di sainha

livros, música, cinema, paisagens e relacionamentos.

Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]

Homenagem as minhas ex paixões

A vida pode tentar, mas nem todo mundo aprende a ser rancoroso.


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Todo mundo tem passado e todo mundo já conheceu alguém especial. No meu caso, virei chacota em um jantar com amigos pelo número de vezes que já me apaixonei. Me apaixonei, namorei, briguei, terminei, superei, tudo isso sozinha. Pobres rapazes que nem sabem de nada. Eles foram o que dizem maldosamente por aí um “fogo de palha”. Mas estou falando daquelas pessoas que tiveram conhecimento da nossa paixão, da nossa maluquice e que são normalmente aquelas que deixaram uma marca um pouquinho mais profunda em nossas vidas.

A paixão acabou, o tempo passou e o fim do amor é estranho. Estranho porque há um tempo atrás parecia que o mundo iria acabar caso você e aquele alguém não ficassem eternamente deitados em berço esplêndido ao som do mar e à luz do céu profundo. Estranho porque toda aquela intensidade, aquela insônia e as escorregadas chorando atrás da porta parecem que não serviram de absolutamente nada. Mas não é bem assim.

Hoje em dia quando você encontra uma dessas suas ex paixões é como se encontrasse um velho e bom conhecido. Pergunta sobre o trabalho, a casa de campo, os cachorros e sai andando escutando a sua playlist da Beyonce e pensando que talvez você deveria ter passado mais rímel. Mas é só. Sem abalos. A vida é bela. Mas é estranho porque pra onde raios foi todo aquele desejo e aquela ansiedade pelo sms enviado, visualizado e não respondido? Pra onde foi o medo? As incertezas? Os dilemas de “nunca mais vou encontrar alguém”?

Caro amigo, não foram para lugar algum. Estão ainda dentro de você em alguma gavetinha profunda e esquecida no seu cérebro chamada “experiência”. Um dia elas voltam à tona, mas de um jeito diferente, de um jeito melhor, mais maduro, mais consciente e é nesse revival do passado que você será grato pelas ex paixões, pelo que viveu, pelo que elas lhe trouxeram e por cada pequena coisa que você aprendeu a valorizar em alguém.

Erros? Muitos. Arrependimentos? Zero. Já levei e já dei pé na bunda. Já descobri traições imperdoáveis, e perdoei. Já traí e fui perdoada. Já fui cruel, mas também já fui magoada. Já me peguei até xeretando celular e entre outras coisas horríveis que eu, você, o padeiro da esquina e todo mundo já fez porque somos humanos e pra aprender é assim mesmo, a gente erra, acerta e depois com uma certa distância criamos um filtro personalizado do que queremos pras nossas vidas. O que nos agrada e nos trás paz. E é ai que encontrar aquela pessoa certa fica muito mais fácil.

A vida pode tentar várias vezes, mas nem todo mundo aprende a ser rancoroso. Pode parecer difícil, mas um dia você será grata por aquele sujeito que espalhou que o lance com você era só sexo, ou por aquela garota que insistia em dizer que vocês eram apenas bons amigos. Mesmo eles podem nos ensinar muito.

Me apeguei a uma frase do físico e escritor Marcelo Gleiser no documentário sobre auto-conhecimento, “Eu Maior”:

“Felicidade é você poder escolher ao que vai se prender.”

Pois bem, eu prefiro me prender apenas ao futuro.

O passado, já é passado.


Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]
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