diamante lóki

Syd Barret + Arnaldo Baptista = ...

Davi Queiroz Machado

Um menino do meu tempo. "poetaescritorcineasta", tudo junto. Syd Barret + Arnaldo Baptista = ...

O que se passa em Marienbad?

O que se passa em Marienbad? Mistério complexo incomensurável ou o simples imperceptível? Por onde, e como, segurar este filme tão escorregadio?


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("L'année dernière à Marienbad"- 1961, Alain Resnais)

Muita gente tenta falar sobre este filme. Mas o que dizer, como dizer, como entender? Passada essa confusão impactante que o filme nos causa. Percebe-se que trata-se de uma obra de arte. Naquele mesmo sentido em que viram pela primeira vez um quadro de Van Gogh. Quem daquelas pessoas comprou Van Gogh? Ninguém. Por quê? Ora, porque não tinham como entender uma nova maravilha da arte. E O Ano Passado em Marienbad não seria um quadro de Resnais que até hoje está inalcançável para cérebros humanos? Mas possuímos outras capacidades receptivas, e elas podem auxiliar na compreensão angulosa de um filme perpendicular.

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As sequencias se desenrolam num tempo estranho ao nosso corpo. Há mesmo um incômodo com o filme todo, ou melhor, com os fragmentos. “Teatral” nem sei bem se seria a palavra pra definir. Talvez seja um erro procurar no vocabulário crítico de cinema uma palavra que dê conta de um filme que não conseguimos dar conta. Pelo menos a maioria daqueles que o assistiram.

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Já ouvi comentários como: “Perdi foi meu tempo” “Sem pé nem cabeça!”

Não tiro totalmente a razão dos donos destas palavras. Ora, nem toda experiência estética com grandes obras de arte rendem boas reações. E obras eternas não pertencem ao tempo e se foram estranhas à primeira vista, porque não seriam atualmente? E O Ano Passado em Marienbad continua no campo do imponderável. Eis o seu charme.

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Davi Queiroz Machado

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