertou o aparecimento de mitos, filosofias e da própria ciência. Cada uma, ao seu modo, tentam até hoje diminuir essa sensação de desconforto e inquietação evidente no coração humano.

Essa questão existencial parece fazer parte da nossa constituição enquanto humanos: “Como surgiu tudo? Como é a origem do planeta, das coisas, do homem? São perguntas que todos fizeram a si mesmos ao longo da nossa história.

dfd.jpg

Os gregos antigos criavam narrativas e figuras simbólicas como Deuses e Heróis, na tentativa de dar sentido às coisas do mundo, enxergavam toda vida que os cercavam e buscavam explicações para tudo. Ao passar do tempo, com a invenção do calendário e da escrita esses povos perceberam que nada acontecia por acaso e que não existia a interferência de deuses relatados pela mitologia. Logo depois, surgiu a religião cristã herdada das civilizações grega e romana. Os cristãos encaravam o conhecimento, sobretudo, o conhecimento da natureza, de uma maneira divina: o destino dos homens estavam nas mãos de Deus e até a natureza mostrava sinais da sua grandeza.

Todas religiões, antigas ou novas, preocuparam-se em dar respostas a seus fiéis sobre a origem do universo e todas possui uma resposta para isso. Nos dias de hoje, a religião ainda tem grande relevância para o ser humano,na interpretação de sua vida e no processo de construção do mundo.

11182194_732053356904298_1017018056909135831_n.jpg

Nesse contexto surge a ciência, que procura explicar cientifícamente a composição do Universo, sua estrutura e evolução. Entretanto, por mais informações que obtenhamos do mundo, inclusive da ciência, ele ainda nos será desconhecido. Durante boa parte da nossa história, acreditava-se que o Universo era apenas nossa Galáxia, a Via Láctea, este gigante conjunto de estrelas que vemos no céu em uma noite escura. Hoje, já sabemos que existem outras milhares de galaxias e planetas.

Uma das revelações mais incríveis da exploração espacial é a imagem da Terra: o "Pálido Ponto Azul", finita e solitária, de alguma forma vulnerável, acolhendo a espécie humana ao longo do espaço e do tempo. Quando descobrimos o quanto somos pequenos em relação ao universo toda nossa maneira de encarar a vida se tranforma. Durante toda nossa história, sempre tivemos uma visão muito antropocêntrica do mundo, centrada no humano: "O homem é a medida de todas as coisas " A teoria geocêntrica, na qual nosso Planeta era considerado o centro do Sistema Solar, e a crença de que tínhamos uma posição privilegiada no Universo, foi posto em dúvida quando fomos capazes de registrar que a Terra não era o centro do universo e sim um ponto de luz, " um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante". Carl Sargan, chegou a dizer que talvez essa imagem seria a comprovação da loucura das nossa vaidade como também a responsabilidade que devemos ter diante das pessoas, da importância de nos relacionarmos bem uns com os outros, preservando e amando o pálido ponto azul, o único lar que nós temos.

Carl Sagan, famoso cientista, soube muito bem relacionar conceitos científicos com reflexões filosóficas. Ele verdadeiramente soube despertar uma consciência humanista em muitas pessoas

"Eu adoraria acreditar que quando eu morrer, eu vou viver outra vez. Que alguma parte pensante, sensível e memorável de mim continuará. Mas por mais que eu queira acreditar nisso, e apesar de antigas tradições culturais mundiais falarem sobre vida após a morte eu não sei de nada que possa sugerir que isso é mais do que simplesmente pensamento positivo. O mundo é tão primoroso, com tanto amor e profundidade moral que não há razão para nos enganarmos com histórias bonitas para as quais existem poucas evidências boas. Parece muito melhor para mim, em nossa vulnerabilidade olhar a morte nos olhos. E ser grato todos os dia pela breve, mas magnífica oportunidade que a vida nos dá."

Diante dessas questões, percebemos que não existe entre nós um acordo sobre nosso lugar no universo. Alguns procuram desesperadamente coragem para encarar a realidade, outros preferem acreditar que somos especiais e encontram na fé religiosa o sentido de vida. De uma forma ou outra, interagimos constantemente com o Universo. Nós e o cosmos estamos intimamente conectados,"somos feitos de poeira de estrelas". Não há tempo a perder, nossa vida é momentânea, é aqui e agora.

" Eu não quero acreditar, eu quero conhecer".


version 1/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Gisele Gonçalves