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Mistura de diversas belezas rendeu a estranheza do meu ser... Duas partes estranhas de conhecidos desconhecidos que se tornou uma... Sou milhões de células que em breve deixarão de existir mas eu continuarei a ser LC

Turma do Funil

Elas tiveram seus dias de glória entre 1920 e 1960, mas em 1899, Chiquinha Gonzaga, sempre a frente de seu tempo, já trazia “Ô Abre Alas” passando e levando a Rosas de Ouro pelas ruas com a primeira marchinha da história. Encantaram e arrastaram multidões de foliões pelas ruas. E como estão nos tempos de hoje?


carnaval_antigo11.jpg Elas foram feitas para serem cantadas por todos, em meio às brincadeiras dessa festa da carne tão celebrada no Brasil. As marchinhas são piadas cantadas que deram muita alegria àquele tempo em que o carnaval era mais ingênuo e menos comercial.

Com suas letras simples e muitas delas politicamente incorretas, DIVERTIRAM, divertem. De maneira rápida fixam até mesmo na memoria daqueles que vivem nesse tempo em que carnaval está associado às Ivetes, Claudias e grandes produções para serem VISTAS. As queridas marchinhas ainda são de um tempo em que as coisas eram VIVIDAS.

Há uns dois anos, preparamos um CD de marchinhas para curtir o carnaval com a família no litoral norte paulista. No carro tínhamos uma turma que incluía meu sobrinho-neto de 5 aninhos, todos de ótimo humor. E lá fomos nós vagar de praia em praia.

Na segunda volta que fomos dar, o pequeno já tinha a música favorita. _ Põe aquela, põe. _ Qual? _ Aquela do funil.

E ele sabia até cantar, o que era garantia de pedido atendido. Todos se divertiram com aquelas músicas e ficou história para muitos carnavais. Vira e mexe escuto alguém cantarolando pela casa: “Chegou a turma no funil, todo mundo bebe mas ninguém dorme no ponto/Nós é quem bebemos e eles que ficam tontos.” Bloco-Me-Beija-que-Sou-Cineasta-original.jpg

Existem movimentos que mantém firme esse verdadeiro clima de fazermos a festa e não apenas de vermos as cores, as caras e os peitos passarem.

O Rio de Janeiro tem o maior espetáculo de carnaval na avenida, com seus gigantescos carros alegóricos e personalidades a desfilar. Espetáculo que atrai gente do mundo todo para curtir nos camarotes e arquibancadas como espectadores. Uma festa bonita, não se pode negar. E lá na mesma cidade, pelas ruas do centro e bairros, estão também 696 blocos arrastando gente a saltitar e se alegrar. 11fev2013---inspirado-em-musica-dos-beatles-o-bloco-do-sargento-pimenta-atrai-cariocas-e-turistas-na-capital-fluminense-1360616986737_956x500.jpg

Em vários deles a brincadeira começa no nome: Virilha de Minhoca, Xupa Mas Não Baba, Me Beija que Sou Cineasta, Largo do Machado Mas Não Largo do Copo, Nunca mais eu Bebo Ontem, Só o Cume Interessa. Por aí pode se imaginar a diversão.

São Luiz do Paraitinga tem tradição nesse assunto, seu carnaval atrai muita gente, especialmente do Vale do Paraíba onde fica. Numa cidade de 10mil habitantes, mais de 25mil pessoas festejam o carnaval de marchinhas. Carnaval esse que ficou extinto por mais de 60 anos, por conta de um padre, que na década de 20 vetou a festa dando a ela ares de pecado merecedor de castigo divino. Felizmente Prefeitura e o Clube Luizense resgataram a história em 1981, trazendo de volta esse carnaval da alegria e livre de dogmas. São-Luis-do-Paraitinga-Flavio-Pereira-2.png

São Paulo, até poucos anos vinha num movimento tímido de pequenas proporções e desconectado em alguns bairros. Nos dois últimos anos vem atraindo maior número de foliões e se espalhando pela região central da cidade, com uma festa bonita. A tendência é crescer cada vez mais até mesmo pela busca das pessoas, especialmente numa megalópole, muito mais conectadas em seus mundos virtuais e nesses mesmos meios buscam um recanto, um momento retrô, um pouco mais de conexão com suas origens. Buscando no virtual uma conexão com o real, divulgam para mais e mais pessoas, que são contagiadas pelo clima e acabam por cair na folia. 149457_343682885747750_1941295123_n.jpg

Será que nos próximos anos teremos novas marchinhas para ficar em nossas mentes, como tínhamos antes? “Ô abre alas que eu quero passar / Ô abre alas que eu quero passar / Eu sou da lira não posso negar / Eu sou da lira não posso negar.” “Chiquita Bacana lá da Martinica / Se veste com uma casca de banana nanica.” “Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão / De dia é Maria / De noite é João.” “As águas vão rolar / Garrafa cheia eu não quero ver sobrar / Eu passo a mão na saca, saca, saca-rolha / E bebo até me afogar.” “Na mesma máscara negra/Que esconde o teu rosto/Eu quero matar a saudade./Vou beijar-te agora,/Não me leve a mal:/Hoje é carnaval.” 13173_4267429415294_493170907_n.jpg


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