Júlia Mattos

Apaixonada por boas histórias, sejam fictícias ou reais. Viciada em livros, filmes, séries, M&M's e Tic Tac de laranja

A educação é mais do que passar no vestibular

Você já pensou que era jovem demais quando escolheu o seu curso e que se fosse hoje teria feito uma escolha diferente? Já se perguntou se escolheu essa profissão simplesmente porque precisava passar para alguma faculdade quando terminou a escola ou porque alguém disse que tinha a ver com você? Acredite, você não é o único.


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O erro na educação começou quando o aluno foi obrigado a focar em nada além do que fosse fazer com que ele passasse no vestibular. Ele foi ensinado desde criança que deveria estudar, passar para a faculdade, se formar e conseguir um bom emprego. O problema é que nessa corrida louca para passar, ninguém nunca deu a ele tempo o suficiente para amadurecer e fazer uma escolha baseada em autoconhecimento.

O resultado desse erro é que o aluno acaba focando em entrar na faculdade que quer, não no curso. Esse equívoco acontece inconscientemente, ninguém escolhe o curso errado de propósito, claro. O problema é que existe uma pressão tão grande da sociedade para passar para o vestibular assim que se sai da escola, para decidir o que se quer fazer logo, que é simplesmente natural fazer a escolha errada.

Afinal, como um jovem de 17 ou 18 anos pode escolher o que quer fazer para o resto da vida? Como que ele deve saber o que quer fazer se ainda está começando a descobrir quem é? Como deve escolher que profissão seguir se nunca teve o menor contato com nenhuma delas?

As escolas deveriam se preocupar mais em formar o aluno em si, não em fazê-lo passar no vestibular. Já pensou se ao invés de fazer o aluno ter aulas à tarde todos os dias, os colégios tivessem orientação vocacional e parcerias com empresas para estágios em diferentes áreas? O aluno poderia conhecer o dia-a-dia das profissões que tem o seu perfil e decidir com qual ele mais se identifica ao invés de passar o tempo todo trancado em uma sala de aula. Eu sei que ainda assim teriam escolhas erradas, mas provavelmente o número seria menor.

Os jovens estão saindo mais confusos da faculdade do que estavam quando entraram. A verdade é que eles fizeram aquele curso porque alguém disse. Alguém disse que dava dinheiro. Alguém disse que era o que eles deveriam fazer. Alguém disse que combinava com eles.

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Mas um dia, quando eles já sabem o suficiente para não precisar mais que alguém diga, vem aquela terrível dúvida:

E se não for isso que eu quero fazer? E se eu tiver escolhido a profissão errada?

Quando isso acontece, a decisão a tomar é sempre difícil: seguir nessa profissão mesmo ou arriscar recomeçar e fazer outro curso? Mais uma vez é preciso fazer uma escolha decisiva, porém agora existe autoconhecimento o bastante para que esta seja feita corretamente.

Alguns provavelmente vão discordar de tudo o que eu disse acima, mas a verdade é que eu olho a minha volta e vejo erros por toda parte. Vejo formandos frustrados, vestibulandos confusos e escolhas erradas sendo feitas sob pressão. E toda vez eu torço para que a minha geração mude essa ideia tão antiga e impessoal que chamam de educação e que eduquem os filhos da maneira como queríamos que tivessem feito com a gente.


Júlia Mattos

Apaixonada por boas histórias, sejam fictícias ou reais. Viciada em livros, filmes, séries, M&M's e Tic Tac de laranja.
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