LC

Mistura de diversas belezas rendeu a estranheza do meu ser... Duas partes estranhas de conhecidos desconhecidos que se tornou uma... Sou milhões de células que em breve deixarão de existir mas eu continuarei a ser LC

12 FILMES E 1 PEÇA

Conhecer e amar Campanella, chamar pelo nome, perceber seu estilo peculiar registrado em toda sua obra. Ter a certeza que jamais esquecerei Scorsese. Degustar um pouco mais, e sempre mais, de Woody Allen. Existem diretores e diretores, se melhores ou piores um especialista talvez seja capaz de explicar, eu apenas os aprecio.


Em 6 dias de férias fiz um intensivão, 12 filmes, uns vistos na companhia da filha, outros sozinha, e uma peça com os amigos como cereja do bolo. Começar pelo começo pra que mesmo? Vou pelo fim.

foto-joao-caldas-3.jpeg A peça: Doze Homens e Uma Sentença, no teatro Tucarena, sob direção de Eduardo Tolentino. Existem dois filmes contando a mesma história, felizmente nunca vi, isso deixou tudo mais interessante aos meus olhos. Pela primeira vez eu torci no teatro, da mesma forma como acontece em alguns filmes de drama e suspense, torci pelo mocinho, ou bandido, não sei bem. O texto repleto de argumentação vai dando uma visão do crime, do acusado, das personalidades que viveram e também das que julgam o crime. A construção da peça foi cuidadosa nos detalhes, daqueles que aprendemos até mesmo num curso básico de teatro, mas que na prática poucas vezes são naturalmente aplicados. Ser generoso com o público é necessário, mas como sê-lo sem parecer ensaiado mesmo sendo? Essa equipe encontrou o caminho. Minha amiga Elaine Grava, costuma dizer que o importante é a sensação da peça, muito mais o sentimento que análise técnica, e que por isso pessoas não técnicas podem ser um termômetro eficaz. Sendo assim... A sensação foi das melhores. Senti raiva de alguns personagens pela negligência à justiça, ao humano, alegria quando o aparentemente fracote mostra sua força, orgulho de quem apoia a dúvida, nojo com o rancoroso e a respiração presa antes da sentença final.

Os filmes. Locadora tem sido um artigo raro ultimamente, em minha cidadezinha Itapecerica da Serra está em extinção total, aluguei os filmes em Perdizes, na Top Cine. Esse lugar é especial, não apenas por ter todos os filmes que procurei, mas por ter diversos que nem sabia existir. O pessoal que trabalha lá é apaixonado por filme, indica títulos que complementam aquele filme assistido e adorado, comenta detalhes de cada diretor pop ou cult, sugere coisas raras disponíveis apenas na internet ou ainda em VHS, pela arte. Quem estiver na região esqueça a 2001 da Av. Sumaré e suba um pouquinho até a Rua Plínio de Morais quase esquina com Alfonso Bovero, vale a pena.

Filmes para mim

Com a ajuda desse pessoal eu consegui descobrir minha GRANDE admiração pelo Diretor argentino Juan José Campanella. Interessante foi meu pedido de informação: “Você sabe o nome de um diretor argentino que tem 3 filmes famosos, se não me engano?” - o rapaz levanta a sobrancelha e olha para a mãe que está no computador, eu ainda pioro – “Eu já assisti um mas não me lembro o nome.” – falo isso quase me batendo porque eu lembro de ter gostado tanto, eita memória de peixe... Mesmo com essa super descrição ela olha para o filho 3 segundos depois que eu fecho a boca e afirma que deve ser o Campanella, então ele rapidamente vai para a prateleira de filmes latinos e me saca 4 títulos: Clube da Lua, O Segredo dos Seus Olhos, O Filho da Noiva e O Mesmo Amor, a Mesma Chuva. Por já ter visto os dois primeiros, levei os outros.

O Filho da Noiva.jpg

O Filho da Noiva, após 44 anos de união um homem decide casar formalmente, com direito a cerimônia e festa, simplesmente para alegrar a mulher, pois era o único sonho dela para ele ainda realizar. Ele forte e lúcido, ela com Mal de Alzheimer. O pai espera do filho apoio. O filho quer apenas ir à merda. O filme é uma grande demonstração do que é o amor em várias de suas faces. Aproveita para lembrar que jogar tudo para o alto não resolve nada, somos compostos de nossas alegrias, tristezas, problemas e todas essas coisas que as vezes queremos mandar à merda. E se mandarmos mesmo o que vai ser?

O Mesmo Amor, a Mesma Chuva, escrever é uma arte, mas e fazer da vida um drama seria o mesmo? Aqui Campanella brinca um pouco com os exageros, coloca o personagem principal contando de si, ou não, e desenvolve uma história repleta de fraquezas difíceis de reconhecer. Fala de amor com poesia, mostra mais erros do que acertos, e toca nos medos que geram abortos prematuros de finais felizes.

Em ambos, Campanella me faz suspirar no final, e provoca uma gostosa reflexão sobre a vida.

woody-allen-15-04_652x408.jpg Woody Allen, já acho ele fácil na prateleira.

