diamante lóki

Syd Barret + Arnaldo Baptista = ...

Davi Queiroz Machado

Um menino do meu tempo. "poetaescritorcineasta", tudo junto. Syd Barret + Arnaldo Baptista = ...

PARTNER, para um Brasil em manifestação

O Brasil acordou? Então que tal dar uma passada no cinema de Bertolucci (especificamente Partner) pra “despertar” mais ainda? Boa sessão.


PARTNER (Bernardo Bertolucci)

Eis uma inspiração: “Ensinando a não ensinar”

“O quê? Você não vai levar em conta o fato do filme ser de 1968, uma ano auspicioso para a juventude e suas revoluções?”. Não, não mesmo. Porque estamos no ano dois mil e treze, em pleno Século XXI e a juventude ainda está revolucionando algo, e desconfio que irá continuar assim, pois faz parte do fundamento de todas que surgem. Assim começa o filme de Bertolucci: ensinando a não ensinar. Ousado? No mínimo.

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Mas falemos do que trata o filme. Ora, trata de um personagem incomum, politizado, aparentemente um diretor de teatro ou algo semelhante. Seu nome? Ah, é mesmo. Ele se chama Jacob, os dois, numa dupla personalidade. E o que isso parece, senão uma juventude em busca de identidade? Bertolucci não deixa isso claro. Mas que diretor amaríamos se resolvessem deixar tudo tão claro?

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Jacob é uma mente inquieta, indignada. Sempre preocupado em inspirar aqueles ao seu redor. Instigando um grupo a sentir o mundo pelo viés estético, e transformá-lo através da arte. Ele nos propõe uma vida sem o mecânico modus do sistema de viver que se oferece; que nos é apenas dado. O tal do “stablishment” parece ser o inimigo numero um deste personagem. Provavelmente acharão clichê defini-lo como “gênio incompreendido”, mas Jacob é de fato um desses espíritos atormentados que brilham tão intensamente que ofusca ou calcina aqueles que não estiverem na mesma intensidade. Não vou falar do ator (Pierre Clémenti), pois a atuação convence tanto que tenho a certeza que aquilo não era atuação.

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E onde entra Bertolucci no filme? Ora, “onde ele entra? “. Não é um “Diretor” fazendo um filme, é um homem expressando sua arte como ele gostaria de expressar, genuinamente, sem essa de “estilo”, “estética”, “técnica” ou qualquer coisa que só atrapalharia a verdade dos versos, ou melhor, das sequencias. Partner é um poema politizado, rebelde, manifestante. E extremamente crítico. E o objetivo da crítica desse filme é você. Sim, você que assistiu. Deve ter percebido as muitas vezes em que Jacob olha pra câmera e pergunta e diz coisas diretamente pra você. Jacob não fala com Jacob, Jacob fala com você que está assistindo (Bertolucci é gênio). Jacob fala com uma geração, com a de 68 ou com a geração de qualquer década de qualquer século. No atual momento do nosso país, Jacob fala com a gente.

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Mas o mais significativo em Partner, pelo menos a meu ver, é a cena onde vários jovens colocam vendas vermelhas em si mesmos e vão caminhando pela rua. Digo que é uma cena “significativa”, apesar de não saber o real significado dela. Tenho apenas a interpretação de que se trata mesmo de uma geração tateando o mundo e tentando senti-lo, mesmo não sabendo o que está diante de si; pois nenhuma das gerações que resolveram mudar o panorama sabia onde estavam pisando. E nós, um povo dito ‘adormecido’ (o que não concordo), estamos vendados e tateando o mundo sem saber onde estamos pisando. Por enquanto estamos tentando sentir o que está acontecendo. Mas Partner pode nos orientar nos próximos passos: “quando estivermos prontos, algo acontecerá. Quando algo acontecer, nós estaremos prontos”.

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No entanto, o filme não é uma pedagogia. Bertolucci é um poeta, e os poetas pretendem coisas como “inspirar”. E se alguém ainda desconfia de que este foi um dos filmes mais ousados, politicamente, da história do cinema; saiba que nele há uma cena em que Jacob ensina exatamente como fazer um ‘Coquetel Molotov’. Bertolucci tem ou não tem culhão?

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Davi Queiroz Machado

Um menino do meu tempo. "poetaescritorcineasta", tudo junto. Syd Barret + Arnaldo Baptista = ....
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