di sainha

livros, música, cinema, paisagens e relacionamentos.

Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]

Quando levei um fora do Pc Siqueira

Sobre aqueles pés na bunda que mudam a gente


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Sempre carreguei a bandeira de que ter um estereótipo favorito não está com nada. Dizer que você prefere morenos, ou que mulheres muito altas não fazem o seu tipo, soa muito artificial. Mas a grande verdade é que mesmo os mais ecléticos tem lá a sua queda por alguma característica. No meu caso, desde os tempos escolares, tenho uma pré disposição à me interessar por caras nerds. Não existe explicação, apenas acontece.

Eis que no ápice dos meus 22 anos, insuportavelmente magra e blogueira, me deparei com a figuraça nerd do Pc Siqueira em um evento de redes sociais. Alguns poucos minutos de conversa foram suficientes para eu já ter lápsos imaginativos de um possível encontro. E a conhecida que trabalhava com ele já tratou de agitar o processo: "Vou falar com ele". Sem um miolo na cabeça, concordei. Quem nunca teve ao menos uma vez vislumbres de um futuro maravilhoso com uma pessoa que provavelmente nunca nem te viu na vida?

No dia seguinte, animada para as boas novas, levei um forão daqueles:

- Mari, ele não topou.

– Por quê?

– Ah, eu falei de você e entramos no seu Face...

– E ele não curtiu?

– Não é isso, ele te achou bonita.

– Então fala o que foi! - sem paciência com quem dá feedbacks pela metade.

- Ele disse que você é feliz demais.

Desnorteio total.

Dei rapidamente uma auto stalkeadinha só pra ver se eu parecia mesmo tão feliz assim. Avaliei o meu próprio conteúdo nas redes sociais e fui meticulozamente crítica com cada postagem. Porque eu estava tão incomodada? Que maluquice.

Mas a verdade é que essa maluquice faz parte do tempo em que vivemos. O tempo em que as aparências venceram e conseguem sim nos enganar.

Eu parecia muitíssimo mais feliz do que eu realmente era e sim, eu parecia ridiculamente artificial. Mas nem sempre nossos olhos conseguem enxergar esse tipo de máscara. É como se tivéssemos nos acostumado com a vida perfeita alheia, que nem nos perguntamos mais se tanta perfeição e felicidade é realmente possível, e mais do que isso, verdadeiro.

Não estou dizendo que precisamos compartilhar tristezas e transformar as redes sociais em poços de lamúrios entediantes, mas é muito chato receber tabefes de felicidade plena todos os dias enquanto seguimos com a nossa rotina normalzona way of life. No fundo, no fundo, nós só queremos um pouco de normalidade e alguém que também tenha problemas reais com um cotidiano REAL.

Achar certa beleza nos dias mais comuns, isso sim é digno de ser compartilhado.

Viver apenas em belas paisagens, amar incondicionalmente a vida sempre no modo good vibes , alimentação e corpos perfeitos, festas e viagens badaladas, fazem parte do compartilhamento online. Normal, ou vocês acham que eu não sigo uma série de pessoas assim? Claro que sim, mas hoje tenho um olhar diferente, de que aquilo não existe daquela forma. Me parece superficial e não atraente. Assim como não foi atraente para o tal Pc há alguns anos atrás.

Devíamos rir mais dos nossos problemas, do que é ordinário. É tão bom quando conhecemos alguém que sempre admiramos e descobrimos que a pessoa é tão normal quanto nós. Parece refrescante, aliviador conhecer alguém assim nesse momento de tantas aparências.

Elas podem até enganar, mas não por muito tempo.


Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]
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