desmistificador de dálias

“inventar vida de onde [talvez] nunca saiu sequer um sopro de ar”

José Douglas Alves dos Santos

Escritor, cinéfilo, Pedagogo, Mestre em Educação e Desmistificador de Dálias.

19/08 - DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

No dia 19 de agosto comemora-se o Dia Mundial da Fotografia. Para celebrar a data, apresento a seguir uma entrevista com a fotógrafa Melissa Warwick, contemplando dez fotografias escolhidas pela própria autora. Aprecie um pouco de sua arte.


Melissa 00 (Fotografia por Alessandra Sampaio).jpg Fotografia por Alessandra Sampaio

Dia 19 de agosto, Dia Mundial da Fotografia. Para não deixar a data passar em branco, apresento uma entrevista realizada com uma fotógrafa de mão cheia, alma grande e olhar sensível. Melissa Warwick vê um pouco além do que as pessoas costumam ver. Desta forma, ela percebe os detalhes, e sabe da relevância deles no todo – e no tudo – que nos cerca, nos proporcionando, por meio de suas imagens, inúmeras sensações e momentos de intensa reflexão.

Melissa 00 2 (Fotografia - Thiago Souza Santos (Melissa 00).jpg Fotografia por Thiago Souza Santos

Como afirmou Eloísa Galdino, Secretária de Estado da Cultura de Sergipe e uma grande amiga de Melissa, “ela já se sabia fotógrafa, [...] como de fato é, a sua sina, sua mais íntima descoberta como profissional”. Confira abaixo, enquanto aprecia dez fotografias escolhidas pela própria autora (com comentários também dela), a entrevista dessa artista que ama seu filho, adora cinema, percebe a beleza no cotidiano e tenta viver em harmonia com o meio ambiente e com os outros terráqueos.

Melissa 01 8. companheira.jpg Barcelona, Espanha. 2007. Como não conhecia quase ninguém quando fui morar na capital catalana, a câmera fotográfica virou minha melhor amiga e me ajudou a gravar as boas lembranças que tenho daquela época. Na foto intitulada "As três Marias", três senhoras sentam tranquilas no banco de uma praça e observam a vida passar. Foto publicada na Revista Vida Simples (agosto 2013).

Formação acadêmica e profissional / O que te levou a ser fotógrafa?

No campo profissional, sempre tentei conciliar o papel de produtora cultural e de turismóloga – minha profissão por formação – com o de fotógrafa. Durante os shows de uma grande cantora e compositora com quem trabalhei ou a execução de um projeto de turismo de base comunitária realizado no sul sergipano, eu sempre estava com a minha câmera na mão. Até que chegou o momento em que percebi que não fazia mais sentido dividir essa paixão com os outros ofícios. O tempo passava, o interesse em me profissionalizar aumentava e enfim, chegara a hora de me entregar por completo à minha profissão por vocação.

Melissa 02.jpg Poço Redondo, Sergipe, Brasil. 2009. Estava na cidade cobrindo uma oficina de cinema para as crianças da comunidade local e, num belo dia chuvoso do interior de um pau-de-arara, avisto um menininho tirando a sandália e correndo numa estrada de terra molhada rumo ao desconhecido. Para mim, aquilo era o retrato da liberdade. Ao perceber que consegui captar a cena, não consegui segurar as lágrimas. É uma das minhas favoritas de toda a vida.

Breve histórico de vida / Tempo de trabalho com a fotografia.

Nascida no extremo sul do Brasil, filha de norte-americano e criada no nordeste brasileiro, sempre gostei de registrar o mundo através das objetivas. Mas despertei de verdade para a fotografia durante uma temporada que passei na Espanha – entre 2007 e 2009 – onde fiz cursos de introdução à fotografia no Institut d'Estudis Fotogràfics de Catalunya e adquiri noções de fotografia antropológica, documental e de fotomontagem em oficinas oferecidas pela prefeitura de Barcelona. De volta ao Brasil (mais especificamente, Aracaju), continuei participando de diversos cursos e workshops na área, como o Lightroom, flash dedicado, fotografia de gastronomia e inclusive, um pouco de teoria, técnica e poética da fotografia. Atualmente, sou aluna do curso à distância de Fotografia Profissional no New York Institute of Photography. O resultado de uma cobertura fotográfica voluntária no BrasilNoar (festival de cultura brasileira na capital Catalana) motivou a minha primeira exposição coletiva, sediada no Consulado-Geral do Brasil em Barcelona. Desde então, participei de algumas exposições individuais e coletivas com diferentes temas e formatos. Também tive o prazer de ver algumas das minhas fotografias publicadas em revistas como a , Casa Cláudia, Fotografe Melhor e Vida Simples.

Melissa 03.jpg Lisboa, Portugal. 2011. Homem com o rosto pintado de palhaço e o seu cachorro caminham pelas ruas de Lisboa. Enquanto um para para limpar a maquiagem borrada, o outro aproveita para reconhecer o território. Fotografia publicada na revista Fotografe Melhor (189/março 2013).

Cidadã do mundo.

