detalhes dissonantes num mundo de gigantes

Cotidiano, arte, humanismo, natureza e caos

Regina Barbosa

Eu respiro, caminho, escrevo, expresso as estranhezas e as belezas de ser humana.

Haja disposição para ser a mulher perfeita

Na semana da mulher, as homenagens chegam num mesmo pacote com cobranças de uma vida perfeita.


A mulher da propaganda de margarina foi repaginada. É bem sucedida profissionalmente, eficiente socialmente; o corpo escultural; o casamento e a casa deslumbrantes.

São muitas mensagens para comprar cremes, bolsas, sapatos, utensílios domésticos, gadgets e outros produtos, ofertados como passaporte para a felicidade. E ainda é preciso postar todo dia um sorriso bonito nas redes sociais. Haja disposição, grana e uma boa dose de ilusão para tanta perfeição.

Eu prefiro o direito às pequenas e grandes imperfeições cotidianas. Eu tenho rotina e algumas abstrações. Eu sou coração, corpo, alma e mente. Sou feita de carne, ossos, fibras e sangue nas veias.

Nem sempre acerto. Quero organizar, às vezes só faço bagunçar. Mas eu prefiro buscar a alegria do que a tal perfeição.

Hoje o dia está ensolarado, gostaria de passear, mas preciso trabalhar. Haja malabarismo!

Ontem fui caminhar, o vento fez cócegas no ouvido, o sol bronzeou as células desgastadas. Vi mulheres caminhando. Em cada uma percebi histórias de vida diferentes.

O mundo está povoado de mulheres que trabalham demais, têm responsabilidades demais. Algumas adoram receitas, outras inventam traquinagens. Há as que promovem festas, outras não perdem festas. Há quem mistura diversas paisagens. Tem quem adora salto alto, roupa apertada, muita maquiagem. Outras não curtem nada disso. E daí?

Os rótulos servem para organizar as vendas de produtos. Não caem bem para classificar uma pessoa. Não se encaixam na complexidade da vida humana.

O ideal de perfeição para uma cultura é bem diferente de outra. São tantas mulheres diferentes no mundo. Além das diferenças de personalidade, cultura, crenças, orientação sexual, classes sociais.

São alarmantes os números de mulheres vítimas de violência. E, por diversos motivos, muitas vezes vivem horrores. Nunca é demais salientar: nenhuma mulher merece ser estuprada ou sofrer qualquer tipo de violência física ou psicológica.

Em cada canto tem uma mulher tocando a vida, sobrevivendo, amando, tentando se defender, trabalhando e vivenciando inquietações. Algumas até tentam a perfeição, mas, cedo ou tarde percebem que é melhor uma vida plural.

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Fotografia: Regina Barbosa (Praça Paris, Rio de Janeiro, 2010)


Regina Barbosa

Eu respiro, caminho, escrevo, expresso as estranhezas e as belezas de ser humana. .
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