di sainha

livros, música, cinema, paisagens e relacionamentos.

Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]

Bonita, solteira e viajo sozinha. E daí?

Pelo direito de viajar sozinha sem julgamentos


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"Ué, furaram com você?","Você é maluca","Tão bonita, duvido que ninguém queira ir também", "Você está bem?", comentários assim seguidos de inúmeras facetas de choque e piedade são comuns sempre quando digo que vou viajar sozinha. O que eu vejo como um desejo extremamente normal, para algumas pessoas parece inaceitável o fato de alguém optar por ficar só.

Quando comecei a escrever esse texto fiquei indignada com os emails de tantas outras moças que também adoram essa experiência, mas que hora ou outra têm que lidar com esses tapas machistas e irritantes da sociedade. Eu digo irritantes pois quando a história se repete com os rapazes, as reações são bem diferentes. Ninguém é tão julgador assim. Eles são vistos como aventureiros, desbravadores, livres e até conquistadores, donos de seus narizes. Mas porquê raios a visão muda completamente quando você é uma mulher? E porquê isso se torna ainda mais inadmissível se você não aparenta passar por nenhum tipo de depressão ou fobia social? Por quê as pessoas ficam buscando uma explicação para tal atitude? Garotas precisam estar sempre acompanhadas, seja por uma amiga, pelo colega gay, pelos familiares, ou claro, pelo namorado já que pega mal sair por aí sem ele, não é mesmo?


Gosto muito de viajar com os meus amigos. Adoro viagens românticas. Aquela prainha com as amigas então, é maravilhosa, mas viajar sozinha é tão bom quanto, e mais do que isso, muitas vezes é necessário. Todas as pessoas, homens ou mulheres, deveriam ter essa experiência pelo menos uma vez na vida. Autoconhecimento profundo. Você não sabe quem você é de verdade se sempre está acompanhado. Para mim, esquisito mesmo é quem não consegue suportar a própria companhia e que sente-se rapidamente entediado. Quando viajo sozinha, crio memórias sem ser influenciada por ninguém, registro todos os momentos da forma mais particular possível. Só eu sei o que vi, e como vi. Acordo a hora que quero, experimento o que quero, faço os meus roteiros sem compromisso e sem ter que avisar ninguém. Pobre de quem viaja e conhece mais sobre o lugar, do que sobre si mesmo.

Garotas que viajam sozinhas não sentem-se inquietas querendo compartilhar tudo com alguém, são autosuficientes, e não rebeldes. Estão abertas à conhecer novas pessoas, novas culturas e não limitam-se àquilo que elas já conhecem e que é confortável. São curiosas, e querem ficar em paz.
Não há nada de errado nisso, mas parece que incomoda.

Incomoda porque as pessoas têm medo da solidão e é preferível atacar do que ter que lidar com quem encontra prazer onde a maioria encontra insegurança.

É preferível atacar sempre do que ter que lidar com garotas que tratam a solidão como opção, pois são seguras o suficiente para não ter medo dela.


Mari Rivas

Publicitária, aspirante a fashionista, prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”. Email: [email protected]
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