Tive a sorte de nascer numa família nômade e aventureira que me proporcionou viagens maravilhosas por vários países do continente americano e europeu. No início da década de 1970, o meu pai (que na época era hippie) saiu do norte dos EUA até o Brasil dirigindo uma Kombi com o objetivo de conhecer o carnaval carioca. Já a minha mãe conhece todos os continentes e até hoje, aos 65 anos, viaja sozinha, sem excursão, se hospeda em albergues e sempre faz amigos por onde passa. Impossível não querer conhecer o mundo vindo numa família dessas, não é?

Melissa 04.jpg Museu da Gente Sergipana. Aracaju, Sergipe, Brasil. 2013. Show de lançamento do EP Solta, da cantora e compositora Héloa. Mesmo com pouquíssima experiência na área da fotografia de música, fiquei feliz em ver que consegui retratar um momento do show que sintetizasse o significado de "ser livre, leve e solta", como sugere o maravilhoso disco.

O que mais gosta de fazer?

Estar ao lado do meu filho, Gael, em qualquer momento fazendo o que for. Amo cinema. Por mim assistiria a três filmes por dia, sempre com um pote de pipoca no colo. De caminhar na praia ouvindo música ou somente o barulho do mar e depois tomar uma água de coco apreciando o céu mais bonito do mundo: o de Aracaju/SE. Viajar, sempre. Encontrar com meus amigos. Fazer listas pra não me perder. Me perder e depois me encontrar. Ah, e fotografar, claro!

Melissa 05 IMAGINE.jpg Aracaju, Sergipe, Brasil. 2013. Um dia um casal de amigos, fã absoluto dos Beatles, comentou que gostaria de reproduzir a clássica foto que a talentosíssima Annie Leibovitz fez de John Lennon e sua amada Yoko Ono em 1980. Escolhemos algumas dentre tantas fotografias publicadas na internet e, após quatro meses de produção, planejamento e execução - dividida em duas sessões -, realizamos a nossa própria versão das fotografias. Foi literalmente um mergulho na vida dos desses dois apaixonados - e apaixonantes - casais.

O que você mais ama na fotografia (no ato de fotografar)?

Pergunta difícil...

Melissa 06 CotidianoImpoeiras.jpg Povoado Impueiras, Pão de Açúcar, Bahia. 2013. Fotografia tirada durante um trabalho realizado pelo Sebrae Nacional e IPTI para fazer o levantamento e registro fotográfico dos bens culturais de seis municípios nordestinos. Ao entrar numa creche simples da comunidade, as crianças não seguraram a curiosidade e usaram a fresta de uma janela quebrada pra ver o que se passava lá fora.

[Continuação da resposta à pergunta anterior]

... Acho que quando eu consigo captar o momento legítimo, aquele que mais se aproxima com a realidade. Tenho prazer em fotografar a vida real.

Melissa 07.jpg Poço Verde, Sergipe, Brasil. 2013. Trabalhando no mesmo projeto citado anteriormente, dessa vez em Poço Verde, avisto esse senhor que é a representação legítima do homem do sertão. Ao perguntar se poderia fazer uma foto dele, ele negou pois estava desconfiado que eu iria cobrar dele pela foto depois. Comentei que se alguém tivesse que pagar algo, seria eu, e não ele, rs. E depois de alguma insistência dos vizinhos, ele topou fazer a foto. Figura marcante.

O que mais gosta de fotografar? Por quê?

Gente. Me identifico com pessoas, estejam estas gestantes, em pares, em grupos de amigos ou colegas de trabalho, acompanhados dos seus animais de estimação, vivendo o dia mais importante da sua vida ou apenas mais um momento ordinário do seu dia a dia.

Melissa 08.jpg Tilburg, Holanda. 2014. Moça para para observar uma exposição de fotografias que retratam o simples cotidiano de pessoas ordinárias. Identificação total, com ela e com as imagens.

Alguma dica ou conselho para aqueles que desejam sobreviver da fotografia (como fotógrafo)?

Se você realmente ama o que faz, siga em frente e as coisas fluirão naturalmente. Só não tente ser o que ou quem você não é.

Melissa 09.jpg Rotterdam, Holanda. 2014. Ao levar meu filho num concerto de música clássica somente para bebês, ele se estica para descobrir como funcionam aquelas teclas brancas e pretas que emitem um som interessante.

Qual sua filosofia de vida?

Viver em harmonia com o meio ambiente e com os outros terráqueos, que são tão importantes quanto nós, seres humanos.

Melissa 10.jpg Tilburg, Holanda. 2014. Fotografando o cotidiano dessa pacata cidade holandesa, eis que me deparo com uma moça solitária olhando pela janela de um prédio. Assim que direcionei a minha câmera pra ela, o seu olhar se voltou pra mim. Impossível não lembrar de Janela Indiscreta, do Hitchcock.

Contatos para os que se interessarem pelo seu trabalho.

[email protected] (e-mail)

www.melissawarwick.com

www.ladomw.tumblr.com

Para quem ainda não conhecia, agora conhece. Melissa Warwick, à disposição para fotografar o cotidiano, da forma mais espontânea (ou não) possível.

Melissa 11 (Fotografia por Isamara Andrade).jpg Fotografia por Isamara Andrade


José Douglas Alves dos Santos

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