Bananas, um atrapalhado cidadão americano, mero funcionário de uma indústria, toma um pé e resolve seguir os planos que seria para o casal. Vai para um país latino em meio a revolução armada e vira o presidente da nação. Cheio de sarcasmo sobre política, o filme tem também aquele atrapalhamento clássico de Woody Allen no papel principal. Gargalhei com esse filme e ainda dou risada lembrando algumas cenas. Adoro esse diretor, e minha ignorância permite fazer uma associação dele com alguém nada cult: Chaves, não estou falando do Hugo, mas sim do clássico mexicano tão patético e querido no Brasil. Woody é muito Chaves em suas trapalheiras habituais. Bananas é divertidíssimo, o segundo filme do diretor que encanta o mundo com seu estilo peculiar. Nesse filme me surpreendi com uma participação do Sylvester Stallone, antes dos olhos ficarem caídos e usar fita na cabeça.

A Era do Rádio, uma bela recordação de um tempo onde tudo era menos tecnológico. Minha mãe contava histórias sobre as novelas de rádio, e o quanto aquilo chegou a encanta-la. Eu imaginava minhas tias ao lado do rádio se divertindo numa noite de sábado. Minha imaginação ganhou vida nesse filme que retrata coisas simples e prazerosas, cultivadas por vozes que conduziam os ouvintes para um mundo fantástico, onde cores e formas eram definidas sob medida em cada mente.

J.Edgar, me faltou uma boa dose de conteúdo histórico para aproveitar melhor esse filme dirigido por Clint Eastwood que viaja por mais de 4 décadas da histórica americana, por seu brilho e sua parte fosca também. Nunca soube nada sobre esse homem mas o filme me deu até vontade de conhecer um pouco mais desse que sabia segredos de uma américa aprisionada em sua liberdade. Um homem tão poderoso diante da lei e tão fraco diante de sua mãe, diante da sociedade castradora.

Filmes para ela, filha.

Happy Feet 2, dei boas risadas com os camarões. Camarões? Sim, a dupla de camarões é mais divertida que os pinguins. O filme tem muita cantoria e como não sou fã dos musicais, salvo raras exceções, fico sem paciência com a performance, especialmente quando feita por desenhos animados. Espremendo com força até sai algumas lições de superação.

Arthur o Milionário Irresistível, dando um péssimo exemplo de vida o personagem esbanja dinheiro para conquistar o que deseja, mulheres, diversão, amigos, até conseguiu me cativar um pouquinho, bem pouquinho.

lanterna-640x340.jpg

Lanterna Verde, infelizmente no filme ele ainda banca de galã hetero, conquistando a mocinha do filme... Detalhe orientação sexual a parte, o filme está recheado de efeitos para prender a atenção, até mesmo na minha televisão de tubo gostei do que vi, imagino como foi isso no cinema. Com piadinhas bem sacanas e uma interpretação cheia de charme, Ryan Reynolds, traz um super herói quase trapalhão, cheio de medos que precisa aprender a controlar.

Espelho Espelho Meu, uma releitura do tão tradicional conto de fadas da Bela adormecida. Traz o encanto das princesas com alguns retoques de modernidade, para não deixar a pequena Branca parada no século passado. Isso só vale para o comportamento, porque felizmente aos figurinos foi dado o direito de continuar no mundo do faz de conta criado em nosso imaginário. Julia Roberts faz uma bela madrasta má e divertida, com quem a enteada trava uma guerra para recuperar o reino.

Filmes para nós

Tão Forte e Tão Perto, o tema já me deixou sensível antes mesmo de começar o filme. Difícil não acontecer isso com quem acompanhou o pior 11 de setembro da história, mesmo pela TV, aquele evento deixou marcas em todos, e é desse tema que o filme trata. Com o agravante de que foi o pai do garotinho que morreu lá. E como seguir a diante tendo perdido seu melhor amigo? A perda precisa ser superada, mas não antes de terminar o último jogo dos dois. Um filme delicado e gentil, com o drama e com os pré-adolescentes e suas crises de passagem.

hugo_ver4_xlg.jpg

A grande surpresa da seleção da minha filha foi As invenções de Hugo Cabret. Desde um trailer que vimos no cinema ela diz que quer ver esse filme. É bem verdade que na primeira tentativa de vê-lo ela dormiu no sofá, mas no dia seguinte conseguiu ver direito, e gostar. Mas eu AMEI. Um filme BELO. A história me emocionou, essa coisa de cinema fantástico mexe com a imaginação, prende, encanta. As imagens são de uma perfeição fascinante. _ Soube depois que os efeitos visuais têm dedo e mão inteira de um brasileiro, Rodrigo Teixeira. _ Quando o filme terminou fiquei com aquele sentimento de admiração, misturado com a falta que já sentia dele, não precisava acabar tão cedo. Repeti algumas vezes que o filme era muito bom, e resolvi olhar aquele detalhe que aprendi a olhar há tão pouco tempo, o diretor. SCORSESE. PRONTO. Pronto o que? O que ele fez mesmo? A sei lá esqueci, mas eu sei que é bom e que já gostei muito de algum filme dele. Qual mesmo? Seria Os Infiltrados? Bem, ao menos agora sei que não esquecerei Scorsese.

Peixe Grande, é daqueles que aparecem nas listas que preciso ver há algum tempo, chegou a hora de cortar uma fila e ver em família. Quando a gente é criança acredita nas histórias mais malucas do mundo e acha aquilo o máximo, quando cresce fica buscando os porque de tudo. Foi isso que o filho tentou fazer ao explicar as fantasias de seu pai. Mas será a explicação o melhor caminho para se aproximar de alguém que criou seu “país das maravilhas”?

Desejo boas doses de dias assim a todos.


LC

Mistura de diversas belezas rendeu a estranheza do meu ser... Duas partes estranhas de conhecidos desconhecidos que se tornou uma... Sou milhões de células que em breve deixarão de existir mas eu continuarei a ser LC.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/// @destaque, @obvious //LC