desmistificador de dálias

“inventar vida de onde [talvez] nunca saiu sequer um sopro de ar”

José Douglas Alves dos Santos

Escritor, cinéfilo, Pedagogo, Mestre em Educação e Desmistificador de Dálias.

A OCORRÊNCIA DE DEPRESSÃO EM CRIANÇAS E JOVENS

Apresento a seguir algumas considerações sobre uma temática bastante complexa e presente no modo de vida contemporâneo: a depressão em crianças e jovens. Entre as informações deixo algumas imagens de Banksy e David Walker, que dialogam com esta questão através de sua arte.


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A depressão é um problema universal que afeta milhões de indivíduos, desde crianças a idosos. Nem sempre fácil de ser diagnosticado, este distúrbio muitas vezes é ocasionado por fatores externos, como a recorrência de stress em determinado espaço social – escola, trabalho, ou até mesmo em casa –, o desemprego – e a falta de perspectiva diante do mercado de trabalho – e a morte de algum ente querido. Se em adultos esta ocorrência é preocupante, em crianças e jovens a apreensão é ainda maior, pois bem se sabe os riscos que essa doença pode ocasionar.

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De acordo com matéria publicada por Teixeira (2013), neste último decênio – a partir de dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – o diagnóstico de depressão em criança de seis (06) a dez (10) anos aumentou em 8%. Considerando que este é um dado relativo, já que muitos são os excluídos que não costumam aparecer nos registros “oficiais”, pode-se inferir que a ocorrência é ainda maior, principalmente se levarmos em consideração as estruturas socioculturais de determinados ambientes.

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Em estudo de Teodoro, Andrade e Castro (2013), a intensidade da depressão em crianças e adolescentes correlaciona-se ao “fracasso pessoal [...], a hostilidade [...], a ameaça física [...] e a ameaça social” (p. 94). Elementos estes presentes de forma constante na vida desses sujeitos (o medo de não passar nas provas das escolas ou nos vestibulares; as relações sociais estabelecidas a partir de uma ideia competitivista de modo de ser e agir; e as ameaças recebidas ou proferidas a partir das relações que estabelecemos com o outro).

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Cruvinel e Boruchovitch (2012) alertam que nestes sujeitos, “a depressão tem sido associada a comprometimentos no funcionamento cognitivo, familiar, psicossocial e emocional” (p. 219). Estas mesmas autoras (2003) também afirmam que “A incidência de depressão infantil se acentua quando se trata de população específica, normalmente com outras problemáticas associadas, como crianças vítimas de queimadura [...], crianças que sofriam violência familiar [...], adolescentes com problemas na estrutura familiar [...] e crianças com dificuldades escolares e história de fracasso escolar [...]” (p. 80).

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Percebe-se que este é um problema complexo, tanto pelo pouco conhecimento que muitas pessoas têm a respeito do assunto, tanto pelas diferentes características que o mesmo assume em determinados lugares. A “espacialidade sócio-econômica-cultural” do tema pode definir em maior ou menor grau o número de sujeitos que sofrem com a depressão.

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Outro aspecto relevante a ser abordado é a incidência dessa doença nas mulheres. Segundo algumas pesquisas (Maquet; Valencia, 2012. Damião; Coutinho; Carolino; Ribeiro, 2011. Monteiro; Lage, 2007. Nakamura; Santos, 2007), a prevalência dessa enfermidade é maior na população do sexo feminino, o que indica dizer que nelas registra-se “[...] um índice duplamente maior de vulnerabilidade à depressão [...]” (2011, p. 121).

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Sabe-se que a depressão é um dos problemas que vem atingindo de maneira mais recorrente os habitantes de nossa sociedade. Vivemos um período de muito consumo informacional e pouco tempo de digestão dos “saberes” acumulados. O índice de desemprego ao redor do mundo nestes últimos anos alcançou números alarmantes. A formação das crianças, jovens e adultos, em nossas escolas contemporâneas, pauta-se ainda numa lógica perversa e doentia de “ser o primeiro”, de “estar sempre à frente”. Esquece-se de valores essenciais a uma sociedade mais humanizada (humildade e solidariedade), que poderiam concretizar aquilo que tanto ouvimos nos discursos de quem tem ou assume o poder (um mundo justo, igualitário, democrático...). E enquanto esperamos por uma transformação significativa nas relações sociais que nos acostumamos a estabelecer, o mundo segue abrigando seres doentes (de corpo e alma).

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José Douglas Alves dos Santos

Escritor, cinéfilo, Pedagogo, Mestre em Educação e Desmistificador de Dálias..
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