di sainha

livros, música, cinema, paisagens e relacionamentos.

Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]

Somos todos Cinderela

Nas diversas situações da vida, nós precisamos acreditar em um final feliz.


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E lá estava eu passando por mais uma noite de insônia. Eram quase duas horas da madrugada e eu ainda estava zanzando pelos canais de filmes da televisão. Eis que um filme sobre duas mulheres que resolvem viajar para superar frustrações amorosas chamou a minha atenção. “Filme lightzinho agora vai bem pra ficar com sono”. Mas não dormi não, assisti até o fim. Mesmo sendo um filme “Sessão da Tarde”, a história daquelas duas mulheres me pareceu interessante.

Uma delas era uma grande empresária, rica, linda e que colecionava namorados famosos. Tinha um namorado atrás do outro, mas não conseguia se envolver de fato com ninguém. “O que há de errado comigo?”. E foi passar algumas semanas num pequeno vilarejo londrino após essa pergunta. A segunda mulher era uma jornalista tímida, atrapalhada à la Bridget Jones e que mantinha um caso com o seu editor, até descobrir que ele estava noivo de outra. “Porque isso sempre acontece comigo?”. E viajou para a ensolarada Los Angeles em busca de alguns dias de descanso para o coração magoado.

Todos nós em algum ponto da vida buscamos respostas, mas as circunstâncias as quais somos levados a fazer as perguntas é o que mais me fascina. Inquietação, desconforto, insatisfação com o ambiente ou com nós mesmos. O caminho até as perguntas é doloroso, muitas vezes agonizante, mas totalmente necessário. Só assim somos levados às mudanças positivas. Fingir que nada está acontecendo, nos deixa estacionados no descontentamento. Aquele alívio, nunca chegará.

Somos todos Cinderela. A fábula “A Gata Borralheira” é talvez, o conto de fadas mais famoso do mundo desde que foi escrito pela primeira vez pelo francês Charles Perrault em 1697. Porque será que seres humanos de diferentes partes do mundo se identificam tanto com a figura da Cinderela? Séculos se passaram e nós, meros mortais que não temos fada madrinha, ainda acompanhamos produções modernas desta história que representa pura e fabulosamente a vida dura mas com decência, honestidade e que resulta na conquista de um grande sonho. Em tempos de maus exemplos na liderança do nosso país, em tempos de grandes escândalos de corrupção e de injustiças sociais pelo mundo todo, nós nos simpatizamos muito com a figura ética e sonhadora da Cinderela.

Por isso que assistindo a história das duas mulheres intercambistas, acompanhando a divulgação do novo filme Disney e refletindo sobre as minhas próprias experiências (insônia, né?), cheguei a conclusão que em diversas situações o “final feliz” se aproximou quando resolveu-se por sacudir a poeira. Um basta. A vida não é como nos contos de fada. Nenhuma figura da monarquia baterá na sua porta com um sapato de cristal e com disposição para casar-se, e mesmo que isso acontecesse, o quão rápido você enjoaria de um relacionamento conquistado tão sem esforço?

E que busquemos os nossos finais felizes então. Seja num intercâmbio cultural como as moças do filme, seja num baile como a Cinderela, seja na festa de aniversário da sua amiga da faculdade, seja naquela reunião para qual você se preparou tanto, seja num prato de sobremesa, seja no gol do seu time, seja na passeata contra a corrupção, seja naquele beijo cheio de saudade e que seja na risada mais gostosa com os seus amigos. Mas que a gente não se esqueça:

Nós precisamos dos mais variados vilões para que um dia tenhamos a nossa volta por cima.


Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]
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