di sainha

livros, música, cinema, paisagens e relacionamentos.

Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]

Fui viajar e não voltei

Você também já teve vontade de abrir mão de tudo e de ir conquistar seus sonhos um pouquinho longe da sua atual realidade?


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Um belo dia simplesmente cansei de ter que me explicar. De sorrir quando não tinha vontade, de sair e ouvir conversas das quais eu não me interessava e não entendia o porque de estar falando sobre aquilo. Sabe uma vida que você vai só seguindo e não para e pensa muito a respeito?

As pessoas ao meu redor estavam agressivas. Pessoas com uma opinião formada sobre tudo. O novo celular. Eu tenho mais dinheiro que você. Minha vida é melhor que a sua. Eram pautas que eu já não aguentava mais. Quando resolvi viajar, eu sabia que eram férias longas de tudo isso. Eu sabia que iria respirar um ar gelado e limpo, não falando sobre tóxicos, mas limpo de julgamentos, de expectativas e de tanta ignorância.

E como era cara a vida onde carreira é tudo, um apartamento mobiliado é tudo, o carro do ano é tudo e até aquele jantar semanal no restaurante cheio de gente “wanna be” é tudo. Caro porque pode ser doloroso se não temos tudo. Não voltei porque gosto de alimentar meus sonhos todos os dias sim, mas não gosto de sofrer por eles.

Fui viajar e não voltei porque fazia tempo que eu não encontrava alguém interessante. Um homem que não me falasse sobre suas aquisições, mas sobre sua história de vida maluca cheia de altos e baixos igual a minha.

São Paulo é uma cidade que me fascina em muitos aspectos. Nenhum outro lugar do mundo é como São Paulo. Mas São Paulo está cheia de gente chata. E o problema do chato é que ele não faz a menor idéia de que é.

Eu fui viajar e não voltei. Não voltei porque eu já não me sentia mais parte de grupo nenhum, de trabalho nenhum e de ambição nenhuma. Algumas pessoas parece que nasceram pra serem CEO de multinacionais. Elas me fascinam porque eu nunca fui muito organizada e objetiva. Sempre quis escrever, desenhar, criar, entreter e ajudar. Pessoas criativas sofrem naquele mundo.

Amigos queridos existem sim, familiares amados. Difícil viver sem a presença deles. Muito difícil. Mas eles também fazem parte de toda essa bolha, difícil de sair.

Tenho aquela sensação normal de estar atrasada e posso realmente estar. Posso até sofrer algumas consequências no meu futuro quando eu voltar. Mas esse medo passa quando eu sento num parque quarta-feira à tarde e fico observando o cachorro e a garotinha brincando. Ou quando eu fico com dor na barriga de tanto rir com um amigo, porque afinal temos tempo pra isso.

Não voltei porque todo dia eu aprendo algo novo. Todo dia eu tenho um pensamento positivo sobre a vida, mesmo com todas as dificuldades.

Um dia eu volto, mais madura e mais preparada para o que me espera. Um dia eu volto sim, mas até lá eu vivo.


Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]
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