di sainha

livros, música, cinema, paisagens e relacionamentos.

Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]

Sentimentos Digitais

Será que o futuro já alcançou os nossos relacionamentos?


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Esta não é mais uma crítica do filme “Her” do genial Spike Jonze, mas como muitos de vocês, todo aquele cenário realístico do futuro me fez refletir sobre os novos tipos de sentimentos e a maneira como nos relacionamos nessa sociedade moderna. Se apaixonar por um programa de computador é como eu li por aí triste? É solidão? Desespero? Apaixonar-se por uma máquina? HA, maluquice! Mas... será?

Primeiramente gostaria de dizer que o filme é lindo. Sim, lindo. Bonito, honesto, sincero. E não acho que aquela projeção de pessoas interagindo apenas com elas mesmas, falando com celulares e dispositivos móveis seja um reflexo de solidão. Eu que não vivo no meu país sei como esses pequenos aparelhinhos e seus programas fazem eu me sentir mais perto das pessoas que moram longe. Interagir mais com a tecnologia do que com pessoas não é carência e nem anti-socialismo. É o futuro. E é só! E nós já vivemos o futuro. E quer saber? Eu quero sim conversar com um “botão”no meu ouvido que me diz os meus deveres do dia, que lê para mim os meus e-mails e me lembra sobre coisas que eu eventualmente possa esquecer. Awsome! E qual é a surpresa? Às vezes quando caminhamos em silêncio, atarefados, olhando ao nosso redor, nós não estamos realmente concentrados no que estamos fazendo. Quero dizer, não conversamos e socializamos com pessoas desconhecidas o tempo todo por onde passamos. Dirigimos, pegamos o nosso ônibus, escutamos um ipod, pensando em outras coisas... Perdidos em nossos pensamentos, no tempo, numa pessoa, nas preocupações... Já somos solitários! Já vivemos apenas com nós mesmos e é isso!

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Para quem critica o filme como “insano”, “que locura”, “isso é triste”, saibam que já somos loucos e um pouco tristes. Todos nós. Todos nós que vivemos no século XXI já criamos um sistema operacional dentro de nós. Quantos já falam sozinhos? E dizem que falar sozinho é o primeiro passo da insanidade. Então sim, somos loucos. Então sim, as pessoas tem medo da tecnologia e da evolução digital. Então sim, eu quero viver o futuro e eu quero ele agora! Quantos divórcios? Quantos não se sentem MUITO bem sozinhos? No seu apartamento, ou no seu quarto, no seu íntimo? Quantos de nós já estamos crescendo moldados num sistema que nos prepara para a solidão? E que nos ensina a gostar dela?

Mas e daí?

Não digo que não devemos manter nossos relacionamentos reais, amantes, família, AMIGOS. Ah, amigos. O que seria de nós sem eles? Sim, as pessoas reais são muito importantes na nossa vida. Mas no futuro não vamos apaga-las. Nós vamos adicionar o universo digital a tudo que já existe e é só.


Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]
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