desmistificador de dálias

“inventar vida de onde [talvez] nunca saiu sequer um sopro de ar”

José Douglas Alves dos Santos

Escritor, pedagogo, cinéfilo, mestre em Educação e Desmistificador de Dálias

O PRIMEIRO (E ÚLTIMO!) DISCO...

Confira cinco bandas que lançaram um primeiro disco que teve grande sucesso (por sua qualidade musical) mas que não conseguiram ir além dele (por diversos motivos: brigas internas, falta de financiamento, morte dos integrantes, entre outros).


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4 NON BLONDES 01. Bigger, Better, Faster, More!.jpg

Muito provavelmente, aqueles que nasceram na década de 1980 e início de 1990 têm, na memória, um dos maiores hits do período. Com uma voz distinta (forte, ao mesmo tempo suave), Linda Perry, em companhia de Roger Rocha (guitarra), Christa Hillhouse (baixo) e Dawn Richardson (bateria) formaram o 4 Non Blondes. Em 1992 eles lançaram seu único álbum, “Bigger, Better, Faster, More!”. Com este álbum eles receberam inúmeros prêmios e venderam milhões de cópias em todo o mundo (em especial, pela música What's Up). A banda chegou ao fim por conta da saída da vocalista, Linda Perry, que após o rápido sucesso preferiu seguir para o lado não comercial (não pop) que a mídia quis impor ao grupo.

What's Up:

SEX PISTOLS 02. Never-Mind-the-Bollocks-Heres-the-Sex-Pistols.jpg

A banda que influenciou inúmeras gerações (e continua influenciando, para quem os escuta) de bandas Punk e de jovens rebeldes (esses, em sua maioria, rebeldes com causa!), lançou seu único álbum em 1977, intitulado “Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols” (que hoje figura na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame). Eles revolucionaram a música punk inglesa e mundial, tornando-se, em pouco tempo, ícones da cultura musical. Entre seus maiores sucessos, está God Save The Queen, que “causou a ira da família real britânica e das personalidades mais conservadoras, ao atacar veemente, e com espírito anárquico, a rainha Isabel II e todo o sistema monárquico vigente no Reino Unido, comparando-o na altura a um regime fascista”.

God Save The Queen:

NEW RADICALS 03. New Radicals.jpg

Liderado pelo criativo músico, Gregg Alexander, o New Radicals lançou seu álbum, “Maybe You've Been Brainwashed Too”, em 1998. Com este álbum (principalmente por causa do single You Get What You Give) eles conseguiram escrever “seu nome na história da música”. Muito se falou sobre a carreira meteórica do grupo que tinha tudo para ser o novo grande sucesso da década de 1990, porém o vocalista e líder, Gregg Alexander, resolveu se dedicar na produção de músicas para outros grupos, deixando de lado o projeto da banda.

You Get What You Give:

F.Ur.T.O. 04. Furto.jpg

O F.Ur.T.O. (também conhecido como FURTO) significa Frente Urbana de Trabalhos Organizados, e é um antigo projeto social, homônimo, do Marcelo Yuka. O Yuka, para mim, figura naquela lista de “gênios ainda vivos”; desde O Rappa, era perceptível que suas músicas tinham uma qualidade e uma dimensão artística muito significante. Então, após a saída do Rappa, ele se junta ao Maurício Pacheco, Alexandre Garnizé e Jamilson da Silva (o “Jam”) para criarem outra pérola da música brasileira: o disco “Sangueaudiência”. Gravado em 2005, o álbum une, explicitamente, arte e política (uma relação necessária tanto à arte quanto à política). O disco contou com algumas ilustres participações, tais como: BNegão, Manu Chao, Marisa Monte e João Pedro Stédile (um dos líderes do MST, luta que a banda defendia abertamente). “As músicas tratam da vida cotidiana, da luta pela terra, da xenofobia, do desemprego, de “desaparecidos”, da relação direta entre consumismo, miséria e violência urbana e muito mais”. Hoje, mais ainda do que na época em que foi lançado, este disco soa como uma obra de arte que precisa ser ouvida, sentida e trabalhada em todos os espaços sociais permitidos (sim, porque há muito lugar que se fecha para a arte, para “o saber e o poder” que a arte proporciona). Admito: este disco é um dos meus preferidos. Infelizmente, muito por conta do pouco espaço oferecido no mercado da música, a banda acabou se desfazendo.

Não Se Preocupe Comigo:

MAMONAS ASSASSINAS 05. Mamonas Assassinas - Mamonas Assassinas (Capa Oficial do Álbum) Cover Brasil.jpg

Falar dos Mamonas Assassinas é lembrar a infância de inúmeros brasileiros e amantes da música. A banda, formada por “Dinho, o mais palhaço dos cinco, que ainda arrancava suspiros das meninas. Bento (guitarra), um japonês que se apresentava usando uma peruca rastafári, era o responsável pela mistura de estilos musicais da banda, que ia do sertanejo ao rock, passando pelo vira, tradicional música portuguesa. Julio Rasec (teclados) – o sobrenome artístico era, na verdade, seu segundo nome, César, escrito ao contrário – ficou conhecido pela performance de Maria, na música "Vira-Vira". Os irmãos Reoli, Samuel (baixo) e Sérgio (bateria), usavam uma corruptela do verdadeiro nome da família, Reis de Oliveira, como nome artístico.” Infelizmente, eles só tiveram tempo de gravar o disco “Mamonas Assassinas”, lançado em junho de 1995, pois foram vítimas de um acidente aéreo em março de 1996. Este foi um período de grande tristeza nacional. Das crianças aos jovens, passando pelos adultos e chegando aos mais velhos, é difícil conhecer alguém que tenha ouvido e visto o trabalho deles (“visto” porque cada apresentação era um show à parte) e não os tenha na mente como uma das maiores riquezas culturais da música brasileira.

Pelados em Santos:

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Estes cincos discos apresentados acima foram escolhidos pela relevância artística, histórica, cultural e social. São obras de artistas singulares, que (vivos ou não) fizeram (e ainda fazem) da música um meio de se comunicar e de compartilhar sua arte e sua visão de mundo. Como a intenção foi de promover a rememoração de apenas cinco trabalhos, peço desculpas por não abordar aqui outros músicos/grupos.


José Douglas Alves dos Santos

Escritor, pedagogo, cinéfilo, mestre em Educação e Desmistificador de Dálias.
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